‘F1’: Brad Pitt e a fórmula da Apple para dominar o cinema de ação

Analisamos como ‘F1’ uniu a precisão técnica de Joseph Kosinski ao carisma vulnerável de Brad Pitt para criar o blockbuster definitivo da Apple. Entenda por que o realismo capturado em circuitos reais transformou este filme no maior sucesso comercial da plataforma até hoje.

A Apple passou anos tentando provar que sabia fazer cinema de prestígio, colecionando estatuetas e elogios da crítica, mas faltando o impacto cultural das massas. ‘F1’ filme Brad Pitt é a prova definitiva de que a gigante de Cupertino finalmente entendeu a gramática do blockbuster moderno — e ela é escrita com borracha queimada e realismo visceral.

Com 631 milhões de dólares em bilheteria global, ‘F1’ não é apenas o maior sucesso comercial da Apple. É a transição de uma empresa que buscava validação em festivais para uma que agora domina a conversa nas filas de cinema. O segredo? Abandonar o CGI estéril em favor de uma experiência que o espectador sente no peito, não apenas vê na tela.

A ‘Maverick-ficação’ da Fórmula 1 por Joseph Kosinski

A 'Maverick-ficação' da Fórmula 1 por Joseph Kosinski

Se você assistiu ‘Top Gun: Maverick’ e sentiu que estava dentro daquele cockpit, o DNA aqui é idêntico. Joseph Kosinski trouxe sua obsessão pelo real para os circuitos. Enquanto a maioria dos filmes de corrida se apoia em telas verdes e movimentos de câmera impossíveis, ‘F1’ foi filmado durante finais de semana de GPs reais, com câmeras 6K customizadas instaladas em carros adaptados.

O resultado é uma autenticidade tátil. Há uma sequência específica, no GP de Silverstone, onde a câmera fixa na suspensão traseira do carro de Sonny Hayes (Pitt) enquanto ele persegue um adversário na curva Copse. Você vê a vibração violenta do chassi, o calor emanando dos freios e a distorção do ar. Não é um efeito visual; é física pura capturada em 24 quadros por segundo. Kosinski e o diretor de fotografia Claudio Miranda (seu colaborador habitual) entendem que o olho humano detecta o peso e a inércia que o computador ainda não consegue simular perfeitamente.

Brad Pitt: Vulnerabilidade atrás do visor

Sonny Hayes é um ex-piloto que carrega o cansaço de quem já viu o esporte mudar demais. Aos 61 anos, Brad Pitt entrega uma performance desprovida de vaidade. Diferente do carisma explosivo de ‘Era Uma Vez em… Hollywood’, aqui ele usa o silêncio e as rugas sob o capacete para transmitir a melancolia de um atleta que sabe que seu tempo já passou, mas cujo corpo ainda responde ao instinto da velocidade.

A dinâmica com Joshua Pearce (Damson Idris) evita os clichês de mentor e pupilo. Não há discursos motivacionais emocionantes. A relação é construída na telemetria, no respeito mútuo pelo perigo e na tensão geracional. Idris é a contraparte perfeita: a arrogância técnica da nova geração contra a intuição analógica de Pitt.

O som do silêncio e o rugido dos motores

O som do silêncio e o rugido dos motores

Um aspecto que merece destaque é o design de som. Em vez de uma trilha sonora onipresente tentando ditar a emoção, o filme confia no design sonoro diegético. O silêncio absoluto nos segundos que antecedem o apagar das luzes na largada cria uma tensão física na sala de cinema, quebrada apenas pelo rugido ensurdecedor dos motores V6 híbridos. É uma escolha técnica que coloca ‘F1’ em um patamar acima de obras como ‘Rush’ ou ‘Ford v Ferrari’, que, embora excelentes, ainda operavam em uma lógica de drama esportivo mais tradicional.

O futuro da Apple como estúdio de ‘Event Movies’

O sucesso de ‘F1’ valida a nova estratégia da Apple: o ‘Event Movie’. O filme não existe apenas para alimentar o catálogo do Apple TV+; ele foi concebido para a tela maior possível (IMAX é obrigatório aqui). A empresa provou que pode competir com Disney e Warner em seu próprio jogo, atraindo talentos de primeira linha com orçamentos de 250 milhões de dólares e entregando retornos que justificam o risco.

Para quem é o filme? É para o fã de automobilismo que busca precisão técnica (o envolvimento de Lewis Hamilton na produção é evidente em cada detalhe dos boxes), mas é, acima de tudo, para quem sente falta do cinema de ação que tem peso, consequência e humanidade. ‘F1’ não reinventa a roda, mas a faz girar com uma perfeição técnica que raramente vemos hoje em dia.

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Perguntas Frequentes sobre o filme ‘F1’

Onde assistir ao filme ‘F1’ com Brad Pitt?

O filme ‘F1’ está disponível exclusivamente no catálogo do Apple TV+. Após sua bem-sucedida janela nos cinemas, ele se tornou o título principal da plataforma de streaming da Apple.

Brad Pitt realmente dirigiu os carros no filme?

Sim, Brad Pitt e Damson Idris passaram por meses de treinamento intensivo e dirigiram carros de Fórmula 2 modificados (com carroceria de F1) em circuitos reais durante as filmagens, para garantir o máximo de realismo nas cenas de cockpit.

O filme ‘F1’ é baseado em uma história real?

Não, a história de Sonny Hayes e da equipe APXGP é fictícia. No entanto, o filme foi produzido em colaboração com a Fórmula 1 e o piloto Lewis Hamilton para garantir que todos os detalhes técnicos e o ambiente do paddock fossem o mais autênticos possível.

Quanto tempo dura o filme ‘F1’?

O filme tem aproximadamente 2 horas e 15 minutos de duração, equilibrando sequências de corrida intensas com o desenvolvimento do drama de bastidores da equipe.

‘F1’ tem cenas pós-créditos?

Não há cenas pós-créditos tradicionais, mas os créditos finais apresentam imagens reais de bastidores das filmagens nos GPs, mostrando a complexidade técnica de capturar as cenas de corrida.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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