Em ‘Drag’, Lizzy Caplan e Lucy DeVito protagonizam um thriller de invasão domiciliar onde a invasora fica incapacitada por dor lombar — ideia nascida de dores reais dos diretores. A produção familiar dos DeVito eleva o conceito absurdo a algo genuinamente tenso e cômico.
Existem filmes de invasão domiciliar por todos os lados — de ‘Psicose’ a ‘Esqueceram de Mim’, o gênero está saturado de variações sobre ‘intruso entra, caos acontece’. Mas Drag filme Lizzy Caplan chega com uma premissa que nem os roteiristas mais criativos inventariam de propósito: e se o invasor ficasse incapacitado no meio do crime por uma dor lombar real? O resultado é um thriller que funciona como uma versão sombria e adulta de ‘Esqueceram de Mim’, onde a comédia física se encontra com o suspense tenso.
O longa estreou no SXSW em 13 de março e acumula elogios da crítica. Dirigido pela dupla Raviv Ullman e Greg Yagolnitzer em sua estreia em longas-metragens, o filme acompanha duas irmãs sem nome que invadem uma casa rural no interior de Nova York com intenção de roubar o local. O problema? Uma delas (Lizzy Caplan) torce as costas no meio do ‘trabalho’ e fica praticamente incapaz de andar. O que segue é uma série de desventuras enquanto a outra irmã (Lucy DeVito) tenta tirar as duas de lá antes que o dono da casa retorne.
Como uma dor nas costas real se transformou em thriller
A maioria dos filmes de terror ou thriller tem origens em pesadelos, lendas urbanas ou medos universais. ‘Drag’ veio de algo bem mais prosaico — e dolorosamente reconhecível. Em entrevista exclusiva no SXSW, os diretores revelaram que a ideia nasceu de uma coincidência bizarra: ambos estavam sofrendo de dores lombares severas e, independentemente, leram o mesmo livro sobre o assunto. ‘Torcer as costas já é um desastre por si só’, explicou Greg Yagolnitzer. ‘Pensamos: como podemos tornar isso ainda pior?’ A resposta foi colocar esse contratempo físico no pior momento possível — no meio de um assalto.
O livro em questão é do Dr. John Sarno, especialista em dor crônica, e tornou-se uma espécie de piada interna do set. ‘O filme inteiro é um serviço público’, brincou Raviv Ullman. A atriz Christine Ko confirmou que todo o elenco recebeu uma cópia — embora nem todos tenham lido. Danny DeVito, produtor do longa, confessou que nunca leu o livro, mas que sentiu dores nas costas só de ler o roteiro. ‘Aquela sensação de repulsa me atingiu visceralmente direto da página. Liguei para Jake e Lucy imediatamente depois de ler e disse: Isso é algo especial. Precisamos nos envolver nisso.’
Lizzy Caplan e Lucy DeVito: a química de irmãs que ‘se toleram’
Para um filme que depende inteiramente da dinâmica entre duas personagens presas em uma situação absurda, o casting precisava ser cirúrgico. Lizzy Caplan, conhecida por papéis em ‘Truque de Mestre’ e ‘O Conto da Aia’, assumiu o papel da irmã que fica imobilizada — uma performance que ela descreveu como uma rara oportunidade de ser ‘livre de vaidade’. ‘São papéis que normalmente não deixariam mulheres interpretarem’, observou Caplan. ‘Isso me lembra ‘Esqueceram de Mim’ com duas garotas — um conceito tão raro de realizar.’
A dinâmica entre as irmãs é deliberadamente complicada. ‘Elas se toleram’, explicou Lucy DeVito, que também produziu o filme ao lado do pai, Danny. ‘Se conhecem muito bem, então conseguem se irritar facilmente. Elas se amam de um jeito especial.’ Caplan complementou: ‘Eu acredito que elas realmente se amam, mas não enxergam o mundo da mesma forma. Não são as companheiras ideais uma para a outra.’ Essa tensão subjacente — o amor fraternal misturado com exaustão mútua — é o motor emocional que sustenta o suspense.
A produção familiar dos DeVito e o elenco
Danny DeVito não é apenas um nome no cartaz de ‘Drag’ — ele e seus filhos, Lucy e Jake, formaram uma equipe de produção genuinamente familiar através da Jersey 2nd Avenue. ‘Estamos procurando jovens cineastas apaixonados que tragam ideias frescas para a tela’, explicou DeVito sobre a filosofia da produtora. O que ele encontrou em Ullman e Yagolnitzer foi algo mais raro: diretores estreantes com visão clara. ‘Quando você conversa com eles, entende que têm um conceito. Compreendem a linguagem cinematográfica.’
O elenco também conta com John Stamos em um papel que subverte completamente sua imagem de ‘tio bonzinho’ da TV — algo que o próprio ator reconheceu com humor. ‘Estava procurando um filme natalino tipo Hallmark. Aí recebi o roteiro de ‘Drag’ e pensei: Ah, vou ter que vestir um vestido.’ Stamos brincou que sua familiaridade com o público trabalha a favor do filme: ‘Por um tempo, você quer seguir viagem com ele — Ah, conhecemos esse cara. Ele entrava na nossa casa todo dia. Vão se sentir seguros com ele — Ah não!’ Christine Ko, de ‘O Conto da Aia’, completa o elenco com uma performance que exigiu prática de dança e confiança em efeitos visuais.
Por que ‘Drag’ funciona onde outros thrillers de invasão falham
A maioria dos filmes de home invasion aposta no medo do desconhecido — o intruso misterioso, a ameaça externa. ‘Drag’ inverte completamente essa equação: conhecemos os invasores intimamente, e a ameaça vem de seus próprios corpos e limitações. É uma abordagem que gera não apenas tensão, mas empatia desconfortável. Você está torcendo por criminosas, mas por razões humanas, não morais.
A preparação dos diretores foi minuciosa. Jake DeVito destacou que ‘eles arrastaram um ao outro através de cada cena do filme antes mesmo de filmar e fizeram storyboard de tudo’. Essa meticulosidade se traduz em uma economia narrativa rara em estreias — cada movimento, cada queda, cada momento de dor física serve tanto à comédia quanto ao suspense. O diretor de fotografia Ben Goodman construiu rigs específicos para capturar ângulos únicos de personagens se movendo de formas deliberadamente desajeitadas, criando um visual que reforça a ideia de corpos fora de controle.
Para Lizzy Caplan, o resultado final era evidente desde o primeiro dia. ‘O filme que fizemos era o que estava na página desde o início. Era fácil apoiar o projeto porque a visão estava tão completamente realizada.’ Em um festival com dezenas de estreias, ‘Drag’ se destaca por saber exatamente o que quer ser — e executar essa visão com precisão.
Veredito: para quem é (e não é) este filme
Se você aprecia thrillers que subvertem expectativas e consegue rir do absurdo da existência humana — incluindo suas próprias dores lombares — ‘Drag’ é uma descoberta essencial. É o tipo de filme que funciona melhor quanto menos você sabe antes de assistir, então evite trailers e sinopses detalhadas. A dupla de diretores estreantes entrega uma obra que equilibra comédia física genuína com suspense tenso, algo que filmes como ‘Jogos Mortais’ tentaram mas raramente alcançaram com tanta naturalidade.
Se você busca terror sobrenatural ou violência gráfica explícita, este não é seu filme. A tensão aqui é construída através da fragilidade humana — corpos que falham, relações que desgastam, planos que dão errado por razões patéticas. É uma abordagem mais próxima de ‘Fargo’ do que de ‘Pânico’. O longa aguarda data de distribuição global, mas baseado na recepção no SXSW, não deve demorar a chegar aos cinemas. Quando chegar, vá com expectativas de ver algo diferente — um thriller sobre como até os melhores planos de crime podem ser destruídos por uma simples dor nas costas.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Drag’
Onde assistir ‘Drag’ com Lizzy Caplan?
‘Drag’ estreou no SXSW em março de 2026 e ainda aguarda anúncio de distribuidora e data de estreia comercial. Acompanhe o site para atualizações sobre onde assistir.
Quem está no elenco de ‘Drag’?
O elenco principal inclui Lizzy Caplan (‘Truque de Mestre’, ‘O Conto da Aia’) e Lucy DeVito como as irmãs invasoras, John Stamos e Christine Ko. Danny DeVito atua como produtor ao lado dos filhos Lucy e Jake.
‘Drag’ é de terror ou comédia?
‘Drag’ é um thriller de invasão domiciliar com elementos de comédia física e humor negro. A premissa — invasoras travadas por dor lombar — gera situações tensas e cômicas simultaneamente, aproximando-se do tom de ‘Fargo’.
Qual é a premissa de ‘Drag’?
Duas irmãs invadem uma casa rural em Nova York para roubar o local, mas uma delas (Lizzy Caplan) torce as costas no meio do assalto e fica incapaz de andar. Elas precisam sair antes que o dono da casa retorne.
Quem dirigiu ‘Drag’?
‘Drag’ é dirigido por Raviv Ullman e Greg Yagolnitzer em sua estreia em longas-metragens. A dupla desenvolveu o roteiro a partir de suas próprias experiências com dores lombares.

