‘Confiança’: Lauren sobrevive? O final explicado e a verdade sobre Peter

Analisamos o final de ‘Confiança’ e como a sobrevivência de Lauren expõe as falhas do roteiro. Entenda a verdade sobre Peter, o destino dos ladrões e por que o filme hesita entre ser um thriller de sobrevivência e uma crítica social ao poder em Hollywood.

Vou ser direto: ‘Confiança’ final explicado não é tão complexo quanto a direção tenta sugerir. O thriller, que coloca Sophie Turner em uma situação de vulnerabilidade extrema, constrói tensão por quase duas horas para entregar respostas que oscilam entre o frustrante e o contraditório. Não se trata de ambiguidade artística, mas de uma exposição das fragilidades do próprio roteiro em equilibrar suspense e mensagem social.

Assistir ao filme esperando um thriller de sobrevivência visceral revela um problema de ritmo: a protagonista passa metade da projeção presa em um closet de água com as ferramentas necessárias para escapar, mas demora dois dias para pensar em remover as dobradiças da porta. Essa passividade narrativa é o que define ‘Confiança’ — uma obra com boas intenções temáticas que tropeça na execução técnica.

A sobrevivência de Lauren: Agência ou pura sorte?

Sim, Lauren sobrevive, mas a mecânica de sua fuga é um dos pontos mais divisivos do longa. Embora o filme tente se vender como uma jornada de empoderamento, a sobrevivência da protagonista depende quase inteiramente de fatores externos que ela não controla. Lauren fica confinada quando ladrões invadem o Airbnb e um cano estoura, transformando o closet em uma armadilha mortal.

Sua vida é poupada não por sua astúcia inicial, mas por uma sucessão de acasos: a autopreservação de Darren, a mira imprecisa de Merg e, crucialmente, a intervenção de Loretta guiada pelo cachorro Georgie. Lauren só assume o protagonismo de sua sobrevivência nos minutos finais, ao remover as dobradiças e enfrentar o assassino enviado por Peter. Fica a dúvida: sem a ajuda externa, o filme terminaria em tragédia ou o roteiro encontraria outra conveniência?

Quem é o pai do bebê? A face predatória de Peter

O coração sombrio de ‘Confiança’ reside na revelação sobre Peter. Ele é o pai do bebê, e a natureza dessa gravidez é o ponto mais pesado da trama. O filme utiliza o conceito de grooming — o processo de manipulação e isolamento de uma vítima — para mostrar como Peter usou sua posição de poder para coagir Lauren.

A decisão de Lauren de esconder a gravidez reflete o medo real de vítimas de homens poderosos em Hollywood: o escrutínio público e o julgamento institucional. O vazamento das fotos não é apenas uma quebra de privacidade, é o roubo da única coisa que Lauren ainda possuía: o controle sobre sua própria dor. Peter não é apenas um antagonista; ele é o sistema que o filme tenta criticar.

O destino dos ladrões: Uma espiral de violência evitável

Merg e Darren servem como o elemento de caos na narrativa. Suas mortes são o resultado de uma ‘estupidez narrativa’ deliberada. Eles poderiam ter saído ilesos, mas a ganância e o sadismo de Merg prolongam a estadia no Airbnb, levando ao confronto com Marcus.

A espiral de violência que se segue — Merg matando Marcus e depois morrendo por uma bala que ricocheteia no metal da porta — parece uma tentativa de punição cármica. Darren, por sua vez, encontra seu fim nas mãos de Kroft, o hitman profissional. No fim, os ladrões são apenas distrações para o verdadeiro vilão da história, servindo para aumentar o body count sem adicionar profundidade real à trama principal.

Justiça ou aparência? O que a prisão de Peter significa

A cena final mostra a polícia detendo Peter no set de filmagem, mas ‘Confiança’ mantém uma ambiguidade cínica aqui. Não fica claro se ele responderá pela contratação do assassino ou pelos crimes sexuais. Mais importante: o filme sugere, através de sua montagem, que meses se passaram e Peter continuou trabalhando normalmente até aquele momento.

Essa escolha de direção é um comentário sobre a indústria: predadores costumam ser protegidos enquanto são lucrativos. A prisão pode ser um triunfo para Lauren, mas o filme se esquiva de afirmar se haverá uma condenação real. É um final que exige que o espectador decida se acredita na justiça sistêmica ou se aceita a realidade mais amarga de que, para homens como Peter, as consequências são muitas vezes temporárias.

O veredito: Retomada de poder em um roteiro passivo

No encerramento, Lauren posta uma foto confirmando a gravidez e retomando a narrativa. É o momento em que ela deixa de ser o objeto da especulação alheia para se tornar o sujeito de sua própria história. É uma mensagem válida de empoderamento, mas que chega após 80% de um filme que a tratou apenas como uma vítima em perigo.

‘Confiança’ funciona como entretenimento de suspense em momentos isolados — especialmente no uso da iluminação claustrofóbica do closet, que remete a clássicos como ‘O Quarto do Pânico’ —, mas falha ao não dar à sua protagonista a inteligência que o tema exigia. Se você busca catarse, o final entrega o básico, mas a jornada até lá é marcada por conveniências que enfraquecem o impacto emocional.

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Perguntas Frequentes sobre o final de ‘Confiança’

Lauren realmente sobrevive no final de ‘Confiança’?

Sim, Lauren consegue escapar do closet após remover as dobradiças da porta e sobrevive ao confronto final com o assassino enviado por Peter, contando com a ajuda de Loretta.

Quem é o verdadeiro pai do bebê de Lauren?

Peter é confirmado como o pai do bebê. O filme revela que ele usou sua posição de poder para manipular Lauren em uma relação abusiva (grooming).

O que acontece com o cachorro Georgie?

Georgie sobrevive e é fundamental para o resgate, pois leva Loretta até o Airbnb onde Lauren estava presa.

Peter é condenado no final do filme?

O filme mostra Peter sendo preso no set de filmagem, mas deixa em aberto se ele será condenado ou se sua influência em Hollywood o protegerá de uma sentença severa.

‘Confiança’ é baseado em uma história real?

Não, o filme é uma obra de ficção, embora utilize temas reais como a cultura do cancelamento, invasão de privacidade e os movimentos de denúncia contra predadores na indústria do entretenimento.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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