‘Como Se Fosse a Primeira Vez’: filme de Adam Sandler ganha sexto remake internacional

O remake tailandês de ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ marca a sexta adaptação internacional do filme de Adam Sandler. Conectamos o novo projeto ao sucesso de ‘Como Ganhar Milhões Antes que a Vovó Morra’ e mapeamos todas as versões globais da comédia romântica em quatro continentes.

Há filmes que nascem culturalmente específicos e morrem ali. Outros carregam uma estrutura narrativa tão universal que atravessam fronteiras com facilidade — e ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ provou pertencer a esse segundo grupo de forma impressionante. Em março de 2026, a notícia oficial do Como Se Fosse a Primeira Vez remake tailandês confirma o que os números já sugeriam: a comédia romântica de Adam Sandler e Drew Barrymore tornou-se um dos filmes hollywoodianos mais adaptados globalmente do século 21.

O que torna este remake diferente dos anteriores

O que torna este remake diferente dos anteriores

A produtora Vanridee Pongsittisak não é um nome aleatório no circuito internacional. Ela está por trás de ‘How to Make Millions Before Grandma Dies’ (Como Ganhar Milhões Antes que a Vovó Morra), fenômeno tailandês que atravessou as fronteiras asiáticas e conquistou audiências ocidentais em 2024 — feito raro para produções não-inglesas fora do circuito de festivais.

Em entrevista à Variety, Pongsittisak admitiu que ‘nunca teve real interesse em fazer remakes’, mas abriu exceção por uma razão simples: genuinamente ama o filme original. Essa declaração carrega peso. Quando um produtor se conecta emocionalmente com o material fonte, as chances de o resultado ser um produto respeitoso — e não uma cópia mercenária — aumentam drasticamente.

A colaboração entre a GDH 559 (empresa de Pongsittisak) e a Sony Pictures International Productions também sinaliza ambição. A Sony distribuiu o original em 2004, o que significa acesso limpo aos direitos e compreensão do que fez o filme funcionar comercialmente duas décadas atrás.

Por que a premissa de amnésia funciona como material de remake

Assistir ao filme original hoje revela algo curioso: a premissa de amnésia anterógrada — onde a personagem de Drew Barrymore reinicia sua memória a cada dia — é alta conceito, mas o longa se apoia pesadamente em elementos culturais específicos do Havaí. A família de aquacultura, a comunidade local, o humor derivado das tentativas de Henry (Sandler) de conquistar Lucy dia após dia — tudo isso tem cor local.

E exatamente aí reside o segredo da adaptabilidade. A estrutura central — homem se apaixona por mulher que não consegue lembrar dele, precisa reconquistá-la diariamente — funciona como esqueleto narrativo robusto. Mas a ‘carne’ do filme, os detalhes que dão vida à história, podem ser completamente reinventados para cada cultura.

Pongsittisak prometeu que o remake tailandês será ‘atualizado de formas que o farão parecer uma verdadeira história tailandesa’. Isso é reconhecimento de que o que funcionou no Havaí de 2004 precisa ser reconstruído para a Tailândia de 2026 — não apenas traduzido.

Seis adaptações em quatro continentes: o mapeamento completo

Seis adaptações em quatro continentes: o mapeamento completo

A bilheteria de US$ 198,5 milhões contra orçamento de US$ 75 milhões provou que a fórmula tinha apelo comercial. Mas o que surpreende é a diversidade geográfica das adaptações que se seguiram:

O Irã foi o primeiro país a adaptar o material, em 2005, com ‘Chap dast’ — apenas um ano após o original. A rapidez sugere que a premissa ressoou imediatamente além das fronteiras americanas, algo incomum para comédias românticas mainstream da época.

A Índia revisitou o conceito duas vezes: primeiro em telugo com ‘Satyabhama’ (2007), depois em malaiala com ‘Ormayundo Ee Mukham’ (2014). A duplicação indiana não é surpreendente — o país produz cinema em múltiplas línguas para públicos distintos, e histórias de amor com reviravoltas têm apelo transversal no subcontinente.

O Japão lançou ’50 First Kisses’ em 2018, mantendo o título em inglês mas recontextualizando completamente a história para Tóquio. E o México produziu sua própria versão em 2019, simplesmente intitulada ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ — mantendo até o título em espanhol.

Agora, a Tailândia se junta à lista. Seis países, quatro continentes, duas décadas de adaptações.

A trilogia Sandler-Barrymore e o legado do original

Para entender por que o original permanece relevante, vale situá-lo na filmografia dos protagonistas. ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ é o segundo capítulo de uma trilogia não oficial: veio após ‘Afinado no Amor’ (1998) e antes de ‘Juntos e Misturados’ (2014). Os três filmes traçam uma evolução interessante da química entre Sandler e Barrymore — da comédia absurda dos anos 90 para algo mais maduro e reflexivo em 2014.

O filme de 2004 ocupa um lugar único nesse arco. É bobo o suficiente para funcionar como comédia, mas carrega um núcleo emocional genuíno que eleva o material acima da média do gênero na época. A amnésia de Lucy poderia ser apenas um truque narrativo conveniente, mas o roteiro a trata com relativa seriedade — as consequências emocionais para ela e para Henry são reais, não ignoradas em nome da piada fácil.

Esse equilíbrio entre entretenimento e emoção é exatamente o que Pongsittisak buscou em ‘How to Make Millions Before Grandma Dies’. O filme tailandês de 2024 mistura comédia, drama familiar e reflexões sobre mortalidade de forma orgânica — algo que o público internacional reconheceu como autêntico.

Este remake conseguirá repetir o fenômeno de 2024?

O sucesso de ‘How to Make Millions Before Grandma Dies’ não aconteceu apenas pelo mérito da obra. Houve timing cultural, algoritmos de streaming favorecendo conteúdo asiático, e uma abertura do público ocidental para narrativas não-ocidentais que cresceu significativamente nos últimos anos. Repetir esse feito exigirá mais do que competência técnica.

Por outro lado, Pongsittisak demonstrou entender algo que muitos produtores de remakes ignoram: adaptação cultural não é substituição cosmética. Não basta trocar o Havaí por Bangkok e Adam Sandler por um ator tailandês. Os valores familiares, as dinâmicas de relacionamento, o próprio conceito de romance — tudo isso carrega especificidades culturais que precisam ser respeitadas e incorporadas na narrativa.

A promessa de que o filme parecerá ‘uma verdadeira história tailandesa’ é ambiciosa. Se cumprida, pode estabelecer um novo padrão para remakes internacionais — não como cópias inferiores de originais americanos, mas como reinterpretações culturais legítimas. O histórico de Pongsittisak sugere que ela entende essa distinção. Resta ver se o resultado final confirmará a promessa.

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Perguntas Frequentes sobre o remake de ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’

Onde assistir ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ original?

O filme de 2004 com Adam Sandler e Drew Barrymore está disponível na Netflix, Amazon Prime Video e Apple TV+ no Brasil. Também pode ser alugado ou comprado em plataformas digitais como Google Play e Microsoft Store.

Quais países já fizeram remake de ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’?

Seis países adaptaram o filme: Irã (2005, ‘Chap dast’), Índia duas vezes (2007 em telugo e 2014 em malaiala), Japão (2018, ’50 First Kisses’), México (2019) e Tailândia (remake anunciado em 2026).

‘Como Se Fosse a Primeira Vez’ é baseado em história real?

Não. A premissa de amnésia anterógrada é ficção, embora a condição médica exista na vida real. O filme foi inspirado livremente no caso de Clive Wearing, músico britânico que sofre de amnésia severa desde 1985.

Quando estreia o remake tailandês de ‘Como Se Fosse a Primeira Vez’?

A data de estreia ainda não foi anunciada. O projeto foi revelado em março de 2026 pela GDH 559 em parceria com a Sony Pictures International Productions. Produções da GDH costumam levar entre 12 e 18 meses entre anúncio e lançamento.

Quem está produzindo o novo remake tailandês?

Vanridee Pongsittisak, produtora de ‘How to Make Millions Before Grandma Dies’ (2024), fenômeno tailandês que alcançou sucesso global. A produção é da GDH 559 em colaboração com a Sony Pictures International Productions.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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