‘Euphoria’ 3ª temporada: O salto temporal e a polêmica que mudam tudo

Analisamos como o salto temporal de 5 anos e a mudança para uma estética ‘noir’ tentam salvar ‘Euphoria’ 3ª temporada do desgaste. Entenda por que a polêmica trama de Cassie e a evolução do elenco de Zendaya a Jacob Elordi tornam este o ano mais arriscado da HBO.

Quatro anos de hiato transformaram a expectativa por ‘Euphoria’ 3ª temporada em uma mistura de ceticismo e urgência. O trailer lançado pela HBO em janeiro de 2026 confirma o que muitos temiam ou desejavam: a série que definiu a estética ‘neon-glitter’ da Geração Z morreu. No seu lugar, surge um drama adulto, gélido e visualmente agressivo que tenta justificar sua existência após o desastre criativo de ‘The Idol’.

O salto temporal de 5 anos: Uma necessidade que virou narrativa

O salto temporal de 5 anos: Uma necessidade que virou narrativa

A decisão de Sam Levinson de pular cinco anos na cronologia de East Highland não é apenas um truque para acomodar o envelhecimento óbvio de Zendaya (agora com 29 anos) e Jacob Elordi. É uma manobra de sobrevivência temática. Ao abandonar o ensino médio, ‘Euphoria’ deixa de ser um retrato da ‘angústia adolescente’ para se tornar um estudo sobre as cicatrizes da formação.

Vemos Rue no México, em uma sequência que remete ao realismo sujo de ‘Sicario’. A promessa de Levinson de explorar o que significa ser um “indivíduo com princípios em um mundo corrupto” ganha peso aqui. Não estamos mais falando de dívidas de drogas em festas de colégio, mas de sobrevivência em um ecossistema criminal adulto. A performance de Zendaya, vinda do sucesso de ‘Rivais’, parece mais contida, trocando o desespero explosivo por uma exaustão existencial que ressoa muito mais com o público atual.

Marcell Rév abandona o neon pela estética Film Noir

Se as duas primeiras temporadas foram marcadas pelo uso extensivo de película Ektachrome e luzes roxas saturadas, o trailer da 3ª temporada revela uma ruptura estética radical. O diretor de fotografia Marcell Rév parece ter trocado o sonho onírico pelo pesadelo urbano. A paleta é dessaturada, as sombras são duras e a granulação da imagem é quase tátil.

Essa mudança para o noir é estratégica. ‘Euphoria’ sempre foi acusada de glamourizar o caos. Ao retirar o brilho, Levinson e Rév forçam o espectador a encarar a feiura das situações. Há uma cena específica no trailer — um plano fixo de Nate Jacobs (Jacob Elordi) em um escritório de vidro — que evoca a solidão estéril de ‘Heat’ (Fogo Contra Fogo). É a série tentando provar que amadureceu tecnicamente tanto quanto seu elenco.

A polêmica de Cassie e o limite do choque

A polêmica de Cassie e o limite do choque

O ponto mais divisivo do trailer envolve Cassie Howard. Sydney Sweeney, hoje uma das maiores estrelas de Hollywood após ‘Imaculada’ e ‘The White Lotus’, retorna a uma personagem que parece ter atingido o ápice da autodestruição. A trama que a envolve como criadora de conteúdo adulto fetiche — vivendo uma vida suburbana de fachada com Nate — já está incendiando debates sobre a ética da representação feminina na obra de Levinson.

Embora as redes sociais acusem a série de buscar o choque gratuito (o chamado ‘shock value’), há um subtexto amargo aqui: Cassie é o subproduto de uma cultura que monetiza a validação masculina. Se Levinson tratar isso como uma tragédia de personagem, e não como exploração visual, pode ser o arco mais potente da temporada. Caso contrário, será apenas um resquício dos piores vícios vistos em ‘The Idol’.

A ausência de Fezco e o peso do elenco

É impossível ignorar o vazio deixado por Angus Cloud. O trailer lida com isso de forma melancólica, sugerindo que o destino de Fezco é a ferida aberta que nenhum salto temporal conseguiu fechar. A dinâmica da série muda sem seu centro moral mais humano, colocando mais pressão sobre Hunter Schafer e Colman Domingo para ancorarem a narrativa.

Com Jacob Elordi vindo de uma sequência de papéis densos (incluindo o ‘Frankenstein’ de Del Toro), o nível de atuação em ‘Euphoria’ nunca foi tão alto. A questão não é mais se eles conseguem entregar performances premiáveis — isso já sabemos. A questão é se o roteiro de Levinson terá a disciplina necessária para não desperdiçar esse talento em prol de metáforas pretensiosas.

Veredito: Uma reinvenção arriscada

A 3ª temporada de ‘Euphoria’ estreia em 12 de abril de 2026. O trailer não promete uma volta por cima triunfal, mas uma descida ao inferno mais sóbria e tecnicamente refinada. Para uma série que estava prestes a se tornar uma paródia de si mesma, esse ‘reboot’ tonal era o único caminho possível. Se vai funcionar ou ser um desastre monumental, dependerá de Levinson ter aprendido a lição: estética sem alma é apenas publicidade cara.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Euphoria’ 3ª temporada

Quando estreia a 3ª temporada de ‘Euphoria’?

A 3ª temporada de ‘Euphoria’ tem estreia confirmada na HBO e na Max para o dia 12 de abril de 2026, após um hiato de quatro anos.

De quanto tempo é o salto temporal na série?

A trama avança 5 anos no futuro, abandonando o cenário do ensino médio e acompanhando os personagens como jovens adultos em suas fases pós-universitárias.

Angus Cloud (Fezco) aparece na 3ª temporada?

Devido ao falecimento do ator em 2023, o personagem Fezco não retorna. O trailer sugere que o destino do personagem será abordado como uma conclusão emocional para o núcleo de Lexi e Rue.

Barbie Ferreira (Kat) está na nova temporada?

Não. A atriz Barbie Ferreira anunciou sua saída da série antes do início das gravações da terceira temporada, citando diferenças criativas sobre o rumo de sua personagem.

Onde assistir ao trailer de ‘Euphoria’ 3ª temporada?

O trailer oficial está disponível nos canais oficiais da HBO no YouTube e nas redes sociais da Max Brasil.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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