‘Deep Space Nine’ no século 32: de ‘Discovery’ à ‘Academia Frota Estelar’

Deep Space Nine século 32: de um pixel no mapa de Star Trek: Discovery à reativação do legado Sisko em Academia da Frota Estelar. Analisamos como a franquia construiu uma continuidade de 800 anos que honra o passado sem viver de nostalgia.

Há uma diferença entre simplesmente citar o passado e verdadeiramente honrá-lo. Quando Star Trek: Discovery exibiu um mapa estelar no penúltimo episódio de sua quinta temporada, muitos pensaram tratar-se de um easter egg discreto — um pixel azul no canto inferior esquerdo da tela, abaixo de Trill. Mas aquele pixel tinha nome: Deep Space Nine. E agora, com Star Trek: Academia da Frota Estelar expandindo deliberadamente esse legado no quinto episódio da série, fica claro que a franquia não está apenas brincando de nostalgia. Estamos diante de uma das operações de worldbuilding mais ousadas do universo Trek: manter viva, fisicamente e espiritualmente, uma estação espacial com mais de 800 anos de história.

Deep Space Nine século 32: o mapa estelar que validou a continuidade

Deep Space Nine século 32: o mapa estelar que validou a continuidade

Em “Lagrange Point” (5×09), dirigido por Jonathan Frakes, Discovery apresentou um gráfico do Quadrante Alfa que incluía, sem alarde dramático, DS9 e Bajor. A cena durou segundos, mas o impacto para quem acompanha a cronologia é enorme. Estamos em 3191. A estação que Benjamin Sisko comandou no final do século 24, convertida de uma instalação mineira Cardassiana em centro de comércio e diplomacia, ainda constava nos registros cartográficos da Federação.

O que isso significa, na prática? Que a estrutura não foi destruída, abandonada ou esquecida durante os eventos que levaram ao “The Burn” e à fragmentação galáctica do século 31. Enquanto naves inteiras e civilizações desapareciam, DS9 persistia — talvez reformada, talvez transformada em monumento, mas lá. A analogia visual que a própria série sugere é pertinente: assim como a Golden Gate Bridge ainda atravessa a baía de São Francisco no século 32, algumas construções transcendem sua função original e se tornam símbolos permanentes.

De Discovery à Academia: o legado emocional de Sisko

Quatro anos depois, em 3195, Academia da Frota Estelar assume a tocha não apenas confirmando a existência física da estação, mas reativando seu significado espiritual. O episódio 5, “Series Acclimation Mil”, escrito por Kirsten Beyer e Tawny Newsome, é um exercício raro de respeito à mitologia sem dependência servil dela.

SAM (Kerrice Brooks), cadete Kasqiana, descobre seu papel como Emissária de seu povo — não como cópia barata de Sisko, mas como evolução natural do conceito. A Professora Illa Dax (Tawny Newsome), portadora do simbionte com memórias de Jadzia e Ezri, serve de ponte viva entre eras. E quando Jake Sisko (Cirroc Lofton) aparece para falar em nome do pai, não é fanservice descartável; é a constatação de que o legado do Comandante Sisko transcendeu sua ascensão aos Profetas. A cena funciona porque assume que o espectador sabe quem é Sisko, mas não exige que tenha visto Jornada nas Estrelas: A Nova Missão em 1999 para compreender a gravidade emocional.

Isso é particularmente notável quando consideramos que Academia é um spin-off direto de Discovery, série que já havia pavimentado esse terreno: mostrou Ferengis e Lurians do século 32 na terceira temporada, incluiu um Changeling na quarta, e apresentou uma Presidente da Federação híbrida (Bajorana-Cardassiana-humana) antes mesmo de Academia trazer Bajor de volta ao live-action no episódio piloto. Os Breen, vilões centrais da quinta temporada de Discovery, eram justamente os antagonistas finais da Guerra do Domínio em DS9. A conexão não é acidental; é arquitetura.

A lógica da permanência: por que DS9 ainda importa

A lógica da permanência: por que DS9 ainda importa

Críticos de continuidade poderiam argumentar: por que uma estação tão antiga ainda seria relevante quando a tecnologia de 3195 permite viagem instantânea por redes de buracos de minhoca e naves com matéria escura? A resposta está na natureza de DS9 não como instalação militar, mas como ponto de encontro.

Bajor permanece como mundo espiritual central, agora lar adotivo da Capitã Nahla Ake (Holly Hunter). O simbionte Dax, com suas vidas múltiplas, continua a servir como arquivo vivo da história. E a estação, provavelmente reformada além do reconhecimento desde seus dias Cardassianos, funciona como âncora cultural — um lugar onde o passado não é museificado, mas metabolizado.

Assistir ao episódio 5 de Academia após revisitar “Lagrange Point” de Discovery cria uma experiência rara em Star Trek: a sensação de que o universo é realmente grande o suficiente para conter suas próprias histórias sem precisar resetá-las. Não estamos vendo uma recriação de DS9; estamos vendo as consequências de DS9.

A porta aberta: o futuro da estação no universo Trek

Com Frakes retornando para dirigir o penúltimo episódio de Academia da Frota Estelar — assim como fez em Discovery —, e considerando que a série estabeleceu tanto o Colégio de Guerra quanto a Academia propriamente dita, o potencial narrativo é óbvio. Cadetes poderiam, em futuras temporadas, visitar fisicamente a estação. Não como turistas, mas como estudantes de história viva.

A pergunta que fica não é se DS9 ainda existe — Discovery já respondeu isso com um mapa. A pergunta é: o que ela se tornou depois de 800 anos de história adicional? E como uma nova geração de cadetes, incluindo uma nova Emissária inspirada por Sisko e guiada por uma Dax, vai reescrever o significado daquele antigo posto de fronteira?

Se você está acompanhando Academia da Frota Estelar apenas como série juvenil de aventuras espaciais, talvez esteja perdendo a dimensão mais ambiciosa do projeto: a tentativa de provar que Star Trek pode olhar para frente sem esquecer para onde aponta. No século 32, Deep Space Nine não é apenas uma estação. É um testemunho de que algumas histórias, bem contadas, resistem ao tempo — assim como pontes, e assim como estrelas.

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Perguntas Frequentes sobre Deep Space Nine no Século 32

Em qual episódio de Discovery aparece Deep Space Nine no mapa?

A estação aparece no mapa estelar do episódio “Lagrange Point” (5×09), exibido em maio de 2024. A cena mostra um gráfico do Quadrante Alfa do ano 3191, onde DS9 e Bajor são visíveis como pontos azuis próximos a Trill.

Onde assistir Star Trek: Academia da Frota Estelar no Brasil?

A série está disponível exclusivamente no Paramount+ desde janeiro de 2026. Não há previsão de chegada a outras plataformas de streaming.

Em que ano se passa Academia da Frota Estelar?

A série se passa em 3195, quatro anos após os eventos finais de Star Trek: Discovery (que termina em 3191) e aproximadamente 800 anos após os eventos de Deep Space Nine (século 24).

Quem é a nova Emissária em Academia da Frota Estelar?

A cadete Kasqiana, interpretada por Kerrice Brooks, assume o papel de Emissária de seu povo no episódio 5. Diferente de Benjamin Sisko, ela não é escolhida pelos Profetas de Bajor, mas descobre uma conexão espiritual ancestral que a coloca como mediadora entre seu povo e o futuro.

DS9 aparece fisicamente em Academia da Frota Estelar ou só no mapa?

Até o episódio 5, a estação aparece apenas nas referências e no contexto histórico. Não há cenas mostrando a estrutura fisicamente, mas o legado de DS9 é central para o arco da nova Emissária e da Professora Dax. A existência física foi confirmada apenas pelo mapa de Discovery.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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