‘Demolidor: Renascido’: por que a 2ª temporada é o verdadeiro recomeço

A segunda temporada de ‘Demolidor: Renascido’ marca o verdadeiro retorno do tom sombrio da série Netflix. Explicamos por que a primeira temporada foi apenas uma ponte e como a liberdade criativa de Dario Scardapane, somada ao retorno de Jessica Jones, faz de 2026 o ano definitivo para os fãs do Demolidor.

Em 2018, quando a Netflix cancelou Daredevil, a reação dos fãs foi imediata e brutal. Campanhas online, hashtags trending, petições com centenas de milhares de assinaturas. A Marvel tinha nas mãos uma das suas adaptações mais aclamadas — e simplesmente deixou morrer. Agora, quase uma década depois, ‘Demolidor: Renascido’ está provando que o retorno foi mais do que merecido. Mas aqui vai o ponto que poucos estão discutindo: a primeira temporada foi apenas o aquecimento. A segunda? Essa sim é o verdadeiro recomeço.

Se você assistiu à primeira temporada quando chegou em março de 2025, provavelmente notou algo estranho. Não era ruim — longe disso — mas carregava um peso que só quem acompanhava a série original da Netflix percebia. Era uma temporada de “transição”, ocupada em explicar por que Matt Murdock estava em um universo diferente, conectando pontos de aparição esparsas em Hawkeye, She-Hulk, Spider-Man: No Way Home e até Echo. Funcionou como ponte. Mas pontes não são destinos.

Por que a 1ª temporada carregava um fardo invisível

Por que a 1ª temporada carregava um fardo invisível

A produção da primeira temporada foi, para dizer o mínimo, conturbada. Matt Corman e Chris Ord desenvolveram a série originalmente, mas a história passou por uma reestruturação massiva nas mãos de Dario Scardapane. Imagine tentar cozinhar uma receita enquanto alguém reescreve o livro de instruções no meio do processo. O resultado até ficou saboroso, mas dá pra sentir que alguns ingredientes foram adicionados fora de ordem.

O problema não era qualidade — era contexto. A temporada precisava responder perguntas que nenhum criador deveria ter que responder em uma estreia: “Como esse personagem que existia na Netflix agora existe no MCU?”, “O que aconteceu com os personagens secundários?”, “Por que o tom mudou?”. Eram amarras narrativas necessárias para a continuidade do universo, mas que consumiam energia criativa que poderia ir para… bem, para contar uma história de verdade.

Dario Scardapane e o crime drama que a Marvel precisava

Aqui é onde fica interessante. Scardapane não é um nome aleatório puxado de um chapéu. O cara construiu carreira em thrillers e dramas criminais — foi produtor executivo de The Punisher na Netflix e roteirista de The Town, de Ben Affleck. Esse é exatamente o DNA que fez a série original funcionar. Aquele tom sombrio, brutal, que fazia você esquecer que estava assistindo a uma produção de super-heróis? Não era acidente. Era escolha de gênero.

Quando Scardapane reestruturou a primeira temporada, ele provou algo crucial: entende o personagem. As cenas de ação viscerais, o drama político entrelaçado com violência de rua, os momentos que fazem você esquecer de respirar — tudo isso carrega a assinatura de alguém que sabe que Daredevil funciona melhor quando trata Hell’s Kitchen como uma cidade real com problemas reais, não como um cenário de fantasia com punhos de demônio vermelho.

Agora imagine o que acontece quando esse mesmo criador começa um projeto do zero. Sem reescritas. Sem conexões obrigatórias. Sem a necessidade de explicar transições de universo. É isso que a segunda temporada representa: Scardapane no comando total, com a liberdade criativa que a primeira temporada nunca teve.

O retorno de Jessica Jones muda tudo

Se você viu o trailer da segunda temporada, pegou um detalhe crucial: Krysten Ritter de volta como Jessica Jones. Não é um cameo rápido, não é uma referência passageira — ela está integrada na narrativa de forma que sugere relevância real.

Isso é significativo por dois motivos. Primeiro, Jessica Jones era a série mais sombria do catálogo Netflix Marvel, abordando trauma, abuso e alcoolismo com uma coragem que o MCU mainstream raramente teve. Segundo, sua presença confirma algo que os fãs esperavam desde 2018: o universo “Marvel Netflix” não foi apagado. Foi absorvido.

A química entre Charlie Cox e Ritter já era comprovada nas séries originais — os personagens dividiam DNA temático, mesmo quando não dividiam tela. Ver essa interação ressurgir em um contexto onde o tom parece ter sido recalibrado para honrar a herança original é o tipo de fã-service que funciona porque está a serviço da história, não apenas da nostalgia.

Por que um recast teria sido um desastre histórico

Vale fazer um parênteses sobre algo que poderia ter destruído tudo. Quando a Marvel recuperou os direitos dos personagens da Netflix, havia uma tentação óbvia: começar do zero. Elenco novo, continuidade limpa, sem bagagem. Teria sido um erro de proporções monumentais.

Charlie Cox não é apenas “um ator que interpretou Daredevil”. Ele é o Matt Murdock para uma geração inteira de fãs. A forma como ele equilibrava a vulnerabilidade do advogado cego com a ferocidade do vigilante noturno criou um padrão que qualquer substituto teria que não apenas igualar, mas superar — uma barra absurdamente alta. Vincent D’Onofrio como Wilson Fisk? Ainda mais crítico. Seu Rei do Crime é uma das interpretações de vilão mais complexas da história dos super-heróis em live action.

A Marvel entendeu algo que estúdios frequentemente ignoram: às vezes, a continuidade não é amarra — é ativo. Os fãs investiram anos nesses personagens. Apagar isso em nome de “começo limpo” seria ignorar exatamente o público que você quer conquistar.

2026: o ano que os fãs esperavam desde 2018

Coloque tudo junto e o quadro fica claro. A primeira temporada de ‘Demolidor: Renascido’ foi uma ponte necessária, um mal-estar criativo que permitiu a transição de universos sem sacrificar o elenco ou a essência. A segunda temporada é onde a série finalmente pode respirar, onde Scardapane pode construir algo do zero, onde personagens como Jessica Jones podem retornar sem precisar justificar sua existência em um novo continuum.

Para quem acompanha a saga do Demolidor desde os tempos da Netflix, 2026 marca o fechamento de um ciclo que parecia condenado ao limbo. A série não apenas voltou — voltou com a liberdade para ser o que sempre deveria ter sido: um thriller de crime sombrio disfarçado de produção de super-heróis. E se você duvida que isso é algo para celebrar, sugiro rever o corredor de combate do primeiro episódio da série original. Aquele nível de intensidade? Está de volta. Finalmente.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Demolidor: Renascido’

Quando estreia a 2ª temporada de ‘Demolidor: Renascido’?

A segunda temporada de ‘Demolidor: Renascido’ estreia em março de 2026, exclusivamente no Disney+. A Marvel confirmou a produção logo após a estreia da primeira temporada em 2025.

Jessica Jones volta em ‘Demolidor: Renascido’?

Sim. Krysten Ritter retorna como Jessica Jones na segunda temporada de ‘Demolidor: Renascido’. A presença da personagem foi confirmada nos trailers e ela terá papel relevante na trama, não apenas um cameo.

Onde assistir ‘Demolidor: Renascido’?

‘Demolidor: Renascido’ está disponível exclusivamente no Disney+. Ambas as temporadas são originais da plataforma. A série original da Netflix foi removida do catálogo em 2022.

Qual a diferença entre ‘Demolidor: Renascido’ e a série da Netflix?

A principal diferença é a continuidade: ‘Renascido’ integra o MCU oficial, enquanto a série Netflix existia em um universo paralelo. No entanto, a Marvel manteve o elenco original (Charlie Cox, Vincent D’Onofrio) e o tom sombrio característico, com cenas de ação igualmente brutais.

Preciso assistir à série original da Netflix para entender ‘Renascido’?

Não é obrigatório, mas recomendado. ‘Renascido’ funciona de forma independente, mas quem viu a série original terá contexto adicional sobre a relação Matt/Fisk e referências que enriquecem a experiência.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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