Analisamos por que ‘Como Eu Era Antes de Você’ retornou ao topo da Netflix quase 10 anos após sua estreia. Entenda como a química entre Emilia Clarke e Sam Claflin mascara uma das polêmicas mais éticas e persistentes do cinema sobre a representação da deficiência.
Quase uma década depois de provocar protestos inflamados em sua estreia, ‘Como Eu Era Antes de Você’ Netflix voltou a dominar os rankings de streaming. O drama romântico estrelado por Emilia Clarke e Sam Claflin ocupa atualmente o Top 3 global da plataforma. Mas o que explica esse retorno? Não é apenas a busca por um ‘filme para chorar’, mas um fenômeno de algoritmo alimentado por uma das controvérsias mais persistentes do cinema recente.
O fenômeno do ressurgimento: por que o filme não sai do radar
Este não é o primeiro retorno triunfal da obra. Existe um padrão sazonal: dramas com finais agridoces tendem a performar melhor no início do ano, servindo como uma espécie de catarse emocional pós-festas. No entanto, o fator ‘Como Eu Era Antes de Você’ na Netflix vai além da data no calendário.
O elenco de peso sustenta o interesse. Emilia Clarke, eterna Daenerys de ‘Game of Thrones’, entrega aqui uma performance solar que contrasta radicalmente com seu papel em Westeros. Já Sam Claflin, que consolidou sua carreira em ‘Daisy Jones & the Six’, traz uma vulnerabilidade física que ancora o filme. Quando o espectador médio navega pelo catálogo e encontra rostos de tamanha familiaridade em um gênero ‘confortável’, o clique é quase garantido.
A polêmica ‘Better Dead Than Disabled’
Para entender por que o filme ainda gera debate, é preciso olhar para além do romance. Em 2016, ativistas pelos direitos das pessoas com deficiência (PcD) usaram a hashtag #BetterDeadThanDisabled para protestar contra a conclusão da narrativa. A crítica central não é a existência do suicídio assistido como tema, mas a forma como o roteiro de Jojo Moyes o enquadra.
Ao analisar a cena final — um momento de luz suave e trilha sonora emocionante — percebe-se a armadilha narrativa: o filme apresenta a morte de Will como um ato final de amor e libertação, não apenas para ele, mas para Lou. Para a comunidade PcD, essa ‘romantização’ reforça o estigma de que uma vida com limitações físicas severas é inerentemente menos valiosa ou um fardo para os outros. É essa tensão ética que mantém o filme vivo em fóruns de discussão e redes sociais como o TikTok, onde novas gerações descobrem a obra e reabrem o debate.
Contraste visual: o figurino como ferramenta narrativa
Tecnicamente, o filme de Thea Sharrock utiliza o design de produção para mascarar a morbidez do tema. O guarda-roupa de Lou (Emilia Clarke), repleto de cores berrantes e estampas excêntricas, serve como um contraponto visual à paleta fria e estéril do quarto de Will. Essa explosão cromática manipula o humor do espectador, criando uma sensação de otimismo que torna o desfecho ainda mais impactante por ser inesperado para quem não conhece o livro.
Essa competência técnica — a trilha sonora precisa, a fotografia bucólica do castelo — é o que permite que o filme mantenha 73% de aprovação do público no Rotten Tomatoes, apesar dos 55% da crítica especializada. O espectador médio é fisgado pela estética e pela química inegável do casal, muitas vezes ignorando as implicações políticas da trama.
Onde estão Clarke e Claflin hoje?
O sucesso na Netflix também é impulsionado pela curiosidade sobre o paradeiro dos atores. Emilia Clarke tem focado em projetos mais autorais e teatro após o fim de ‘Game of Thrones’, enquanto Sam Claflin vive um auge de popularidade com produções de streaming. Ver ‘Como Eu Era Antes de Você’ hoje funciona para muitos como uma ‘origin story’ do carisma desses atores antes de se tornarem pilares da indústria atual.
Veredito: vale o play?
‘Como Eu Era Antes de Você’ é um filme que não permite indiferença. Deve ser assistido com a consciência de que é um produto de seu tempo, eficaz como melodrama, mas questionável como representação social. Se você busca uma experiência emocional intensa, o filme entrega — mas prepare-se para terminar a sessão com mais perguntas do que respostas sobre a mensagem que ele realmente deseja passar.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Como Eu Era Antes de Você’
‘Como Eu Era Antes de Você’ é baseado em uma história real?
Não, o filme é baseado no livro homônimo de ficção da autora Jojo Moyes. Embora a autora tenha se inspirado em casos reais de discussões sobre suicídio assistido para criar o dilema de Will, os personagens e a trama específica são fictícios.
Qual é a classificação indicativa do filme na Netflix?
No Brasil, a classificação indicativa é de 12 anos, devido a temas sensíveis e conteúdo emocional forte. Não há cenas de violência explícita ou nudez.
Por que o filme é considerado polêmico?
A polêmica gira em torno do final (spoiler: o suicídio assistido do protagonista). Ativistas dos direitos das pessoas com deficiência argumentam que o filme sugere que a morte é preferível a viver com uma deficiência, o que consideram uma mensagem perigosa e capacitista.
Onde foi gravado ‘Como Eu Era Antes de Você’?
A maior parte do filme foi gravada no País de Gales, especificamente no Castelo de Pembroke. As cenas de praia foram filmadas na ilha de Maiorca, na Espanha.
O filme tem continuação?
Embora existam dois livros que continuam a história de Lou (‘Depois de Você’ e ‘Ainda Sou Eu’), não há planos oficiais para uma sequência cinematográfica com o elenco original até o momento.

