‘F1’: De aposta de risco a indicado ao Oscar e fenômeno da Apple

Analisamos como ‘F1’ superou o ceticismo inicial para se tornar o maior sucesso da Apple Studios. Entenda por que a obsessão técnica de Joseph Kosinski e a consultoria de Lewis Hamilton transformaram o drama de Brad Pitt em um fenômeno de bilheteria e forte candidato ao Oscar.

Quando a Apple anunciou um orçamento que beirava os US$ 300 milhões para ‘F1’ filme Brad Pitt, a indústria reagiu com um misto de deboche e preocupação. Parecia o ápice da ‘bolha do streaming’: gastar o PIB de um pequeno país em um drama de automobilismo, gênero que historicamente oscila entre o brilhantismo de ‘Rush’ e o esquecimento de ‘Driven’. No entanto, o que vimos em 2025 foi uma aula de como o virtuosismo técnico, quando aliado ao timing cultural correto, pode transformar um risco financeiro em um marco do entretenimento moderno.

O ‘Efeito Maverick’ e a obsessão técnica de Joseph Kosinski

O sucesso de ‘F1’ não é acidental; ele tem o DNA de Joseph Kosinski. Assim como fez em ‘Top Gun: Maverick’, Kosinski rejeitou o conforto do CGI excessivo. A decisão de colocar Brad Pitt e Damson Idris em carros reais, adaptados pela Mercedes, equipados com câmeras Sony Venice 2 minúsculas e de última geração, é o que separa este filme de qualquer outro simulador de corrida genérico.

A sensação de velocidade não é apenas visual, é física. Em uma das sequências mais viscerais — o GP de Silverstone sob chuva — a vibração da câmera e o som do motor Mercedes V6 híbrido sobrepujam qualquer diálogo. É cinema sensorial puro. Kosinski entende que, na era do conteúdo descartável, a autenticidade técnica tornou-se um diferencial de luxo que o público está disposto a pagar para ver na maior tela possível.

Lewis Hamilton: O consultor que salvou o roteiro do clichê

Muitos creditam o sucesso apenas a Brad Pitt, mas a presença de Lewis Hamilton como produtor e consultor técnico foi o ‘fator X’. Hamilton, segundo consta nos bastidores, foi implacável com o roteiro de Ehren Kruger, vetando diálogos que pilotos reais jamais diriam e situações de pista que desafiariam a física da F1.

Essa consultoria evitou que o filme caísse na armadilha do ‘super-herói de macacão’. O Sonny Hayes de Brad Pitt é um veterano desgastado, cujas falhas mecânicas e limitações físicas são tão protagonistas quanto sua habilidade. A dinâmica entre ele e Joshua (Damson Idris) funciona porque não é baseada em uma rivalidade artificial, mas em uma necessidade mútua de sobrevivência em um esporte que descarta talentos a cada temporada.

A anatomia de um sucesso de US$ 631 milhões

A anatomia de um sucesso de US$ 631 milhões

Os números finais de bilheteria — US$ 631 milhões mundialmente — colocam ‘F1’ em um patamar raro para produções originais de streaming com janela cinematográfica. O filme capturou perfeitamente o público órfão de blockbusters adultos. Segundo dados do BoxOfficeMojo, a demografia de ‘F1’ foi surpreendentemente equilibrada, provando que o interesse gerado pela série ‘Drive to Survive’ da Netflix criou uma base de fãs global pronta para consumir o esporte em formato ficcional.

Para a Apple Studios, esse resultado é um alívio e uma validação. Após investimentos pesados em épicos de prestígio que não moveram o ponteiro da bilheteria, ‘F1’ entregou o ‘four-quadrant movie’ (que agrada a todos os quatro grandes grupos demográficos) que o serviço precisava para consolidar sua marca no cinema.

A indicação ao Oscar: Blockbuster com alma de prestígio

A indicação de ‘F1’ ao Oscar de Melhor Filme em 2026 pode ter surpreendido alguns puristas, mas faz sentido dentro da nova lógica da Academia. O filme divide espaço com obras densas como ‘Hamnet’, mas traz consigo uma excelência em artesanato cinematográfico que é impossível de ignorar.

Mais do que uma indicação pelo conjunto da obra, o reconhecimento foca na montagem e no design de som, elementos que elevam o filme acima do entretenimento passivo. A Academia está, na verdade, premiando a coragem de fazer um filme de grande escala que respeita a inteligência do espectador e a integridade técnica da arte.

O que esperar da sequência já confirmada

Com a Variety confirmando o desenvolvimento de ‘F1 2’, o desafio da Apple será manter o frescor. O arco de redenção de Sonny Hayes foi concluído de forma satisfatória, o que sugere que a sequência deve focar na ascensão de Joshua ao topo da categoria, possivelmente explorando a política de bastidores e a espionagem industrial — temas que Hamilton conhece bem.

Se você ainda não assistiu, o F1 filme Brad Pitt está disponível no catálogo da Apple TV+. É uma obra que justifica cada centavo de seu orçamento astronômico e prova que, às vezes, para um filme voar alto, ele precisa estar com os pneus muito bem grudados no asfalto da realidade.

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Perguntas Frequentes sobre o filme ‘F1’

Onde posso assistir ao filme ‘F1’ com Brad Pitt?

‘F1’ está disponível exclusivamente para assinantes da Apple TV+. Após uma longa janela nos cinemas, o filme agora faz parte do catálogo permanente do streaming da Apple.

O filme ‘F1’ é baseado em uma história real?

Não, a história de Sonny Hayes e da equipe APXGP é fictícia. No entanto, o filme foi rodado durante fins de semana reais de Grande Prêmio e contou com a consultoria técnica de Lewis Hamilton para garantir o máximo de realismo.

Brad Pitt realmente dirigiu os carros no filme?

Sim, tanto Brad Pitt quanto Damson Idris passaram por um treinamento intensivo e dirigiram carros de Fórmula 2 modificados pela Mercedes para parecerem carros de F1, permitindo que as cenas de cockpit fossem gravadas sem o uso de dublês em alta velocidade.

Qual é a classificação indicativa de ‘F1’?

O filme ‘F1’ recebeu quantas indicações ao Oscar?

Na edição de 2026, o filme recebeu indicações importantes, incluindo Melhor Filme, Melhor Montagem e Melhor Som, consolidando-se como um dos raros blockbusters de ação a figurar na categoria principal.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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