Charlie Cox criticou o episódio 5 de ‘Demolidor: Renascido’ por sua estrutura “antiga”. Analisamos o assalto ao banco e explicamos por que a narrativa autocontida é exatamente o que o MCU precisa — e o que a série pode perder ao abandonar episódios assim na temporada 2.
Charlie Cox tem todo o crédito do mundo quando o assunto é interpretar Matt Murdock. Mas como crítico de cinema e séries há mais de uma década, preciso ser honesto: quando ele disse que o Demolidor Renascido episódio 5 era seu menos favorito da temporada, ele errou. E errou feio.
O ator comparou o capítulo “With Interest” — uma história de assalto a banco confinada e quase autocontida — a algo “dos anos 1970”, sugerindo que a estrutura soava datada para um contexto contemporâneo. A crítica parte de alguém que vive o personagem por dentro, e isso merece respeito. Mas também parte de alguém que talvez esteja olhando para a árvore e perdendo a floresta inteira.
Por que “With Interest” funciona como um quadrinho clássico em formato de série
O episódio foi, segundo Cox, o único que permaneceu praticamente intocado após a reformulação criativa da temporada. Enquanto o resto da série foi reescrito, reestruturado e reimaginado, esse capítulo de assalto ao banco seguiu como estava — e o ator parece ter interpretado isso como um vestígio de uma versão antiga e “menos sofisticada” do projeto. A leitura é compreensível, mas superficial.
O que Demolidor: Renascido faz neste episódio é algo que as séries de super-heróis modernas abandonaram há tempo demais: ele conta uma história completa, com começo, meio e fim, que não precisa de um arco de temporada inteiro para justificar sua existência. É a estrutura clássica das HQs — aquela aventura da semana que você comprava na banca, lia em vinte minutos, e guardava como uma memória satisfatória.
Não é coincidência que o episódio tenha essa sensação “retro”. Ele está replicando propositalmente a gramática dos quadrinhos seminais do personagem. Quando Frank Miller assumiu o Demolidor nos anos 80, ele não transformou cada edição em um épico de seis partes. Ele construiu histórias que funcionavam sozinhas, que davam ao leitor uma experiência completa, enquanto tecia uma rede maior de temas e conflos ao fundo.
O problema do MCU com grandiosidade constante
Há uma doença crônica no Marvel Cinematographic Universe atual: a obsessão por conectividade. Cada episódio precisa estabelecer três conexões com filmes futuros, dois easter eggs para fãs obsessivos, e uma ponta para a próxima grande crossover event. O resultado é uma narrativa que nunca respira — e que muitas vezes esquece de contar uma história de verdade.
O Demolidor Renascido episódio 5 é o oposto disso. Ele isola Matt Murdock em uma situação específica, com personagens coadjuvantes que ganham espaço para existir, e deixa o herói resolver um problema que não tem nada a ver com Wilson Fisk ou com o destino do universo. É exatamente isso que o MCU precisa mais do que nunca: momentos que lembram ao público que esses personagens têm vidas que extrapolam o Grande Conflito.
A presença de Yusuf Khan — pai de Kamala Khan, a Ms. Marvel — poderia facilmente ter parecido um serviço obrigatório de conectividade. Mas funciona precisamente pelo contrário: ele humaniza o universo. Matt Murdock não está apenas lutando contra o Rei do Crime; ele está ajudando o pai de uma adolescente super-herói a sobreviver a um assalto. Isso constrói mundo de uma forma que nenhum crossover consegue.
A arte do “bottle episode” e o que Cox pode ter subestimado
Episódios engarrafados — aqueles confinados a um único ambiente, com elenco reduzido e orçamento menor — são tradicionalmente vistos como “necessidades de produção” em séries de TV. A lógica é simples: se você gasta menos em um episódio, pode gastar mais no final da temporada. Mas os melhores realizadores entendem que a limitação é uma ferramenta criativa, não um obstáculo.
Assisti ao episódio prestando atenção em como a tensão é construída através de elementos que não dependem de grandiosidade visual. A dinâmica entre Matt e Yusuf dentro do banco, a forma como o advogado cego precisa usar sua inteligência e seus sentidos apurados para controlar uma situação que não pode ser resolvida com socos — isso é Demolidor em sua essência. O personagem sempre foi definido mais por sua humanidade do que por seus poderes. A direção de som merece crédito específico aqui: há momentos em que o silêncio e os pequenos ruídos ambientais carregam mais peso narrativo do que qualquer trilha orquestral conseguiria.
Cox pode ter sentido que o episódio “não avança a trama principal”. Mas essa é uma visão que confunde progressão narrativa com acumulação de eventos. A trama avançou sim — avançamos no entendimento de quem Matt Murdock é quando não está lutando contra o grande vilão, como ele se comporta em uma situação cotidiana que exige heroísmo silencioso. Isso é caracterização, e caracterização é o alicerce de qualquer grande história.
Por que a Temporada 2 perderá algo sem episódios assim
A informação de que a segunda temporada de Demolidor: Renascido provavelmente abandonará episódios engarrafados como esse é preocupante. A equipe criativa está agora consolidada, o que garante continuidade tonal — algo positivo. Mas também significa que a série pode cair na mesma armadilha de todas as produções do MCU: a urgência constante.
Com o conflito entre o Prefeito Fisk e os vigilantes de Nova York se intensificando, a tendência é que cada episódio precise responder à pergunta “como isso afeta a guerra?”. E isso empobrece a narrativa. Sem os respiros, sem os momentos menores, a série arrisca se tornar um longo prólogo para o próximo grande evento — exatamente o que matou o interesse de muita gente no MCU nos últimos anos.
Um dos momentos mais memoráveis da série Netflix original do Demolidor não envolvia o Rei do Crime. Era o corredor. Aquele plano-sequência no final do segundo episódio da primeira temporada, com Matt lutando por um corredor estreito para salvar um garoto. Funcionava porque era pequeno. Porque era íntimo. Porque não precisava justificar sua existência com conexões universais.
O veredito: Cox está errado, e isso é um elogio ao episódio
Dizer que Charlie Cox errou na avaliação não é desrespeito — é reconhecimento de que atores e criadores nem sempre são os melhores juízes de suas próprias obras. Cox vive Matt Murdock de dentro para fora, mas essa proximidade pode criar uma cegueira específica: a tendência de valorizar o que parece “mais importante” em detrimento do que realmente constrói personagem.
O Demolidor Renascido episódio 5 funciona porque é um exercício de economia narrativa. Ele diz mais sobre Matt Murdock em 40 minutos de assalto a banco do que muitos filmes de super-heróis dizem sobre seus protagonistas em duas horas de espetáculo visual. E faz isso usando a estrutura “antiga” que Cox criticou — a mesma estrutura que fez os quadrinhos do personagem se tornarem referência no meio.
Se a segunda temporada abandonar esse tipo de episódio em nome de uma narrativa “mais relevante”, a série pode até satisfazer os fãs que querem ver o confronto épico com Fisk. Mas perderá algo essencial: a capacidade de mostrar que o Diabo de Hell’s Kitchen não é apenas um soldado em uma guerra, mas um homem que faz a diferença nas pequenas batalhas cotidianas.
E isso, mais do que qualquer crossover, é o que faz um super-herói valer a pena acompanhar.
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Perguntas Frequentes sobre Demolidor: Renascido
Onde assistir Demolidor: Renascido?
‘Demolidor: Renascido’ está disponível exclusivamente no Disney+. A primeira temporada foi lançada em março de 2025.
O que Charlie Cox disse sobre o episódio 5?
Charlie Cox afirmou que o episódio 5, “With Interest”, era seu menos favorito da temporada. Ele comparou a estrutura de assalto ao banco a algo “dos anos 1970”, sugerindo que parecia datado. O ator também revelou que foi o único episódio que permaneceu praticamente inalterado após a reformulação criativa da série.
Demolidor: Renascido é continuação da série da Netflix?
Sim e não. ‘Demolidor: Renascido’ mantém Charlie Cox e Vincent D’Onofrio em seus papéis, mas funciona como um reboot criativo. Ignora eventos específicos da série Netflix, mas preserva a essência dos personagens. É uma nova continuidade dentro do MCU.
Quando sai a temporada 2 de Demolidor: Renascido?
A Marvel ainda não confirmou data oficial, mas as filmagens devem começar em 2026. Considerando o cronograma típico de pós-produção, a estreia é esperada para o final de 2026 ou início de 2027 no Disney+.

