Analisamos o realismo científico em ‘Destruição Final 2’. Da fascinante teoria das crateras de impacto como berços de vida ao mito das tempestades de radiação visíveis, entenda onde a sequência de Gerard Butler usa a geologia real e onde prefere o espetáculo de Hollywood.
Quando ‘Destruição Final: O Último Refúgio’ (2020) estreou, ele se tornou um queridinho imediato da crítica por um motivo raro: o realismo emocional. Em vez de focar no heroísmo impossível de um presidente ou de um cientista solitário, o filme de Ric Roman Waugh focou na logística desesperadora da sobrevivência. Com a chegada da sequência, ‘Destruição Final 2: Migration’, a escala aumenta, e com ela, a curiosidade: ‘Destruição Final 2’ ciência — o que ali resiste a um escrutínio geológico?
A fascinante (e real) teoria da vida que nasce do caos
O ponto central do novo filme é a busca pela ‘Cratera Clarke’, no sul da França. A premissa de que o local do impacto original do cometa Clarke se tornou um oásis biológico em apenas cinco anos é o motor da trama. Por mais que pareça um recurso de roteiro para justificar a jornada, há uma base científica robusta aqui: a astrobiologia de crateras de impacto.
Geólogos e astrobiólogos, como os que estudam a cratera de Chicxulub no México, defendem que impactos massivos criam sistemas hidrotermais. Basicamente, o calor do impacto, combinado com a água subterrânea, cria uma ‘sopa primordial’ protegida. Em ‘Destruição Final 2’, vemos campos verdes e vida abundante onde deveria haver apenas cinzas. O filme acerta na teoria — crateras podem sim ser berços de vida — mas erra feio no cronômetro. Na realidade, a natureza precisaria de séculos, não de meia década, para transformar um deserto de detritos em um jardim botânico.
Tempestades de radiação e a licença poética do perigo invisível
Se a cratera é o acerto teórico, as ‘tempestades de radiação’ que perseguem a família Garrity são o puro suco de Hollywood. No filme, a radiação é tratada quase como um tornado: algo que você vê no horizonte, ouve chegando e do qual pode correr para se esconder em um abrigo de concreto por alguns minutos.
Cientificamente, isso é um equívoco. Após um impacto de cometa dessa magnitude, o perigo não seria uma ‘nuvem passageira’ de radiação, mas sim o inverno nuclear e a destruição da camada de ozônio. A radiação UV seria constante e invisível, matando a longo prazo por exposição acumulada, e não em um evento climático súbito. O diretor optou por tornar o perigo visual para manter o ritmo de thriller, transformando a física em um monstro de filme de terror.
Geologia acelerada: Terremotos e o Canal da Mancha
Outro momento que desafia a lógica é a travessia do Canal da Mancha, que aparece quase drenado ou transformado em uma trincheira de lodo. O filme sugere que o impacto alterou a tectônica de placas de forma tão violenta que a geografia dos oceanos mudou instantaneamente.
Embora um impacto de nível de extinção possa, de fato, gerar tsunamis globais e ativar falhas geológicas, a redistribuição de massas de água em escala oceânica não criaria ‘caminhos’ convenientes para pedestres. A energia necessária para ‘secar’ o Canal da Mancha evaporaria a água ou a lançaria em ondas de quilômetros de altura que varreriam o continente. Em ‘Migration’, a geologia é dobrada para servir ao simbolismo da travessia — uma escolha narrativa que remete ao êxodo bíblico, distanciando-se do realismo do primeiro filme.
Veredito: O realismo deu lugar ao simbolismo?
Diferente do original, que era um drama de sobrevivência ‘pés no chão’, ‘Destruição Final 2’ abraça o espetáculo. A ciência aqui não é o objetivo, mas uma ferramenta de worldbuilding. O filme usa conceitos reais (como a fertilidade de crateras) para construir uma metáfora sobre renovação e esperança.
Para o espectador casual, a tensão funciona porque o design de som — o rugido das tempestades e o estalo da terra se abrindo — é impecável e transmite uma sensação de urgência física. Para o geólogo, o filme é um exercício de ‘suspensão de descrença’. No fim das contas, ‘Destruição Final 2’ é menos sobre como o mundo acaba e mais sobre como a humanidade se recusa a terminar, mesmo que para isso precise ignorar algumas leis da termodinâmica.
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Perguntas Frequentes sobre a ciência de ‘Destruição Final 2’
Uma cratera de impacto pode realmente se tornar fértil como no filme?
Sim, em teoria. Crateras de impacto criam sistemas hidrotermais que podem favorecer a vida microbiana e criar microclimas. No entanto, o processo de regeneração vegetal visto no filme levaria centenas de anos, não apenas cinco.
Existem ‘tempestades de radiação’ na vida real após um impacto?
Não da forma retratada. A radiação pós-impacto seria resultado da destruição da camada de ozônio, expondo a Terra a raios UV constantes. Ela não se comporta como uma tempestade climática que você pode ver e evitar correndo.
Onde assistir ‘Destruição Final 2: Migration’?
O filme teve lançamento nos cinemas e está disponível para aluguel e compra em plataformas digitais como Prime Video e Apple TV+, chegando posteriormente ao catálogo de streaming por assinatura.
O cometa Clarke é baseado em um cometa real?
Não, o cometa Clarke é fictício. No entanto, a ameaça de ‘objetos próximos à Terra’ (NEOs) é monitorada constantemente pela NASA e outras agências espaciais através de programas de defesa planetária.

