O elenco de ‘Detective Hole’ combina Joel Kinnaman como o vilão Tom Waaler com talentos escandinavos como Tobias Santelmann, que interpreta Harry Hole. Explicamos por que a série começa pelo livro ‘A Estrela do Diabo’ e o que cada ator traz do seu histórico para a adaptação de Jo Nesbø.
Quando a Netflix anunciou que finalmente adaptaria a série de Harry Hole para a tela, a pergunta que todo fã de noir escandinavo se fez era: quem conseguiria carregar o peso desse personagem? Jo Nesbø construiu, ao longo de 13 romances, um dos detetives mais complexos da ficção criminal contemporânea — alcoólatra, obsessivo, brilhante em seus momentos de clareza e autodestrutivo nos demais. A resposta veio na forma de um elenco que equilibra nomes familiares ao público internacional com talentos locais que finalmente ganham visibilidade global. O elenco de Detective Hole revela uma escolha que respeita tanto a origem escandinava da obra quanto a necessidade de conectar com audiências mundiais.
A decisão de basear a primeira temporada em ‘A Estrela do Diabo’ (2003), o quinto livro da série literária, já diz muito sobre as ambições da produção. Em vez de começar do princípio cronológico, a série mergulha direto em um dos momentos mais tensos da trajetória de Hole: um serial killer está solto em Oslo durante uma onda de calor, enquanto o protagonista luta contra seus demônios e um colega corrupto que ele jurou derrubar. É material denso, adulto, que exige atores capazes de sustentar ambiguidade moral sem perder a empatia do público.
Tobias Santelmann: o norueguês que empresta rosto a Harry Hole
A escolha de Tobias Santelmann para o papel-título é uma declaração de intenções. Nascido na Alemanha mas criado na Noruega, Santelmann construiu uma carreira sólida em seu país, com pontas em produções internacionais que provaram seu alcance sem transformá-lo em ‘exportação de luxo’. Quem acompanhou ‘The Last Kingdom’ (2015-2022) se lembra dele como Ragnar — não o Ragnar principal, mas uma versão do personagem que trouxe gravidade própria a um universo já populoso de guerreiros carismáticos.
Seu trabalho mais significativo até agora, no entanto, veio em ‘A Saída’ (2018-2023), série norueguesa que merecia muito mais atenção internacional do que recebeu. Como Henrik, Santelmann demonstrou exatamente o que Harry Hole precisa: a capacidade de ser simultaneamente forte e vulnerável, um homem que carrega feridas visíveis e invisíveis. A transição de Henrik para Harry não é acidental — ambos são homens obcecados por verdade, dispostos a sacrificar sua própria estabilidade em nome de justiça.
O que torna Santelmann interessante para este papel é sua teatralidade contida. Formado pela Academia Nacional de Artes de Oslo em 2006, ele passou anos no Teatro Nacional da Noruega antes de se firmar no cinema. Essa formação transparece na capacidade de comunicar volumes com o silêncio — essencial para um personagem que passa grande parte do tempo em batalhas internas. Harry Hole não é um detetive que resolve crimes com monólogos espertos; é um homem que carrega o peso de cada caso não resolvido, cada vida que não conseguiu salvar.
Joel Kinnaman como Tom Waaler: o vilão com rosto familiar
Se Santelmann representa a aposta no talento escandinavo local, Joel Kinnaman traz o reconhecimento internacional que ajuda a série a navegar em águas globais. Mas sua presença vai muito além de ‘nome de cartaz’ — Kinnaman interpreta Tom Waaler, e isso muda completamente a equação.
Fãs dos livros sabem: Waaler é um dos antagonistas mais complexos da série. Um policial corrupto, sim, mas também um homem que opera dentro do sistema, protegido por sua competência aparente e por uma rede de conivências institucionais. Kinnaman, que construiu carreira interpretando homens moralmente fluidos — de Rick Flag em ‘Esquadrão Suicida’ (2016) e ‘O Esquadrão Suicida’ (2021) a Takeshi Kovacs em ‘Altered Carbon’ (2018-2020) — tem o tipo certo de ambiguidade para este papel.
Sua trajetória é particular para um ator sueco que se tornou rosto familiar em Hollywood. Começou como ator infantil na Suécia nos anos 90, ganhou reconhecimento em drama school, e estourou internacionalmente com ‘The Killing – Além de um Crime’ (2011-2014), série que adaptava noir escandinavo para audiências americanas. Ali, como Stephen Holder, ele já demonstrava fascínio por personagens que habitam zonas cinzas morais. Em ‘Detective Hole’, essa exploração atinge um ponto mais sombrio: Waaler não é anti-herói, é vilão puro — mas vilão que se veste de herói, que manipula o sistema, que representa exatamente o tipo de corrupção que Harry Hole jurou combater.
Ver Kinnaman em produção escandinava novamente tem seu próprio valor simbólico. Sua participação em ‘For All Mankind’ (2019-presente) como Ed Baldwin provou que ele consegue sustentar personagens complexos em séries de longa duração. Waaler exige isso e mais — exige que o público acredite nele como colega legítimo de Harry antes de revelar suas verdadeiras cores.
Pia Tjelta e Ellen Helinder: as mulheres que ancoram o emocional
Noir escandinavo tem uma relação particular com personagens femininas. Diferente do noir clássico americano, onde mulheres frequentemente orbitam como femme fatales ou vítimas passivas, o nórdico contemporâneo tende a construir mulheres com agência própria — que existem independentemente do protagonista masculino, mas cujas vidas se entrelaçam com a dele de formas significativas.
Pia Tjelta, como Rakel Fauke, carrega o papel emocionalmente mais desafiador do elenco. Rakel é o âncora de Harry, a pessoa que representa a possibilidade de redenção e normalidade que ele nunca consegue alcançar completamente. Tjelta construiu carreira respeitada na Noruega, com destaque para ‘State Of Happiness’ (2018-2024), onde interpretou Ingrid Nyman com a mesma combinação de força e sensibilidade que Rakel exige. Esta é uma de suas primeiras oportunidades de alcançar audiência verdadeiramente internacional.
Ellen Helinder, por sua vez, entra como Beate Lønn, a assistente de Harry que se revela fundamental para as investigações. Nascida na Suécia, Helinder chamou atenção em ‘A Saída’ como Magdalena — mesma série onde Santelmann brilhou. Essa conexão prévia entre atores é valiosa para a química em tela. Beate é descrita nos livros como alguém com memória fotográfica para rostos, uma habilidade que se torna crucial na investigação. Helinder parece ter a capacidade de transformar o funcional em essencial.
O ecossistema escandinavo que ‘Detective Hole’ traz à tona
O que diferencia esta produção de outras adaptações internacionais da Netflix é a decisão de manter o elenco escandinavo no núcleo. Poderiam ter trazido mais nomes de Hollywood, diluído a identidade nórdica em nome de ‘acessibilidade global’. Não fizeram isso.
O elenco de apoio reforça essa escolha: Anders Danielsen Lie, Ane Dahl Torp, Arthur Hakalahti, e até a cantora pop Dagny se juntam ao universo da série. São nomes que significam pouco para o público brasileiro médio, mas que representam o melhor do cenário artístico escandinavo atual. A aposta é que a qualidade do trabalho fale mais alto que o reconhecimento prévio — e considerando o sucesso de séries como ‘Bosch’ e ‘O Poder e a Lei’, que também apostaram em elencos menos ‘estrelados’ mas mais adequados ao material, parece ser a aposta certa.
Há algo apropriado nisso: Harry Hole, em seus livros, é um homem que prefere solidão a compromisso, que luta contra sistemas e instituições tanto quanto contra criminosos. Ver sua adaptação resistir à tentação de ‘estrelizar’ com nomes fáceis, mantendo em vez disso a integridade de seu contexto escandinavo, parece a escolha que o próprio personagem faria.
Para o público brasileiro familiarizado com noir através de produções americanas ou britânicas, ‘Detective Hole’ oferece uma porta de entrada para o nórdico — gênero que combina a tensão do thriller com uma melancolia específica, um senso de que o mal não é exceção, mas parte do tecido social. O elenco montado parece compreender isso instintivamente.
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Perguntas Frequentes sobre o elenco de Detective Hole
Quem interpreta Harry Hole na série da Netflix?
O ator norueguês Tobias Santelmann interpreta Harry Hole. Ele é conhecido por seus trabalhos em ‘The Last Kingdom’ e na série norueguesa ‘A Saída’.
Qual livro adapta a primeira temporada de Detective Hole?
A primeira temporada adapta ‘A Estrela do Diabo’ (2003), o quinto livro da série de Harry Hole de Jo Nesbø. A escolha permite começar com um dos arcos mais tensos do detetive.
Joel Kinnaman faz qual personagem em Detective Hole?
Joel Kinnaman interpreta Tom Waaler, o policial corrupto e antagonista da série. É um vilão que se apresenta como colega legítimo de Harry Hole enquanto manipula o sistema por trás.
Precisa ler os livros de Jo Nesbø para entender a série?
Não. A série foi produzida para funcionar de forma independente. No entanto, leitores dos livros reconhecerão referências e entenderão melhor o background emocional de Harry Hole.
Onde já vi os atores do elenco de Detective Hole?
Joel Kinnaman esteve em ‘Altered Carbon’, ‘Esquadrão Suicida’ e ‘The Killing’. Tobias Santelmann apareceu em ‘The Last Kingdom’. Pia Tjelta é conhecida por ‘State of Happiness’, e Ellen Helinder por ‘A Saída’.

