Analisamos o fenômeno ‘Dhurandhar’ na Netflix, o spy-thriller indiano que superou críticas negativas para se tornar o título nº 1 global. Entenda como o viral de Akshaye Khanna e a direção de Aditya Dhar preparam o terreno para a sequência ‘The Revenge’.
Se você abriu o catálogo da Netflix nos últimos dias, o algoritmo provavelmente colocou um rosto imponente e um título sonoro no seu topo de tela. O sucesso de ‘Dhurandhar’ na Netflix não é apenas uma anomalia estatística; é o ápice de como o cinema indiano de grande escala aprendeu a falar a língua global do streaming sem sacrificar sua identidade maximalista. Com 26,1 milhões de horas assistidas em uma semana, o longa de Aditya Dhar consolidou-se como o título não-inglês número 1 da plataforma, superando produções ocidentais de orçamentos similares.
Mas o que faz um filme de 3 horas e 26 minutos — uma duração que desafia a paciência fragmentada do espectador de 2026 — prender tanta gente? A resposta reside em uma combinação agressiva de espionagem de alto calibre e o carisma de um elenco que entende a regra de ouro de Bollywood: se for para ser excessivo, que seja com convicção total.
O abismo entre a crítica e o público: Por que os 42% falharam?
Há um dado fascinante na recepção de ‘Dhurandhar’ que resume o estado atual do consumo de cinema: os 42% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes versus os 95% do público (o Popcornmeter). A resistência crítica geralmente foca no roteiro de Aditya Dhar, Shivkumar V. Panicker e Ojas Gautam, que frequentemente atropela a lógica em favor do impacto emocional. É, de fato, um filme que prefere o soco no estômago à sutileza intelectual.
No entanto, ignorar o apelo de ‘Dhurandhar’ é ignorar a evolução do cinema de gênero. Ranveer Singh, interpretando o dualismo de Hamza Ali Mazari e Jaskirat Singh Rangi, entrega uma performance magnética. Ele entende que, em um spy-thriller desse porte, a atuação precisa ser tão vasta quanto as explosões. O público não busca o realismo gélido de um ‘John Le Carré’; eles buscam a catarse de um herói que parece capaz de dobrar a geopolítica à sua vontade. Esse descompasso entre a técnica fria e a experiência visceral é exatamente onde o filme ganha sua força.
A cena que quebrou a internet: O efeito Akshaye Khanna
Se você ainda não deu o play, provavelmente já cruzou com o vídeo viral: o personagem de Akshaye Khanna dançando ao som de uma trilha árabe enquanto o caos absoluto se desenrola ao fundo. É um momento de puro gênio cinematográfico pela sua dissonância cognitiva. O uso do som diegético — música que os personagens ouvem — para pontuar uma sequência de violência estilizada cria um contraste hipnótico que se tornou o combustível orgânico para o sucesso de ‘Dhurandhar’ na Netflix.
Tecnicamente, a direção de fotografia opta por uma paleta saturada, fugindo dos tons acinzentados que dominaram os thrillers de Hollywood na última década. Dhar utiliza planos-sequência em momentos de tensão não apenas para exibir virtuosismo, mas para imergir o espectador na geografia da ação, algo que falta em muitas montagens frenéticas e confusas do cinema de ação contemporâneo.
Um tabuleiro de xadrez com pesos-pesados de Bollywood
O elenco de ‘Dhurandhar’ opera como uma seleção de estrelas. Ter Sanjay Dutt, Arjun Rampal e R. Madhavan dividindo o tempo de tela confere uma gravidade que sustenta as 3 horas de projeção. Cada entrada de personagem é tratada como um evento operístico. A dinâmica entre Ranveer Singh e Akshaye Khanna, especificamente, oferece o contraponto necessário: enquanto um é a força bruta e o carisma, o outro é a imprevisibilidade silenciosa.
Diferente de ‘Uri: The Surgical Strike’, trabalho anterior de Dhar que era mais focado em um realismo tático, ‘Dhurandhar’ abraça a escala épica. É um cinema de sensações, feito para ser consumido no volume máximo. A estratégia da Netflix foi cirúrgica: ao garantir o domínio global do primeiro filme agora em fevereiro, a plataforma pavimenta o caminho para a estreia de ‘Dhurandhar: The Revenge’ nos cinemas em 19 de março.
Vale o investimento de tempo?
Para quem hesita por causa da duração, a dica é encarar ‘Dhurandhar’ como uma minissérie de alto impacto consumida de uma só vez. O filme termina com pontas soltas deliberadas e uma promessa de expansão de universo que parece inevitável. Se você busca coerência absoluta e economia de tempo, talvez prefira thrillers mais contidos. Mas, se você quer entender por que o cinema indiano está redesenhando o mapa do entretenimento global em 2026, este play é obrigatório. No fim, o público parece ter entendido o que a crítica técnica deixou passar: o cinema, antes de tudo, precisa nos fazer sentir a escala do impossível.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Dhurandhar’
Qual a duração de ‘Dhurandhar’ na Netflix?
O filme tem uma duração épica de 3 horas e 26 minutos, seguindo a tradição dos grandes blockbusters de Bollywood que misturam ação, drama e sequências musicais estilizadas.
Quando estreia a sequência ‘Dhurandhar: The Revenge’?
A sequência, intitulada ‘Dhurandhar: The Revenge’, tem estreia prevista para os cinemas em 19 de março de 2026, chegando ao streaming alguns meses depois.
‘Dhurandhar’ é baseado em fatos reais?
Embora se inspire em tensões geopolíticas reais e no submundo da espionagem indiana, a trama de ‘Dhurandhar’ é uma obra de ficção focada no entretenimento de alta voltagem.
Quem faz parte do elenco principal?
O filme conta com grandes estrelas de Bollywood, incluindo Ranveer Singh, Akshaye Khanna, Sanjay Dutt, Arjun Rampal e R. Madhavan.
Preciso assistir a algum outro filme antes de ‘Dhurandhar’?
Não, este é o primeiro capítulo de uma nova franquia planejada pelo diretor Aditya Dhar, funcionando perfeitamente como uma história de origem independente.

