O final da 4ª temporada de ‘Bridgerton’ trouxe o casamento de Sophie e Benedict, a morte trágica de John Sterling e o mistério sobre a nova Lady Whistledown. Analisamos cada desfecho e o que eles preparam para as próximas temporadas da série.
Quando a Parte 1 da quarta temporada de ‘Bridgerton’ encerrou, deixou os espectadores em um impasse doloroso: Benedict, um Bridgerton, e Sophie, uma criada — dois mundos que a sociedade londrina do século XIX não permitia que se encontrassem. A Parte 2, lançada quase um mês depois na Netflix, não apenas resolveu essa tensão com um desfecho satisfatório, mas também trouxe reviravoltas que reconfiguram o futuro da série.
Esta temporada marca uma mudança de tom. Pela primeira vez, o romance central não era apenas sobre conquistar o par ideal — era sobre atravessar barreiras de classe intransponíveis. E a forma como a série resolveu esse conflito diz muito sobre o que os criadores querem explorar daqui em diante.
O casamento de Sophie e Benedict: como a série resolveu o impasse de classes
O obstáculo central não era apenas o diferencial de status social — era a própria Araminta, a madrasta de Sophie. Na Parte 2, ela acusou Sophie de roubar presilhas de sapato e, mais grave, de se fazer passar por nobre ao comparecer ao baile de máscaras de Violet Bridgerton disfarçada. Sophie foi presa. Benedict, desesperado.
Foi então que Violet Bridgerton entrou em cena com uma intervenção decisiva: declarou Sophie como noiva de Benedict, conseguindo que ela fosse liberada sob custódia da família. O verdadeiro golpe contra Araminta veio com uma descoberta — ela havia desviado o dote de Sophie, convencendo-a de que fora excluída do testamento do pai, Lord Penwood. Com essa revelação, os Bridgerton a forçaram a aceitar uma narrativa alternativa: Sophie seria apresentada como parente distante de Lord Penwood, legitimando seu lugar na sociedade.
A cena do casamento, revelada em um epílogo pós-créditos, funciona como recompensa emocional. Benedict, sempre o irmão mais livre e menos preocupado com convenções, finalmente encontra alguém que combina com seu espírito — e a série não esconde a ironia de que precisou de uma mentira sobre linhagem para que um romance genuíno fosse aceito. Visualmente, a cena contrasta com os casamentos anteriores da série: mais íntima, menos ornamentada, refletindo a personalidade do casal.
A morte de John Sterling e o luto complicado de Francesca
Enquanto Benedict e Sophie encontravam seu final feliz, Francesca enfrentava o oposto. A Parte 2 trouxe uma revelação que nenhum fã queria ouvir: John Sterling, seu jovem marido, morreu subitamente durante o sono, precedido apenas por uma dor de cabeça. Fiel aos livros de Julia Quinn, a série manteve essa morte abrupta.
Aqui, porém, ‘Bridgerton’ fez algo mais sutil. Desde a terceira temporada, a série deixou pistas de que Francesca sentia algo por Michaela — a prima de John. Diferente dos livros, onde o romance só floresce após a viuvez com Michael (homem), o show estabeleceu uma tensão prévia. Isso adiciona uma camada de culpa e complexidade ao luto de Francesca: ela não está apenas enlutada, está conflitada.
A atuação de Hannah Dodd carrega essa ambiguidade com precisão — especialmente na cena em que Francesca recebe a notícia, onde o choque inicial dá lugar a uma expressão que sugere algo além de pura perda. A câmera permanece em seu rosto por tempo suficiente para que o espectador perceba a complexidade do momento.
A grande questão que fica é: como a série vai lidar com um romance entre duas mulheres no contexto conservador da alta sociedade do século XIX? Os livros nunca exploraram essa dinâmica. Essa mudança sugere que ‘Bridgerton’ está disposta a expandir seus horizontes narrativos, mesmo que exija soluções criativas.
Quem é a nova Lady Whistledown?
Penelope Featherington — agora Bridgerton — passou a quarta temporada tentando deixar sua persona como Lady Whistledown para trás. Com a aprovação da Rainha Charlotte, ela conseguiu. Mas o que parecia o fim de uma era revelou-se uma passagem de bastão: alguém assumiu o manto da cronista social mais temida de Londres.
A série não deu pistas concretas sobre a identidade da nova Whistledown. Eloise sempre foi fascinada por Whistledown, mas sua temporada provavelmente será a próxima — o que torna improvável que ela seja a nova escritora. Cressida Cowper, que retornou na Parte 2, já tentou se passar por Whistledown na terceira temporada e fracassou.
O mais provável é que esse mistério se estenda por múltiplas temporadas. É uma jogada inteligente: mantém um elemento de intriga que pode ser resgatado quando a narrativa precisar de um novo motor.
A escolha de Violet Bridgerton: autonomia sobre romance
Nem todos os relacionamentos terminaram em casamento. A Parte 1 estabeleceu uma conexão entre Violet Bridgerton e Lord Marcus Anderson, culminando em uma proposta que ela inicialmente aceitou. Mas na Parte 2, Violet reverteu sua decisão.
Ao longo de quatro temporadas, Violet transformou-se de matriarca devotada exclusivamente aos filhos em uma mulher que aprendeu a reivindicar espaço para si mesma. Aceitar Marcus significaria abrir mão das liberdades que conquistou — a vida que construiu como viúva independente. Ela tem sentimentos por ele, mas não está disposta a sacrificar sua autonomia.
É uma escolha narrativa poderosa. ‘Bridgerton’ poderia ter dado a Violet um romance fácil, mas optou por algo mais interessante: uma mulher que descobre que o amor não precisa significar submissão a um novo papel social.
O que vem pela frente: Eloise e os novos caminhos da série
Com o arco de Sophie e Benedict encerrado, todas as indicações apontam para Eloise como protagonista da quinta temporada. A própria estrutura narrativa deixou pistas ao longo do ano: cenas em que ela entra em ambientes onde Francesca e Penelope conversam sobre vida casada, aquele olhar de exclusão que fala volumes.
Nos livros, Eloise também não buscava marido antes de seu romance começar. A série parece estar seguindo o mesmo caminho, mas com uma diferença crucial: a televisão permitiu desenvolver sua solidão e senso de deslocamento de forma gradual e palpável.
O final da quarta temporada de ‘Bridgerton’ entrega encerramentos satisfatórios para os arcos centrais, aberturas intrigantes para o que vem pela frente e a confirmação de que, mesmo em uma produção calcada em convenções de gênero, ainda há espaço para escolhas narrativas que desafiem expectativas.
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Perguntas Frequentes sobre a 4ª temporada de Bridgerton
Sophie e Benedict ficam juntos no final da 4ª temporada?
Sim. Sophie e Benedict se casam em uma cena pós-créditos. A série resolve o conflito de classes apresentando Sophie como parente distante de Lord Penwood, legitimando seu casamento aos olhos da sociedade.
Quem morre na 4ª temporada de Bridgerton?
John Sterling, marido de Francesca Bridgerton, morre subitamente durante o sono na Parte 2. A morte segue o que acontece nos livros de Julia Quinn e abre caminho para o futuro arco romântico de Francesca com Michaela.
Penelope ainda é Lady Whistledown na 4ª temporada?
Não. Penelope abdica do título com aprovação da Rainha Charlotte na Parte 2. Porém, o final revela que alguém assumiu o manto de Lady Whistledown — a identidade permanece um mistério.
Violet Bridgerton casa com Lord Marcus?
Não. Violet inicialmente aceitou a proposta de Marcus, mas reverteu a decisão na Parte 2. Ela escolheu manter sua autonomia como viúva independente em vez de assumir um novo papel conjugal.
Qual será a protagonista da 5ª temporada de Bridgerton?
Tudo indica que Eloise Bridgerton será a protagonista da quinta temporada. A série deixou pistas ao longo da quarta temporada sobre sua solidão e senso de deslocamento em relação às irmãs casadas.

