‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ no streaming: o terror de 92% que o cinema ignorou

Com 92% no Rotten Tomatoes mas apenas US$ 56 milhões em bilheteria, ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ chegou ao streaming como um dos terror mais subestimados do ano. Analisamos por que Nia DaCosta acerta onde franquias costumam falhar — e por que vale o aluguel.

Há algo perversamente irônico quando um filme de terror com 92% de aprovação crítica passa despercebido nos cinemas. Extermínio: O Templo dos Ossos streaming chegou agora para corrigir essa injustiça — mas o fato de termos chegado a esse ponto revela como a indústria está falhando em vender terror adulto para grandes audiências.

O filme estreou nos cinemas em 16 de janeiro, época carinhosamente apelidada de “Dumpuary” — o cemitério de lançamentos onde estúdios enterram títulos em que têm pouca confiança. A Sony, porém, antecipou exibições para imprensa, sinal claro de orgulho no produto. Os 92% no Rotten Tomatoes não se traduziram em bilheteria: US$ 56 milhões mundialmente contra um orçamento de US$ 63 milhões. O público simplesmente não apareceu.

Nia DaCosta faz o que Boyle não faria — e funciona

Nia DaCosta faz o que Boyle não faria — e funciona

Agora disponível para compra (US$ 24,99) e aluguel (US$ 19,99) em plataformas como Apple TV e Prime Video, ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ é a segunda parte de uma trilogia planejada que começou com ‘Extermínio: A Evolução’. Os dois filmes foram rodados consecutivamente — uma aposta ousada que agora parece ter dado errado financeiramente, mas artisticamente é outro papo.

Nia DaCosta assumiu a direção com roteiro de Alex Garland, e a diferença de abordagem entre ela e Danny Boyle é deliberada. Enqu Boyle construiu sua reputação com energia frenética e cortes rápidos que definiram o terror moderno, DaCosta opta por algo mais contido, mais perturbador naquilo que escolhe mostrar — e, crucialmente, no que escolhe esconder. A câmera de DaCosta demora em rostos, captura micro-expressões, constrói tensão através de imobilidade em vez de movimento.

Ralph Fiennes e Jack O’Connell: extremos que não colidem

O filme ganha sua identidade no confronto entre Ralph Fiennes como o Dr. Ian Kelson e Jack O’Connell como o líder de culto Sir Lord Jimmy Crystal. O’Connell, recém-saído de seu trabalho em ‘Pecadores’, entrega uma performance de cult leader que oscila entre o ridículo e o aterrorizante — ele afirma ser filho de Satanás, e DaCosta nos faz acreditar que isso pode ser verdade.

Os horrores infligidos pelo culto de Jimmy a outros sobreviventes do apocalipse do Vírus da Raiva vêm da cruisse humana, não de efeitos viscerais. É horror que emerge da cruisse organizada, sempre mais perturbadora que qualquer monstro. Fiennes funciona como contrapeso, trazendo momentos de alívio nas interações com o Alpha infectado Samson que aliviam sem quebrar a tensão.

É um equilíbrio que filmes de terror raramente acertam. A coesão tonal que DaCosta mantém enquanto oscila entre esses extremos é prova de uma diretora que entende que terror não precisa ser monocórdico para funcionar — lição que poucos carry franquies aprendem.

O final que exige bons fones — ou uma sala de cinema

Sem spoilers — porque há momentos que perdem impacto se descritos — o filme constrói até uma sequência que merece ser experimentada com som decente. Há uma fisicalidade no design de som e na maneira como a trilha interage com o que está na tela que remete a ’28 Days Later’ em sua capacidade de fazer silêncio pesar mais que qualquer grito.

O problema? Esse final configura o gancho para o terceiro filme da trilogia — que, segundo relatos, teria sinal verde, mas ainda não foi produzido. Com o desempenho de bilheteria de ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’, esse sinal verde começa a parecer um semáforo amarelo piscando. Estúdios não costumam insistir em franquias que não pagam as contas.

Para quem vale os US$ 19,99 de aluguel

Se você tem interesse em terror que vá além de sustos baratos, vale o investimento. É um filme que merece ser assistido agora, enquanto ainda há chance de mostrar à Sony que existe público para isso. Não é caridade — é um filme competente que foi vítima de timing ruim e um mercado que não sabe mais como vender terror adulto.

Para quem curte a franquia ‘Extermínio’, é obrigatório. Para quem aprecia terror de autor com orçamento de estúdio — algo cada vez mais raro — também. E para quem só quer ver algo diferente do habitual: aqui está algo que foi ignorado justamente por ser diferente.

A pergunta que fica não é sobre a qualidade do filme — os 92% já responderam. É sobre quantas obras assim precisam “fracassar” antes de percebermos que o problema está na maneira como descobrimos (ou não descobrimos) cinema. ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ está aí, disponível. O mínimo que você deve a si mesmo é dar uma chance.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’

Onde assistir ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’?

O filme está disponível para compra (US$ 24,99) e aluguel (US$ 19,99) em plataformas como Apple TV, Prime Video e VOD. Ainda não há data para streaming por assinatura.

Precisa ver o primeiro filme para entender ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’?

Recomenda-se ver ‘Extermínio: A Evolução’ (2025) primeiro. O filme continua a história do apocalipse do Vírus da Raiva e referencia eventos anteriores. Funciona parcialmente isolado, mas a experiência completa requer conhecimento do universo.

Qual a classificação indicativa de ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’?

Nos EUA, o filme é classificado como R (menores de 17 acompanhados de responsável). Contém violência intensa, imagens perturbadoras e linguagem forte. Não indicado para público infantil.

‘Extermínio: O Templo dos Ossos’ tem cenas pós-créditos?

Sim, há uma cena no meio dos créditos que configura o gancho para o terceiro filme da trilogia. Vale esperar — não é um teaser vazio, mas uma extensão da narrativa.

Quem dirige ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’?

Nia DaCosta (‘Candyman’, ‘The Marvels’) dirige, com roteiro de Alex Garland (‘Ex Machina’, ‘Annihilation’). A trilha é de Cristobal Tapia de Veer, conhecido pelo trabalho em ‘The White Lotus’.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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