De Janeway a Holly Hunter: o legado das capitãs em ‘Star Trek’

De Janeway a Holly Hunter, analisamos como as capitãs de Star Trek deixaram de ser exceções para se tornarem o alicerce da franquia. Descubra como cada comandante, de Voyager a Starfleet Academy, redefiniu o que significa liderar na fronteira final.

Quando Kate Mulgrew assumiu o comando da USS Voyager em 1995, ela não estava apenas interpretando uma personagem — estava carregando o peso de uma franquia de quase 30 anos que nunca havia colocado uma mulher no centro absoluto de sua narrativa. Três décadas depois, as capitãs de Star Trek deixaram de ser a ‘escolha ousada’ da temporada para se tornarem a espinha dorsal do cânone. A chegada de Holly Hunter em ‘Star Trek: Starfleet Academy’ não é apenas mais uma contratação; é a consagração de um legado que Janeway começou a martelar no Quadrante Delta.

A capitã que o tempo esqueceu (e a que a timeline escondeu)

A capitã que o tempo esqueceu (e a que a timeline escondeu)

Antes de falarmos de Janeway, precisamos fazer justiça à Madge Sinclair. Em ‘Star Trek IV: A Volta para Casa’ (1986), ela apareceu por breves segundos como a comandante da USS Saratoga. Sem nome, sem diálogos extensos, mas com um impacto visual sísmico: era a primeira mulher negra em uma cadeira de comando. É o tipo de detalhe que define a franquia — a representatividade existindo no fundo antes de tomar o palco principal.

E para os puristas da cronologia, um lembrete: tecnicamente, a primeira capitã da Frota Estelar não foi Janeway, mas Erika Hernandez (Ada Maris) em ‘Star Trek: Enterprise’. No século 22, Hernandez comandava a NX-02 Columbia enquanto James T. Kirk era apenas um conceito teórico. É uma distinção técnica, claro, mas que mostra como a semente do comando feminino foi plantada retroativamente para dar profundidade à história da Federação.

Kathryn Janeway: autoridade temperada com café negro

Vamos ser diretos: sem Janeway, este artigo não existiria. Kate Mulgrew trouxe para a tela algo que Geneviève Bujold (a primeira escolha, que desistiu após dois dias de filmagem) dificilmente alcançaria: uma mistura de cientista pragmática com uma capitã que não hesitaria em explodir uma nebulosa se isso trouxesse seu povo para casa. A atuação de Mulgrew era física; a forma como ela segurava a xícara de café ou cruzava os braços exalava uma autoridade que nunca precisava ser gritada.

O que torna Janeway única é que ela foi a primeira a operar sem a rede de segurança da Federação. Enquanto Picard tinha o Conselho e Sisko tinha os Profetas, Janeway tinha apenas seus princípios — e ela os dobrou quando foi necessário salvar sua tripulação. Essa ‘ética de sobrevivência’ humanizou a capitã de uma forma que as séries anteriores raramente permitiam aos seus líderes.

Carol Freeman e a subversão da ‘California-class’

‘Star Trek: Lower Decks’ fez pela franquia o que nenhuma série live-action conseguiu: rir de si mesma sem perder o respeito. No centro disso está Carol Freeman. Frequentemente ignorada por comandar a USS Cerritos — uma nave de ‘segundo contato’ que a Frota trata como suporte básico — Freeman é a prova de que liderança não depende do prestígio da nave.

Ela detém um título histórico que muitos fãs ignoram: Freeman foi a primeira capitã negra a protagonizar sua própria série (estreando em 2020), chegando meses antes da promoção oficial de Michael Burnham. Sua dinâmica de comando, equilibrando crises diplomáticas absurdas com a rebeldia de sua filha, Mariner, trouxe uma camada de ‘maternidade sob pressão’ inédita e necessária ao gênero.

Michael Burnham: a jornada da redenção ao comando

Se Janeway era a capitã da estabilidade, Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) é a capitã da evolução. Nenhuma outra personagem em ‘Star Trek’ percorreu um arco tão extremo: de mutineira condenada a salvadora do multiverso. A crítica muitas vezes focou no choro ou na emoção de Burnham, mas isso ignora o ponto central de ‘Discovery’: a desconstrução do capitão estoico e perfeito.

Quando Burnham finalmente assume a cadeira na quarta temporada, ela não é apenas uma oficial; ela é uma líder que entende o trauma, a perda e a necessidade de conexão. Em um século 32 onde a Federação estava em ruínas, Burnham não liderou por protocolo, mas por inspiração. Foi a primeira vez que vimos o comando ser exercido através da empatia radical.

Holly Hunter e o prestígio da Academia

A escalação de Holly Hunter como a Capitã Nahla Ake em ‘Starfleet Academy’ muda o patamar da franquia. Ter uma vencedora do Oscar no comando de uma série de TV de ‘Star Trek’ sinaliza que o gênero saiu definitivamente do nicho ‘sci-fi’ para o drama de prestígio. Ake não é apenas uma capitã; ela é uma Lanthanita de 422 anos (a mesma espécie da Pelia em ‘Strange New Worlds’), o que significa que ela carrega séculos de história humana e alienígena.

Sua nave, a USS Athena, funciona como um campus móvel. É uma escolha de design brilhante: permite que a série explore o ambiente acadêmico sem sacrificar a exploração espacial. Ake representa a síntese de todas as capitãs anteriores — a sabedoria de Janeway, a resiliência de Freeman e a visão de Burnham — aplicada à formação dos futuros líderes que, um dia, ocuparão essas mesmas cadeiras.

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Perguntas Frequentes sobre as Capitãs de Star Trek

Quem foi a primeira capitã a protagonizar uma série de Star Trek?

Kathryn Janeway (Kate Mulgrew) foi a primeira, liderando ‘Star Trek: Voyager’ por sete temporadas, de 1995 a 2001.

Qual é o papel de Holly Hunter em Star Trek?

Holly Hunter interpreta a Capitã Nahla Ake em ‘Star Trek: Starfleet Academy’. Ela é a Chanceler da Academia e comanda a nave USS Athena.

Michael Burnham é a primeira capitã negra de Star Trek?

Não. Cronologicamente na produção, a Capitã Carol Freeman (Lower Decks) estreou em 2020, enquanto Burnham foi promovida em 2021. No cânone live-action, Madge Sinclair apareceu como capitã da USS Saratoga em 1986.

Onde assistir à série da Capitã Janeway?

Todas as sete temporadas de ‘Star Trek: Voyager’ estão disponíveis no catálogo da Netflix e do Paramount+.

O que é uma Lanthanita, a espécie da capitã de Holly Hunter?

Lanthanitas são uma espécie alienígena que viveu infiltrada na Terra por séculos devido à sua longevidade extrema. A personagem de Holly Hunter tem mais de 400 anos.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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