‘Custe o que Custar’: A nova série de Harlan Coben vale a maratona?

Analisamos por que ‘Custe o que Custar’ se destaca entre as dez adaptações de Harlan Coben na Netflix. Com atuações viscerais de James Nesbitt e Minnie Driver, a série equilibra a fórmula clássica do autor com um rigor técnico que justifica seus 83% de aprovação.

Harlan Coben consolidou um fenômeno raro na Netflix: ele não é apenas um autor adaptado, mas uma grife de confort thriller. Com dez produções no catálogo, o espectador já sabe o que esperar: segredos suburbanos, passados que batem à porta e reviravoltas que desafiam a lógica em prol do entretenimento. ‘Custe o que Custar’ Netflix chega para abrir 2026 tentando provar que, mesmo dentro de uma fórmula rígida, ainda há espaço para excelência dramática.

O fator James Nesbitt e a gravidade de Minnie Driver

O fator James Nesbitt e a gravidade de Minnie Driver

O que muitas vezes separa as adaptações medíocres de Coben (como ‘Caught’) das memoráveis (como ‘Não Fale com Estranhos’) é o peso do elenco. Em ‘Custe o que Custar’, a escalação de James Nesbitt é um acerto estratégico. Nesbitt, veterano de thrillers britânicos viscerais como ‘The Missing’, traz uma vulnerabilidade nervosa ao papel do pai que busca a filha desaparecida. Ele não interpreta o herói de ação improvável; ele interpreta o homem comum à beira de um colapso nervoso.

Minnie Driver complementa essa dinâmica com uma sobriedade que ancora os momentos mais absurdos da trama. Enquanto o roteiro acelera em direções por vezes rocambolescas, a performance de Driver mantém o núcleo emocional da série intacto. É essa humanidade que faz com que os 83% de aprovação iniciais pareçam justos: a série se importa mais com o trauma da perda do que apenas com o choque da revelação.

A anatomia do suspense: Ritmo vs. Substância

Diferente de ‘A Grande Ilusão’, que sofria com um inchamento narrativo evidente para preencher seus episódios, ‘Custe o que Custar’ utiliza seus oito capítulos com precisão cirúrgica. A cinematografia opta por tons frios e enquadramentos que isolam os personagens, reforçando a paranoia de que ninguém na vizinhança é realmente confiável. Uma cena específica no terceiro episódio — um confronto silencioso em um estacionamento — demonstra como a direção de som substitui a trilha intrusiva pelo ruído ambiente para elevar a tensão física.

A série entende que o mistério de Coben funciona melhor quando é tratado com a seriedade de um drama policial britânico, evitando os excessos melodramáticos que prejudicaram produções como ‘Que Falta Você Me Faz’. Aqui, o ‘Coben-verse’ parece ter encontrado seu equilíbrio técnico mais refinado desde ‘Fique Comigo’.

Onde ‘Custe o que Custar’ se posiciona no ranking da Netflix

Para o espectador que busca situar esta nova entrada no vasto catálogo do autor, a hierarquia permanece clara. ‘The Innocent’ (Espanha) continua sendo a obra-prima de complexidade, seguida de perto por ‘Fique Comigo’. ‘Custe o que Custar’ Netflix se acomoda confortavelmente no pelotão de frente, superando ‘Safe’ e ‘O Inocente’ em termos de coesão narrativa.

O grande mérito desta adaptação é não tentar reinventar a roda. Ela aceita as convenções do gênero — incluindo as coincidências convenientes típicas de Coben — mas as executa com um rigor técnico e atuações que elevam o material base. É uma série que respeita o tempo do espectador, entregando ganchos eficientes ao final de cada hora sem parecer artificial.

Veredito: Vale o seu tempo no sofá?

Se você é fã da estrutura clássica do autor, a resposta é um sim entusiasmado. ‘Custe o que Custar’ é a melhor forma de começar o ano para quem aprecia um quebra-cabeça bem montado. Para os novatos, é uma porta de entrada superior à maioria das séries de suspense genéricas da plataforma.

A série não busca a profundidade existencial de um ‘Mindhunter’, mas entende perfeitamente seu papel como entretenimento de alta qualidade. No mar de conteúdos descartáveis, ter uma obra que domina o artesanato do suspense como esta é um alento para os órfãos de um bom mistério de domingo à noite.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Custe o que Custar’

Qual a história de ‘Custe o que Custar’ na Netflix?

A série acompanha a busca desesperada de um pai (James Nesbitt) por sua filha desaparecida, o que acaba revelando uma rede de assassinatos e segredos familiares enterrados há décadas.

A série é baseada em qual livro de Harlan Coben?

‘Custe o que Custar’ é a adaptação do best-seller ‘Run Away’ (publicado no Brasil como ‘Custe o que Custar’), lançado originalmente em 2019.

Preciso assistir às outras séries de Harlan Coben antes desta?

Não. Embora façam parte do mesmo acordo de produção com a Netflix, as histórias são independentes e não compartilham personagens ou universos conectados.

Quantos episódios tem a minissérie?

A minissérie possui 8 episódios, com duração média de 45 a 55 minutos cada, todos disponíveis na Netflix.

‘Custe o que Custar’ terá uma segunda temporada?

Como a maioria das adaptações de Coben, esta foi planejada como uma minissérie com final fechado, portanto, uma segunda temporada é improvável.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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