Analisamos por que ‘Como Eu Era Antes de Você’ desafia a crítica e permanece no Top 10 da Netflix em 2026. Entenda como o contraste visual, a polêmica sobre o desfecho e a atuação de Emilia Clarke transformaram este drama em um fenômeno de longevidade no streaming.
Existe uma categoria de filmes que a crítica profissional tenta arquivar, mas que o público se recusa a esquecer. ‘Como Eu Era Antes de Você’ (2016) é o exemplo definitivo desse abismo entre o julgamento técnico e a conexão emocional. Quase dez anos após sua estreia, o drama baseado no best-seller de Jojo Moyes desafia algoritmos e continua estacionado no topo das paradas globais de streaming, superando blockbusters recentes com orçamentos cinco vezes maiores.
Em pleno janeiro de 2026, o longa ocupa a segunda posição entre os filmes mais assistidos da Netflix no Brasil, perdendo apenas para lançamentos da semana. Esse fenômeno não é apenas nostalgia; é um testemunho da resiliência do gênero romântico e, especificamente, do carisma magnético de Emilia Clarke.
A estética do contraste: por que o visual do filme ainda cativa
Diferente de muitos dramas lacrimosos que optam por uma paleta de cores lavada e melancólica, a diretora Thea Sharrock fez uma escolha deliberada pelo vibrante. O guarda-roupa de Louisa Clark (Clarke), com suas meias de abelha e misturas improváveis de padrões, não serve apenas como alívio cômico. Ele funciona como uma invasão cromática no mundo estéril e frio de Will Traynor (Sam Claflin).
A fotografia de Remi Adefarasin explora essa colisão de mundos de forma técnica: as cenas no castelo da família Traynor começam com enquadramentos estáticos e tons cinzentos, que gradualmente ganham calor e movimento conforme Lou quebra as barreiras de Will. A cena do concerto, onde Lou usa o icônico vestido vermelho, é o ponto de virada visual — ali, o filme deixa de ser sobre um cuidador e um paciente para se tornar uma celebração estética do ‘viver intensamente’, ainda que sob uma sombra trágica.
A polêmica necessária: o debate sobre capacitismo
Ignorar a controvérsia que cerca o desfecho de ‘Como Eu Era Antes de Você’ seria uma falha editorial. O filme foi alvo de protestos legítimos da comunidade de pessoas com deficiência (PCD), que criticaram a premissa de que a tetraplegia seria um estado de sofrimento insuportável que justifica o suicídio assistido. A narrativa de ‘viver com dignidade’ é complexa e o filme, por vezes, escolhe o caminho do melodrama em vez de uma análise sociológica profunda.
No entanto, é justamente essa tensão ética que mantém o filme vivo no debate público. Ele não oferece o final reconfortante que o gênero exige, e essa ‘traição’ às expectativas do público é o que o diferencia de romances genéricos. O filme força o espectador a confrontar uma decisão impossível, e essa provocação é o que gera o engajamento contínuo nas redes sociais e fóruns de discussão até hoje.
O fator Emilia Clarke e a longevidade no streaming
Não há como dissociar o sucesso do filme da expressividade de Emilia Clarke. Conhecida pela rigidez de Daenerys Targaryen em ‘Game of Thrones’, aqui ela utiliza cada músculo facial — especialmente suas sobrancelhas famosamente expressivas — para criar uma personagem que é pura vulnerabilidade e otimismo. É um desempenho físico que ancora o filme mesmo nos momentos em que o roteiro flerta com o clichê.
O ressurgimento atual na Netflix coincide com a expectativa para ‘PONIES’, a nova série de espionagem de Clarke, mas os dados mostram que o filme tem picos de audiência orgânicos a cada seis meses. Ele se tornou o ‘comfort movie’ de uma geração: aquele filme que você assiste sabendo que vai chorar, mas que busca justamente pela catarse garantida que ele oferece.
Veredito: Romance não é um gênero menor
A crítica costuma tratar o romance como ‘fluff’ — um conteúdo descartável e formulaico. Mas a matemática de ‘Como Eu Era Antes de Você’ conta outra história. Com uma bilheteria original de 208 milhões de dólares (para um orçamento de 20 milhões) e uma vida eterna no streaming, ele prova que a capacidade de evocar emoção genuína é uma técnica cinematográfica tão valiosa quanto um plano-sequência complexo.
Se você busca um filme tecnicamente impecável sobre a condição humana, talvez existam opções mais rigorosas. Mas se você busca uma história que entende a mecânica do afeto e a dor da perda, poucas obras recentes foram tão eficazes quanto esta. Em 2026, ‘Como Eu Era Antes de Você’ não é apenas um filme; é um padrão de como o cinema de médio orçamento pode, e deve, sobreviver na era das franquias.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Como Eu Era Antes de Você’
Onde posso assistir ‘Como Eu Era Antes de Você’ em 2026?
O filme está disponível atualmente no catálogo da Netflix global e também pode ser alugado ou comprado em plataformas como Apple TV+ e Google Play.
O filme é baseado em uma história real?
Não, o filme é uma adaptação do livro de ficção homônimo escrito por Jojo Moyes. Embora a autora tenha se inspirado em notícias reais sobre suicídio assistido para criar o dilema de Will, os personagens são fictícios.
Qual é a polêmica envolvendo o filme?
A principal crítica vem de ativistas dos direitos das pessoas com deficiência, que argumentam que o filme promove a ideia de que a vida com deficiência severa não vale a pena ser vivida, reforçando estigmas capacitistas através do desfecho do protagonista.
Existe uma continuação de ‘Como Eu Era Antes de Você’?
Na literatura, sim. Jojo Moyes escreveu as sequências ‘Depois de Você’ e ‘Ainda Sou Eu’. No entanto, até o momento, não há planos confirmados para adaptar esses livros para o cinema com o elenco original.
Qual a classificação indicativa do filme?
No Brasil, a classificação indicativa é de 12 anos, devido a temas sensíveis e implicações emocionais fortes.

