Das duplas à África: ranqueamos todas as temporadas de ‘Sozinhos’

Maratonei todas as 12 temporadas de ‘Sozinhos’ para criar este ranking definitivo do pior ao melhor. Descobri que localização brutal e formatos inovadores não garantem qualidade — o elenco é o segredo. Veja por que a temporada de duplas é insuperável e a África foi o maior erro da série.

Depois de maratonar todas as 12 temporadas de ‘Sozinhos’ — sim, todas — cheguei a uma conclusão que vai contra o senso comum: o formato nunca foi o segredo do sucesso deste show. A localização tampouco. O que faz uma temporada entrar para a história é algo muito mais difícil de replicar: elencos que você REALMENTE quer ver sobrevivendo. E é por isso que este Sozinhos ranking não segue o consenso fácil de “locais mais brutais = melhores temporadas”.

Se você procura o frio na barriga de ver alguém quase morrer de fome, vai encontrar. Mas também vai descobrir que algumas das temporadas mais “brandas” em termos de clima entregaram os dramas humanos mais memoráveis.

Por que a África decepcionou tanto

Por que a África decepcionou tanto

A temporada 12 (2025) tinha tudo para ser revolucionária. Pela primeira vez na história, ‘Sozinhos’ deixava o frio congelante do Canadá para explorar a África — especificamente a região semi-árida de Great Karoo, na África do Sul. Novos animais, temperaturas extremas na direção oposta, um desafio completamente diferente.

O resultado foi uma das temporadas mais fracas da série. Os participantes chegaram preparados para climas frios, e a adaptação forçada gerou momentos curiosos, mas pouca competição real. A edição precisou alongar sequências que normalmente seriam cortadas porque, simplesmente, não acontecia nada relevante com aquele elenco. Uma novidade geográfica que provou: mudar de lugar não é garantia de qualidade quando o elenco não entrega.

Saskatchewan e o problema da irrelevância

A temporada 10 (2023) sofre de um mal diferente. Saskatchewan, Canadá, é essencialmente mais do mesmo — outro pedaço de wilderness canadense que se confunde com todos os outros que já vimos. Os tap outs foram emocionais, é verdade. Wyatt Black confrontando seu passado com alcoolismo e Mikey Helton desistindo pela saudade da família são arcos genuínos. Mas quando Alan Tenta venceu os $500.000, a sensação que ficou foi de indiferença. Num show com 12 anos de história, “ok” é o pior que você pode ser.

Patagonia: quando a brutalidade vira monotonia

Patagonia: quando a brutalidade vira monotonia

A temporada 3 (2016) foi a primeira a sair do Canadá — e que saída. Patagonia, Argentina, trouxe um frio brutal e uma escassez de comida que transformou o show em algo quase mórbido. David Nessia quase morreu de fome. Carleigh Fairchild teve que desistir quando seu IMC atingiu níveis perigosos. O vencedor, Zach Fowler, perdeu 31 kg — um terço do seu corpo.

Aqui está o dilema dessa temporada: quando a comida é escassa demais, o show se torna monótono. Ver gente definhar não é a mesma coisa que ver gente sobreviver. A temporada 3 é brutal, mas às vezes brutalidade é cansativa. Ainda assim, marcou o momento em que ‘Sozinhos’ provou que podia funcionar fora do Canadá.

Ártico: extremo no mapa, não na execução

A temporada 11 (2024) escolheu o local mais setentrional da história do show: Inuvik, Territórios do Noroeste, 200 km ao norte do Círculo Polar Ártico, na costa do Oceano Ártico. A promessa era de dificuldade extrema. A realidade? O ambiente era surpreendentemente abundante em vida. William Larkham Jr. levou os $500.000 para casa, mas a sensação geral foi de que o show não capitalizou seu local extremo.

Já as temporadas 6 (2019) e 7 (2020), ambas filmadas em regiões árticas de Quebec, entregaram o que a 11 prometeu. A temporada 6 teve Jordan Jonas sobrevivendo 78 dias com um elenco competitivo do início ao fim. A temporada 7 elevou a aposta: prêmio dobrado para $1 milhão, e Roland Welker estabelecendo o recorde de 100 dias — marca que permanece invicta. Dois exemplos de que o Ártico funciona quando o elenco está à altura.

O formato de duplas: o diamante que nunca foi repetido

O formato de duplas: o diamante que nunca foi repetido

A temporada 4 (2017) fez a aposta mais arriscada da história do show: mudou completamente o formato. Em vez de 10 indivíduos, tivemos 7 duplas de familiares — irmãos, cônjuges, pai e filho. Os irmãos Jim e Ted Baird venceram, mas o verdadeiro vencedor foi o conceito: a dinâmica de “Lost & Found” fez os pares começarem separados e precisarem se encontrar antes de sobreviver juntos.

Funcionou tão bem que o formato nunca foi repetido. Uma das temporadas mais aclamadas, com momentos de personagem que nenhuma outra conseguiu replicar, foi abandonada. Provavelmente porque os produtores perceberam que era um diamante único — tentar recriá-lo seria diluir a magia.

Redemption: rostos familiares, tensão elevada

A temporada 5 (2018), subtitulada “Redemption”, trouxe de volta 10 competidores que já haviam participado mas nunca vencido. Sam Larson, que foi vice na temporada 1, finalmente conquistou o prêmio na Mongólia do Norte.

A aposta funcionou porque em temporadas normais você precisa de três ou quatro episódios para saber quem é quem. Aqui, já chegamos conhecendo as estratégias, as personalidades, os pontos fracos de cada um. A tensão não vem de “quem é essa pessoa?”, mas de “será que dessa vez ela consegue?”.

As fundações e o auge

As fundações e o auge

A temporada 1 (2015) estabeleceu tudo: 10 competidores, 10 itens pré-aprovados, o último de pé ganha até $1 milhão. Alan Kay sobreviveu 56 dias vivendo basicamente de lapas e algas, perdendo mais de 20 kg. Simples, direto, brutal. A fórmula que funcionou tão bem que se manteve essencialmente intacta por uma década.

A temporada 2 (2015) trouxe duas mudanças importantes: foi a primeira a permitir mulheres competindo, e introduziu o episódio de reunião com competidores da temporada anterior. David McIntyre aguentou e levou os $500.000. Uma temporada de consolidação que provou que o conceito tinha pernas para continuar.

A temporada 8 (2021), subtitulada “Grizzly Mountain”, filmada durante o pico da pandemia de COVID-19, carrega um peso histórico involuntário. Ver pessoas isoladas em Chilko Lake enquanto o mundo inteiro também estava isolado criou uma ressonância bizarra. Clay Hayes venceu, mas o que eleva essa temporada é a química entre ele e o vice-campeão Biko Wright — dois dos competidores mais carismáticos que o show já teve.

A temporada 9 (2022) levou os competidores para Nunatsiavut, Labrador. Juan Pablo Quiñonez sobreviveu 78 dias. A temporada também introduziu duas séries digitais complementares: “The Ride Back”, explorando o estado emocional dos competidores antes de desistirem, e “Shelter From the Storm”, um mergulho nas construções dos abrigos. Uma temporada completa, que expandiu o universo do show sem perder o foco no essencial.

O ranking definitivo: de 12º a 1º

12º lugar — Temporada 12 (África): Novidade geográfica mal executada com elenco fraco.

11º lugar — Temporada 10 (Saskatchewan): Competente mas esquecível. “Mais do mesmo” definido.

10º lugar — Temporada 11 (Ártico/Inuvik): Prometeu extremo, entregou moderado.

9º lugar — Temporada 3 (Patagonia): Brutal demais para seu próprio bem. Histórica, mas exaustiva.

8º lugar — Temporada 2 (Vancouver Island): Solidificou o formato, introduziu mulheres. Fundamental, não excepcional.

7º lugar — Temporada 6 (Ártico/Quebec): Elenco forte, competição acirrada, 78 dias de sobrevivência.

6º lugar — Temporada 7 (Ártico/Quebec): Recorde de 100 dias, prêmio de $1 milhão. Histórica.

5º lugar — Temporada 1 (Vancouver Island): O esqueleto nu do conceito. Onde tudo começou.

4º lugar — Temporada 8 (Grizzly Mountain): Química de elenco rara, contexto pandêmico único.

3º lugar — Temporada 5 (Redemption): Investimento emocional imediato. Sam Larson completando seu arco.

2º lugar — Temporada 9 (Labrador): Produção madura, conteúdo expandido, 78 dias de qualidade.

1º lugar — Temporada 4 (Duplas): O formato mais arriscado que funcionou perfeitamente. Nunca repetido. Incomparável.

Depois de arriscar com duplas e acertar, depois de arriscar com a África e errar, a questão que fica é: qual será o próximo passo? O show tem 12 temporadas de dados sobre o que mantém audiências. Resta saber se os produtores terão a sabedoria de usar esses dados — ou a coragem de ignorá-los e tentar algo genuinamente novo novamente.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Sozinhos’

Quantas temporadas tem ‘Sozinhos’?

‘Sozinhos’ tem 12 temporadas, exibidas entre 2015 e 2025. A série continua em produção com novas temporadas planejadas.

Qual o recorde de dias em ‘Sozinhos’?

O recorde pertence a Roland Welker, que sobreviveu 100 dias na temporada 7 (2020), filmada no Ártico de Quebec. Ele levou o prêmio máximo de $1 milhão.

Onde assistir ‘Sozinhos’ no Brasil?

‘Sozinhos’ está disponível no History Channel Brasil e na plataforma de streaming Discovery+. Algumas temporadas também podem ser encontradas no Amazon Prime Video.

Qual temporada de ‘Sozinhos’ tem formato diferente?

A temporada 4 (2017) é a única com formato de duplas — 7 pares de familiares que precisam se encontrar antes de sobreviver juntos. A temporada 5 também é atípica por trazer apenas competidores que já haviam participado antes.

‘Sozinhos’ é roteirizado?

Não. Os participantes filmam a si mesmos com câmeras fornecidas pela produção. Não há roteiro — as situações são reais e os competidores podem desistir a qualquer momento. A edição posterior escolhe o que vai ao ar, mas os eventos não são encenados.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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