‘Entre Montanhas’: O que explica o sucesso duradouro do filme na Apple TV?

Analisamos o fenômeno ‘Entre Montanhas’ na Apple TV e como o carisma de Anya Taylor-Joy e a trilha de Trent Reznor salvam o filme de Scott Derrickson. Descubra por que este sci-fi de isolamento continua dominando o Top 10 mesmo após um ano de lançamento.

Existe um tipo de cinema que opera fora do radar das premiações, mas domina o território mais valioso do streaming: a atenção residual. ‘Entre Montanhas’ na Apple TV é o exemplo definitivo dessa nova dinâmica. Críticos torceram o nariz para a mistura de gêneros, os algoritmos sugeriram que o hype passaria em duas semanas e, no entanto, quase um ano após a estreia, o longa de Scott Derrickson permanece fincado no Top 10.

Não é sorte. É um caso de estudo sobre como o carisma do elenco e uma atmosfera sonora impecável podem salvar um roteiro que, em mãos menos habilidosas, seria apenas mais uma ficção científica esquecível. No momento, o filme ocupa a terceira posição na plataforma, superando produções mais recentes e caras. A pergunta não é apenas por que as pessoas estão assistindo, mas por que elas continuam voltando a ele.

O isolamento como gancho: por que a premissa de Derrickson fisga o público

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‘Entre Montanhas’ parte de um conceito que Scott Derrickson — diretor que entende de tensão claustrofóbica como poucos, vide ‘A Entidade’ e ‘O Telefone Preto’ — domina com maestria. Dois atiradores de elite, Levi (Miles Teller) e Drasa (Anya Taylor-Joy), são postados em picos opostos de um desfiladeiro. A ordem é clara: vigiar e nunca fazer contato. Eles não sabem o que protegem, apenas que o que quer que saia das sombras do ‘Hollow Pass’ não deve chegar ao mundo exterior.

Essa simplicidade narrativa é o primeiro grande trunfo. O isolamento extremo cria uma urgência emocional imediata. O público é colocado na mesma posição dos protagonistas: observadores de um mistério que se revela em doses homeopáticas. Quando os monstros — os chamados ‘The Hollow Men’ — finalmente aparecem, o filme já nos ganhou pelo suspense psicológico, não pelos efeitos visuais.

Anya Taylor-Joy e Miles Teller: o magnetismo que ignora o roteiro

Se o filme sobrevive às suas próprias inconsistências tonais, o mérito é da química entre Taylor-Joy e Teller. Anya traz para Drasa uma vulnerabilidade gélida; ela é uma soldado profissional que está claramente se despedaçando por dentro. Cada olhar pelo telescópio carrega um peso que o diálogo muitas vezes falha em expressar.

Miles Teller, por outro lado, evita o clichê do herói de ação. Seu Levi é um homem desgastado pelo silêncio. A conexão entre os dois, feita inicialmente através de sinais de luz e, posteriormente, por infrações de protocolo, é o coração do filme. É um romance de sobrevivência que parece orgânico porque nasce da necessidade humana de reconhecimento em um ambiente hostil. Sem essa dupla, ‘Entre Montanhas’ seria apenas um exercício técnico frio.

O abismo entre a crítica e o sofá: por que o Rotten Tomatoes engana

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As críticas mistas (62% de aprovação) focam na falta de coesão. O filme começa como um drama existencial, flerta com o terror e termina como um thriller de ação convencional. Para o crítico, essa mudança de tom é um erro estrutural. Para o público (74% de aprovação), é uma jornada variada que mantém o interesse por duas horas.

Derrickson usa a verticalidade das montanhas para criar uma sensação de escala que raramente vemos em produções direto para streaming. A fotografia de Ben Davis aproveita as ‘horas azuis’ da montanha para dar ao filme uma textura onírica, quase surrealista. Isso eleva o material acima da média do gênero, criando uma experiência sensorial que compensa as previsibilidades do terceiro ato.

A arquitetura sonora de Reznor e Ross

Um fator crucial para o sucesso duradouro é a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross. A dupla não cria apenas música de fundo; eles constroem uma arquitetura sonora de desconforto. Os sintetizadores distorcidos e os ruídos metálicos que emulam o vento nas fendas das rochas mantêm o espectador em um estado constante de alerta. É o tipo de trilha que transforma uma cena de ‘espera’ em um momento de alta tensão, justificando por que o filme funciona tão bem em sistemas de home theater de alta qualidade.

Veredito: Por que ele não sai do Top 10?

‘Entre Montanhas’ na Apple TV prova que a audiência valoriza a competência técnica e o carisma acima da originalidade absoluta. O filme entrega satisfação emocional, um visual deslumbrante e uma resolução que, embora segura, não deixa o espectador frustrado. É o ‘comfort movie’ de quem gosta de ficção científica: tenso o suficiente para prender a atenção, mas humano o suficiente para gerar empatia. No ecossistema enxuto da Apple TV, onde a qualidade técnica é o padrão, este filme encontrou o equilíbrio perfeito entre o cinema de gênero e o drama de personagens.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Entre Montanhas’

Onde posso assistir ao filme ‘Entre Montanhas’?

‘Entre Montanhas’ é um filme original da Apple TV+ e está disponível exclusivamente na plataforma de streaming da Apple.

Quem está no elenco de ‘Entre Montanhas’?

O filme é estrelado por Anya Taylor-Joy (O Gambito da Rainha) e Miles Teller (Top Gun: Maverick), com direção de Scott Derrickson.

‘Entre Montanhas’ é um filme de terror ou ficção científica?

O longa mistura os dois gêneros. Embora a base seja uma ficção científica de isolamento, ele possui elementos de suspense e terror psicológico, especialmente nas cenas envolvendo as criaturas das montanhas.

O filme é baseado em algum livro?

Não, ‘Entre Montanhas’ é baseado em um roteiro original que foca na dinâmica de isolamento e vigilância em um cenário futurista.

Qual é a classificação indicativa de ‘Entre Montanhas’?

O filme tem classificação indicativa de 14 anos no Brasil, devido a cenas de violência, tensão e linguagem forte.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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