‘Euphoria’: Labrinth abandona a série antes da 3ª temporada

O compositor que definiu o som de ‘Euphoria’ anunciou sua saída de forma explosiva semanas antes da estreia da terceira temporada. Analisamos o que a trilha de Labrinth realmente significava para a identidade da série — e por que Hans Zimmer, por maior que seja, enfrenta um desafio que vai além do talento.

Quando ‘Euphoria’ estreou em 2019, uma coisa ficou clara nas primeiras cenas: aquela série não se parecia com nada na TV. A fotografia de Doniella Oppenheimer, os looks que viraram tendência, o neon que transbordava pela tela — e, fundamentalmente, uma trilha sonora que funcionava como sistema nervoso da narrativa. Agora, semanas antes da Euphoria temporada 3 chegar em 12 de abril, o compositor Labrinth anunciou sua saída em um post que sugere muito mais do que uma simples mudança de rumos.

A imagem publicada no Instagram dizia tudo em notas manuscritas: ‘I’m done with this industry. F–k Columbia. Double F–k Euphoria, I’m out. Thank you and good night’. Não houve legenda. Não houve explicação. Apenas o silêncio de alguém que construiu a identidade sonora de uma das séries mais influentes da década — e agora parece decidido a queimar pontes com ela.

Por que a saída de Labrinth importa mais do que qualquer drama de bastidores

Por que a saída de Labrinth importa mais do que qualquer drama de bastidores

Se você assistiu ‘Euphoria’ com atenção, sabe que a trilha de Labrinth nunca foi ‘música de fundo’. Ela era a voz interior dos personagens, era tensão pré-sináptica, era o que a série não conseguia dizer em palavras. Pense na sequência de abertura da primeira temporada — aquele som sintético que sobe e desce como respiração irregular, criando ansiedade antes de qualquer linha de diálogo. Ou em ‘All for Us’, que Zendaya interpreta no encerramento da primeira temporada: o que poderia ser um número musical convencional vira algo quase litúrgico, com Labrinth dividindo o vocal em camadas que soam como uma mente fragmentada se reunindo.

Labrinth entendia algo que poucos compositores de TV captam: ‘Euphoria’ não é uma série sobre adolescentes — é uma série sobre estados emocionais extremos vividos em corpos jovens. A música precisava ser hipnótica, ansiosa, sublime e claustrofóbica, às vezes simultaneamente. Ele construiu isso usando síntese eletrônica densa, vocais processados até ficarem irreconhecíveis e uma dinâmica que espelha o ciclo de euforia e colapso que define os personagens. Não é exagero dizer que a trilha foi tão responsável pelo impacto de ‘Euphoria’ quanto o visual ou as atuações de Zendaya.

O que realmente aconteceu nos bastidores

Aqui está o problema: ninguém sabe. Labrinth, HBO e Sam Levinson permaneceram em silêncio desde o post. O que temos são fragmentos — e eles contam uma história de tensão acumulada.

O compositor acabou de lançar ‘Cosmic Opera Act 1’ pela Columbia Records, a mesma gravadora que ele xingou no post. Isso sugere conflito contratual, possivelmente envolvendo direitos sobre a música da série. Mas o ‘Double F–k Euphoria’ aponta para algo mais específico — uma fratura com a produção, não apenas com a indústria fonográfica.

O contexto importa: Sam Levinson não é estranho a controvérsias. Barbie Ferreira, que interpretou Kat por duas temporadas, foi demitida após conflitos com o criador sobre a direção de sua personagem. A acusação de que a série glorifica drogas e sexualiza adolescentes persegue ‘Euphoria’ desde o início. O ambiente nos bastidores parece ter sido, no mínimo, volátil.

O que torna a saída de Labrinth particularmente reveladora é o contraste com seu histórico de entusiasmo público. Ele promovia cada lançamento da série, criava videoclipes para as músicas, e quando Hans Zimmer foi anunciado como colaborador para a terceira temporada, Labrinth celebrou nas redes: ‘Another chapter in the Euphoria universe! So great to join Hans, one of my heroes in film score’. A distância entre esse texto e o ‘Double F–k Euphoria’ de agora não é apenas grande — é um abismo que pede explicação.

Hans Zimmer pode substituir o insubstituível?

Hans Zimmer pode substituir o insubstituível?

A chegada de Zimmer foi vendida como evento — um dos maiores compositores vivos entrando em uma das séries mais populares do momento. A saída de Labrinth muda completamente esse contexto.

Zimmer é mestre em grandiosidade. Em ‘Interestelar’, ‘Duna’ e ‘O Cavaleiro das Trevas’, ele criou sons que preenchem salas de cinema e fazem o peito arrepiar. Labrinth, por outro lado, construiu sua reputação em ‘Euphoria’ com uma abordagem oposta: trilhas íntimas, eletrônicas, que parecem emergir de dentro da cabeça dos personagens — não de uma orquestra posicionada fora deles.

Zimmer consegue trabalhar em escala íntima — as faixas com órgão de ‘Interestelar’ são prova disso. Mas a linguagem sonora de ‘Euphoria’ está tão especificamente construída em seis anos que qualquer mudança radical vai soar como outra série usando o mesmo nome. O risco real para a Euphoria temporada 3 não é ficar sem trilha de qualidade — Zimmer garante excelência técnica. O risco é perder a coerência emocional: a série sempre funcionou como experiência sensorial integrada, onde o que você ouve conecta com o que você vê, e ambos conectam com o que os personagens sentem. Trocar o arquiteto dessa integração na reta final é como trocar o diretor de fotografia — tecnicamente possível, criativamente perigoso.

O que está em jogo na temporada final

‘Euphoria’ já carregava expectativas gigantescas antes desta crise. A segunda temporada quebrou recordes de audiência para a HBO, ficando atrás apenas de ‘Game of Thrones’. O elenco virou estrelas globais. A estética da série influenciou moda, beleza e uma geração inteira de conteúdo audiovisual.

Mas a série acumulou críticas que não podem ser ignoradas. O sensacionalismo na retratação de drogas e sexualidade nunca foi totalmente respondido. A demissão de Ferreira expôs rachaduras entre Levinson e seu elenco. A saída explosiva de Labrinth adiciona outra camada de incerteza sobre se a temporada final vai conseguir fechar a série com a coerência que ela merece.

A pergunta prática para fãs: a terceira temporada vai manter a identidade que nos fez apaixonar, ou vai ser uma versão diluída? A resposta depende de como Levinson e Zimmer tratam o legado sonoro de Labrinth — se o usam como fundação ou o substituem como se nunca tivesse existido.

Minha aposta é no ceticismo cauteloso. Não pelo talento de Zimmer, mas porque a melhor música de ‘Euphoria’ nunca foi sobre técnica — foi sobre intuição. Labrinth parecia entender Rue, Jules e Cassie de uma forma que transcende partitura. Se essa conexão foi perdida, nenhuma orquestra consegue recuperá-la.

A terceira temporada de ‘Euphoria’ estreia em 12 de abril na HBO e HBO Max. Vou assistir — mas vou estar escutando com atenção dobrada.

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Perguntas Frequentes sobre Euphoria Temporada 3

Quando estreia a terceira temporada de Euphoria?

A terceira temporada de ‘Euphoria’ estreia em 12 de abril de 2026 na HBO e HBO Max.

Por que Labrinth saiu de Euphoria?

Labrinth não explicou publicamente os motivos. Seu post no Instagram atacou tanto a Columbia Records quanto a produção de ‘Euphoria’, sugerindo uma combinação de conflito contratual com a gravadora e uma fratura criativa ou pessoal com a série. HBO e Sam Levinson não se pronunciaram.

Quem faz a trilha sonora da terceira temporada de Euphoria?

Hans Zimmer, compositor de ‘Duna’, ‘Interestelar’ e ‘O Cavaleiro das Trevas’, foi confirmado para a terceira temporada. Labrinth havia celebrado publicamente a parceria antes de anunciar sua saída.

Euphoria temporada 3 é a última temporada?

Sim. A HBO confirmou que a terceira temporada será a temporada final de ‘Euphoria’.

Zendaya está na terceira temporada de Euphoria?

Sim. Zendaya retorna como Rue Bennett na terceira temporada. A atriz é protagonista da série desde a estreia em 2019 e ganhou dois Emmys pelo papel.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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