‘Eternidade’: Elizabeth Olsen e o dilema do amor no pós-morte da A24

Analisamos como ‘Eternidade’ utiliza o surrealismo da A24 para explorar o dilema entre a paixão idealizada e o amor real. Descubra por que a atuação de Elizabeth Olsen e a direção de David Lowery transformaram este drama metafísico no sucesso inesperado do VOD em 2026.

Morrer é a parte fácil. O difícil, segundo a nova aposta da A24, é decidir com quem você vai passar o resto da existência. ‘Eternidade’ filme Elizabeth Olsen coloca essa premissa absurda — e estranhamente melancólica — no centro de uma narrativa que desafia as convenções da comédia romântica tradicional para entregar um estudo sobre o peso das nossas escolhas.

A trama acompanha Joan (Elizabeth Olsen), que após falecer descobre que o pós-vida não é um campo de nuvens, mas um dilema logístico: ela deve escolher entre o primeiro marido, Luke (Callum Turner), morto precocemente na Guerra da Coreia, ou Larry (Miles Teller), com quem dividiu seis décadas de uma vida real, desgastada e profundamente íntima. É o ‘elevator pitch’ perfeito que o diretor David Lowery transforma em uma meditação visual sobre o tempo.

O sucesso silencioso que dominou o VOD

O sucesso silencioso que dominou o VOD

Sem o barulho de uma grande campanha de marketing, ‘Eternidade’ escalou rapidamente para a sétima posição dos mais assistidos no Prime Video, competindo diretamente com blockbusters de orçamento triplicado. O fenômeno se explica nos números do Rotten Tomatoes: enquanto a crítica se dividiu (77%), o público abraçou o filme com 91% de aprovação.

Essa discrepância sugere que, enquanto críticos buscavam uma estrutura narrativa mais rígida, o público se conectou com a honestidade emocional do roteiro. O filme não tenta ser um tratado filosófico impenetrável; ele prefere falar sobre o arrependimento de forma que qualquer pessoa que já tenha amado e perdido consiga entender.

Elizabeth Olsen e a vida após o Multiverso

Desde que deixou o uniforme da Marvel em 2022, Olsen iniciou uma trajetória de prestígio que culmina aqui. Em ‘Eternidade’, ela abandona os grandes gestos heroicos para trabalhar nas micro-expressões. Em uma cena específica no centro de triagem do pós-vida, a câmera de Lowery permanece estática em seu rosto por quase dois minutos enquanto ela processa a visão de Luke — é um momento de atuação pura, onde o silêncio diz mais do que qualquer diálogo expositivo.

Joan não é uma protagonista fácil de rotular. Ela é falha, indecisa e, em certos momentos, egoísta em sua dor. Olsen entrega essa humanidade sem filtros, provando que sua força reside em projetos que exigem nuances psicológicas que o cinema de franquia raramente permite explorar.

A estética de David Lowery e as regras do além

Quem conhece o trabalho de David Lowery em ‘A Ghost Story’ reconhecerá sua assinatura visual: o uso de luz natural e enquadramentos que isolam os personagens em espaços vastos. O local chamado Junction, onde os mortos aguardam, é retratado com uma burocracia retrô-futurista que lembra vagamente as repartições de ‘Loki’, mas com a melancolia tátil da A24.

Da’Vine Joy Randolph, como a coordenadora Anna, evita o clichê do guia espiritual onisciente. Ela é uma funcionária exausta de um sistema cósmico que oferece destinos como se fossem pacotes turísticos. A ameaça do Void (o vazio absoluto para quem não escolhe) serve como uma metáfora poderosa para a paralisia que o luto pode causar nos vivos.

Paixão idealizada vs. Amor construído

O filme levanta uma questão que não responde de propósito: Luke representa o ‘e se?’ — o amor interrompido no auge, congelado na perfeição da juventude. Larry é o ‘foi assim’ — o amor que sobreviveu a contas a pagar, doenças e ao tédio da rotina. Ao recusar uma resposta fácil, ‘Eternidade’ força o espectador a confrontar suas próprias prioridades.

A fotografia de Erik Messerschmidt alterna entre tons quentes e saturados nas memórias com Luke e uma paleta mais fria e realista no presente com Larry. Essa distinção visual ajuda a separar a fantasia da nostalgia da dureza do companheirismo real, tornando o dilema de Joan quase físico para quem assiste.

Veredito: Vale a pena assistir?

‘Eternidade’ é um filme de nuances. Se você busca uma resolução clara ou um final de conto de fadas, sairá frustrado. No entanto, para quem aprecia o cinema que utiliza o fantástico para iluminar verdades domésticas, é uma das obras mais originais do ano. Elizabeth Olsen consolida sua posição como uma das melhores atrizes de sua geração, e a A24 reafirma que o gênero romântico ainda tem muito espaço para inovação quando o foco é o coração humano, e não apenas o roteiro.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre o filme ‘Eternidade’

Onde posso assistir ao filme ‘Eternidade’ com Elizabeth Olsen?

O filme está disponível para compra e aluguel digital em plataformas como Prime Video, Apple TV e Google Play Movies. No momento, ele segue o modelo de lançamento VOD antes de chegar ao catálogo fixo de streaming.

‘Eternidade’ é um filme de terror ou comédia?

Embora tenha elementos sobrenaturais, ‘Eternidade’ é classificado como um drama romântico com toques de comédia ácida e surrealismo, seguindo o estilo característico das produções da A24.

Quem dirige o filme ‘Eternidade’?

O filme é dirigido por David Lowery, conhecido por obras aclamadas como ‘A Ghost Story’, ‘O Cavaleiro Verde’ e ‘Sombras da Vida’.

O filme tem cenas pós-créditos?

Não, ‘Eternidade’ não possui cenas pós-créditos. A história se encerra de forma definitiva antes do início da rolagem dos nomes técnicos.

Qual a classificação indicativa de ‘Eternidade’?

O filme tem classificação indicativa de 14 anos, devido a temas existenciais complexos, linguagem adulta e algumas cenas de impacto emocional.

Mais lidas

Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

Veja também