‘Confiança’: o suspense com Sophie Turner que divide opiniões no streaming

Analisamos o paradoxo de ‘Confiança’, o thriller com Sophie Turner que fracassou nos cinemas, mas virou hit no Paramount+. Descubra se a atuação da atriz salva o roteiro frágil e por que este filme se tornou o novo fenômeno do streaming em 2026.

Existe um tipo de filme que os críticos destroem, o público ignora nos cinemas, mas que de repente aparece dominando o streaming. ‘Confiança’ (Trust), o thriller estrelado por Sophie Turner, é o exemplo perfeito desse fenômeno em 2026 — onde o comportamento do algoritmo importa mais do que a qualidade da obra.

Com uma bilheteria pífia de apenas $368 mil em sua estreia nos cinemas em agosto de 2025, o longa parecia destinado ao limbo dos arquivos digitais. No entanto, ao aterrissar no Paramount+, o cenário mudou: o filme escalou o top 3 mundial, competindo diretamente com blockbusters como ‘Mission: Impossible — The Final Reckoning’. Como um projeto com apenas 21% de aprovação no Rotten Tomatoes alcança esse feito? A resposta está na curiosidade gerada pelo elenco e na facilidade do consumo doméstico.

A premissa: Sophie Turner contra o mundo (e um roteiro frágil)

A premissa: Sophie Turner contra o mundo (e um roteiro frágil)

Em ‘Confiança’, Turner interpreta uma estrela de Hollywood que, após um cancelamento público devastador, busca refúgio em uma cabana isolada. O isolamento, clichê clássico do gênero, logo se transforma em um jogo de gato e rato quando ela percebe que sua rede de apoio — incluindo o homem em quem depositava sua segurança — tem intenções sombrias.

A diretora Carlson Young, que chamou atenção anteriormente pelo surrealismo visual de ‘The Blazing World’, tenta trazer uma estética mais refinada para este suspense. O problema é que a direção de arte e a fotografia fria não conseguem mascarar um roteiro que se perde em conveniências narrativas. O elenco, que conta com nomes de peso como Billy Campbell e Katey Sagal, parece subutilizado, operando em um piloto automático que o material infelizmente exige.

Por que a crítica massacrou o filme?

Vou ser direto: 21% de aprovação não é apenas uma nota baixa, é um sinal de alerta técnico. O consenso crítico aponta para um suspense que não sustenta a tensão. Há momentos em que o filme tenta ser profundo sobre a cultura do cancelamento, mas acaba caindo em diálogos expositivos que beiram o involuntariamente cômico.

Um exemplo claro ocorre no segundo ato, onde uma ‘revelação’ sobre o passado da protagonista é entregue com tanta falta de sutileza que quebra qualquer imersão. Quando o espectador ri em uma cena que deveria causar pavor, o thriller falha em sua missão primordial. No entanto, o score de audiência de 53% mostra que metade do público está disposta a ignorar esses furos em troca de um entretenimento rápido e sem compromisso intelectual.

O fator Sophie Turner: o brilho em meio ao mediano

O fator Sophie Turner: o brilho em meio ao mediano

Se há um motivo real para dar o play em ‘Confiança’, é a própria Sophie Turner. Desde o fim de ‘Game of Thrones’, a atriz tem lutado para encontrar projetos que desafiem sua capacidade dramática. Aqui, ela entrega uma performance física e emocional que o roteiro de Gigi Levangie mal consegue acompanhar.

Turner consegue transmitir a vulnerabilidade de uma mulher acuada e a fúria de quem não tem mais nada a perder. É uma atuação que merecia um filme melhor estruturado. Ela carrega o longa nas costas, transformando cenas genéricas de perseguição em momentos de quase-tensão graças à sua presença de tela. É o clássico caso de ‘atriz excelente em filme medíocre’.

O fenômeno do streaming: o algoritmo é o novo crítico

O sucesso de ‘Confiança’ no Paramount+ em 21 países revela uma mudança drástica no consumo de cinema. No streaming, a barreira de entrada é mínima. Você não precisa gastar com ingressos ou estacionamento; basta uma thumbnail atraente com um rosto conhecido. O filme funciona como um ‘background noise’ de luxo: visualmente polido, com atores famosos, mas que não exige atenção total.

Plataformas como Paramount+ e Netflix entenderam que thrillers de médio orçamento, mesmo os mal avaliados, geram retenção. Eles preenchem a lacuna do entretenimento de sexta à noite. ‘Confiança’ não precisa ser um ‘O Silêncio dos Inocentes’; ele só precisa ser mais interessante do que o próximo item da lista de recomendações.

Veredito: Vale a pena assistir?

Se você busca um suspense revolucionário ou uma análise profunda sobre fama e traição, ‘Confiança’ será uma decepção. Entretanto, se você é fã de Sophie Turner e quer um thriller previsível, mas visualmente competente para passar o tempo, o filme cumpre esse papel funcional.

No Brasil, o título pode ser encontrado no catálogo do Paramount+ ou para aluguel em plataformas como Prime Video. No fim das contas, ‘Confiança’ é menos sobre cinema e mais sobre como o rosto certo, no momento certo, pode transformar um fracasso de crítica em um hit de audiência digital.

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Perguntas Frequentes sobre o filme ‘Confiança’

Onde assistir ao filme ‘Confiança’ com Sophie Turner?

O filme está disponível no catálogo do Paramount+ em diversos países. No Brasil, ele também pode ser encontrado para aluguel digital em plataformas como Prime Video e Apple TV.

‘Confiança’ é baseado em uma história real?

Não, o roteiro assinado por Gigi Levangie é uma obra de ficção, embora utilize temas contemporâneos como a cultura do cancelamento e o isolamento social para construir sua trama de suspense.

Qual a classificação indicativa do filme?

O filme possui classificação indicativa para maiores de 16 anos, devido a cenas de violência, tensão psicológica e linguagem adulta.

Por que o filme tem notas tão baixas no Rotten Tomatoes?

A maioria dos críticos apontou problemas no roteiro, como reviravoltas previsíveis e falta de profundidade no desenvolvimento dos personagens secundários, apesar de elogiarem a atuação de Sophie Turner.

Vale a pena assistir ‘Confiança’?

Depende do seu objetivo. Se você busca um suspense leve para passar o tempo e gosta do trabalho de Sophie Turner, o filme é um entretenimento passável. Para quem busca um thriller de alta qualidade técnica, há opções melhores no gênero.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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