Compilamos as primeiras reações de críticos como Brandon Davis e Liam Crowley ao novo sci-fi de Lord & Miller. Elogios técnicos ao IMAX, comparações com ‘E.T.’ e análise do que os 160 minutos significam para a adaptação de ‘Project Hail Mary’.
Quando ‘Perdido em Marte’ chegou aos cinemas em 2015, estabeleceu um novo paradigma para o sci-fi de sobrevivência: ciência rigorosa servindo de espinha dorsal para um thriller humano e desesperado. Agora, pouco mais de uma década depois, as primeiras reações a ‘Devoradores de Estrelas’ sugerem que Andy Weir pode ter conseguido algo raro — uma adaptação que não apenas honra seu material original, mas potencializa suas qualidades cinematográficas.
As reações que vazaram das exibições privadas para crítica são, no mínimo, entusiasmadas. E não estamos falando do entusiasmo genérico de quem viu um blockbuster competente — críticos veteranos estão usando palavras como “obra-prima” e comparando o filme a ‘E.T.: O Extraterrestre’. Isso não é hype de marketing. É reconhecimento genuíno de algo que pode ser especial.
O que as reações revelam sobre ‘Devoradores de Estrelas’
Compilar reações de redes sociais pode parecer exercício de futilidade — afinal, todo filme tem seu quinhão de elogios iniciais. Mas quando você lê o que pessoas como Brandon Davis (da ComicBook.com) estão escrevendo, o padrão muda. Ele chamou o filme de “obra-prima” e “o melhor filme que vi este ano”, elogiando especificamente como os visuais “dobram as capacidades do IMAX ao máximo”. Isso não é elogio de assessoria de imprensa. É análise técnica de alguém que entende a diferença entre espetáculo e inovação visual real.
Liam Crowley, do ScreenRant, foi ainda mais específico: “Como Gosling cativa durante um show essencialmente de um só homem está além de mim — seu mais precoce candidato a Melhor Ator.” A observação é crucial porque toca no maior desafio do filme: como sustentar uma narrativa centrada em um homem sozinho no espaço? Se ‘Perdido em Marte’ já provou que isso funciona, ‘Devoradores de Estrelas’ parece ter encontrado uma solução diferente — e possivelmente mais emocional.
A dinâmica entre Gosling e Rocky pode roubar o filme
É aqui que as reações ficam particularmente interessantes. Quase todos os críticos mencionam “Rocky” — o alienígena que forma uma amizade improvável com o personagem de Gosling. Scott Menzel, do We Live Entertainment, foi direto: “O vínculo entre ele e Grace [personagem de Gosling] é o coração e a alma desta história.”
A comparação com ‘E.T.’ feita por Clayton Davis, da Variety, não é acidental. Steven Spielberg construiu um filme inteiro em torno da conexão entre um menino e um ser de outro mundo. Se Lord & Miller conseguiram capturar essa mesma química em um contexto de sci-fi hard, estão fazendo algo que poucos diretores conseguem: equilibrar rigor científico com emoção genuína. O fato de críticos estarem chorando no terceiro ato — como Crowley admitiu ter feito — sugere que o filme não está apenas funcionando intelectualmente, mas emocionalmente.
Lord & Miller finalmente provam sua versatilidade
Phil Lord e Christopher Miller construíram uma carreira sobre a premissa de que “comédia animation” e “blockbuster live-action” não precisam ser categorias mutuamente excludentes. De ‘Uma Noite no Museu’ a ‘Spider-Man: No Aranhaverso’, eles transformaram projetos que poderiam ser lixo comercial em obras com autoria reconhecível. Mas ‘Devoradores de Estrelas’ representa algo diferente: é seu primeiro mergulho profundo em sci-fi sério, e as reações indicam que eles não apenas sobreviveram — prosperaram.
Menzel chamou o filme de “não apenas seu mais ambicioso até hoje, mas indiscutivelmente seu mais realizado”. É uma distinção importante. Ambição sem execução é vaidade. Execução sem ambição é competência esquecível. Quando você combina as duas — e críticos estão afirmando que é isso que aconteceu — o resultado tende a permanecer na memória coletiva.
Os 160 minutos são problema ou feature?
Nem tudo são elogios incondicionais. Barry Hertz, do The Globe and Mail, apontou que o roteiro tem “finais demais” e que “um ponto crucial da trama evapora”. Russ Milheim, do The Direct, concordou que o filme é “um pouco longo”. São críticas legítimas, especialmente considerando que a adaptação precisa condensar quase 500 páginas de um romance denso em ciência e plot.
Por outro lado, Germain Lussier, do Gizmodo, afirmou que “os 160 minutos passam em um instante”. A divergência entre críticos sobre o ritmo é reveladora. Quando um filme de quase três horas divide opiniões entre “arrastado” e “voa”, geralmente significa que está fazendo algo narrativamente ambicioso — o que funciona para alguns e frustra outros. Não é sinal de fracasso; é sinal de que o filme está tentando algo além do confortável.
Gosling pode ter encontrado seu papel definidor
Jazz Tangcay, da Variety, não mediu palavras: “Uma atuação soberba de Ryan Gosling — o melhor de sua carreira.” Considerando que o ator já foi indicado ao Oscar por ‘La La Land’, ‘Half Nelson’ e ‘Barbie’, isso não é elogio pequeno. O que torna a afirmação mais impressionante é o contexto: Gosling está carregando um filme essencialmente solo, contracenando com um alienígena que será renderizado em CGI.
A capacidade de projetar humanidade em circunstâncias artificiais é o que separa atores competentes de grandes atores. Se as reações estão corretas, Gosling pode ter finalmente encontrado o papel que sintetiza tudo o que ele faz bem — o charme seco, a vulnerabilidade subcutânea, a capacidade de fazer silêncio falar mais que diálogos.
O veredito de Andy Weir pode ser o mais importante
Autores raramente têm coisas boas a dizer sobre adaptações de seus trabalhos. A menos que sejam fiéis. Ou melhores. Weir disse ao ScreenRant que o filme é “realmente bom” e que “não poderia estar mais feliz com como as coisas viraram”. Considerando que ele é conhecido por obsessão com precisão científica — o tipo de escritor que calcula órbitas reais para suas histórias — sua aprovação sugere que Lord & Miller não sacrificaram verossimilhança no altar do espetáculo.
Isso coloca ‘Devoradores de Estrelas’ em posição curiosa. ‘Perdido em Marte’ foi amado por cientistas e público geral. Se a adaptação de Weir consegue repetir o feito — e as reações sugerem que sim — estamos olhando para algo que o cinema mainstream raramente entrega: entretenimento inteligente que não insulta a inteligência do público.
O que esperar das reviews completas
Reações iniciais tendem a ser mais generosas que reviews formais. Há menos pressão para ser crítico, mais entusiasmo de estar entre os primeiros a ver algo. Isso significa que quando as reviews completas saírem, próximo ao lançamento em 20 de março, podemos ver o tom baixar um pouco. Mas o padrão das reações — a especificidade dos elogios, a consistência do entusiasmo, a diversidade de aspectos elogiados — sugere que estamos diante de algo mais sólido que hype temporário.
Se ‘Devoradores de Estrelas’ cumprir o que suas primeiras reações prometem, 2026 pode ter encontrado seu primeiro grande blockbuster — e Ryan Gosling pode ter encontrado sua quarta indicação ao Oscar. Quatro semanas parecem muito tempo para esperar. Mas se o filme é tão bom quanto dizem, a espera pode valer a pena.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Devoradores de Estrelas’
Quando estreia ‘Devoradores de Estrelas’ nos cinemas?
‘Devoradores de Estrelas’ estreia em 20 de março de 2026 nos cinemas brasileiros. O filme terá exibições em formato IMAX.
Onde assistir ‘Devoradores de Estrelas’?
O filme será distribuído pela Amazon MGM Studios e chegará inicialmente aos cinemas. Após a janela teatral, deve estar disponível na Prime Video.
‘Devoradores de Estrelas’ é baseado em livro?
Sim. O filme é adaptação de “Project Hail Mary” (sem tradução no Brasil), romance de Andy Weir publicado em 2021. Weir também escreveu ‘Perdido em Marte’, adaptado por Ridley Scott em 2015.
Quanto tempo dura ‘Devoradores de Estrelas’?
O filme tem aproximadamente 160 minutos (2 horas e 40 minutos). As reações indicam que o ritmo divide opiniões: alguns críticos acharam longo, outros disseram que “passa em um instante”.
Precisa ler o livro para entender o filme?
Não. Pela reação dos críticos, o filme funciona como experiência autônoma. A aprovação de Andy Weir sugere que a adaptação condensa bem o material original sem exigir conhecimento prévio.

