Chris Pratt utiliza o lançamento de ‘Pacto Maligno’ para questionar os limites éticos da inteligência artificial. Analisamos como a fé do ator molda sua visão sobre a ‘IA como juíza’ e por que, apesar das críticas negativas, o filme toca na maior ansiedade cultural de 2026.
Há uma ironia palpável em ver Chris Pratt, um ator que frequentemente ocupa o centro do diagrama de Venn entre o blockbuster de ficção científica e a fé cristã fervorosa, promovendo um filme sobre o julgamento final das máquinas. Em ‘Pacto Maligno’ (título nacional para ‘Mercy’), essa tensão deixa de ser apenas uma curiosidade de bastidor para se tornar o motor temático da obra. Pratt não está apenas fugindo de robôs; ele está questionando a legitimidade moral de quem os programou.
Durante a premiere mundial, ao ser questionado sobre a inteligência artificial assumindo papéis divinos na trama, Pratt foi categórico: ‘A IA é feita pelo homem, então não pode ser Deus’. Para ele, a tecnologia será sempre intrinsecamente falha porque carrega a ‘quebra’ — ou a imperfeição — de seus criadores. É uma declaração que ecoa o conceito teológico de pecado original aplicado ao código binário.
A ‘falha humana’ na máquina: Pratt contra a divinização da IA
O que torna a posição de Pratt instigante não é a defesa da fé — algo esperado de quem frequenta a Zoe Church em Los Angeles — mas como ele alinha seu ceticismo religioso a um debate ético contemporâneo. Ao afirmar que sistemas herdam os vieses de seus programadores, ele mimetiza, talvez sem saber, os argumentos de pesquisadores de ética tecnológica que lutam contra algoritmos racistas ou discriminatórios.
Nos bastidores, o clima parece ser de um otimismo vigiado. Rebecca Ferguson, que divide o protagonismo, descreveu Pratt como alguém ‘tecnologicamente antenado’ e curioso. O ator confirmou ter passado o último ano mergulhado no tema, mas admite que sua maior preocupação é o impacto geracional. ‘Otimista com cautela’ é o rótulo que ele escolheu, especialmente ao considerar como seus filhos navegarão em um mundo onde a verdade é gerada por prompts.
Veredito Algorítmico: A distopia de ‘Pacto Maligno’
A premissa dirigida por Timur Bekmambetov — diretor conhecido pelo estilo visual agressivo de ‘O Procurado’ e pelo pioneirismo no formato Screenlife — coloca essas questões em um cenário de pesadelo legal. Pratt interpreta um detetive acusado de assassinato em um futuro próximo, onde o tribunal não é composto por seus pares, mas por um software de IA ‘imparcial’.
Em uma das sequências mais tensas do longa, vemos o personagem confrontar a frieza da interface que processa sua vida em milissegundos. É aqui que o filme tenta, nem sempre com sucesso, discutir se a justiça sem empatia ainda pode ser chamada de justiça. Enquanto o Pratt da vida real acredita que a IA jamais substituirá Deus, seu personagem habita um mundo onde ela já assumiu o papel de ‘Juiz Supremo’.
Entretanto, a execução parece ter tropeçado na própria ambição. Com apenas 18% de aprovação no Rotten Tomatoes, a crítica especializada tem sido implacável. Gregory Nussen, do ScreenRant, descreveu o filme como ‘narrativamente estúpido’, questionando a lógica de um sistema jurídico que ignora o básico do direito humano em prol de um fetiche tecnológico.
Por que a visão de Pratt é o melhor marketing do filme
Apesar das críticas negativas ao roteiro, a ‘turnê da fé’ de Chris Pratt deu ao filme uma relevância que ele talvez não alcançasse sozinho. Ele não fala como um especialista em ética, mas como um pai e cidadão que sente o desconforto de delegar julgamentos morais a máquinas. Em um Hollywood ainda traumatizado pelas greves de 2023, onde a IA foi o grande vilão das negociações, suas palavras ressoam com a ansiedade da classe artística.
‘Pacto Maligno’ estreia nos cinemas em 23 de janeiro de 2026. Se a obra de Bekmambetov falha como thriller de ficção científica, ela triunfa como ponto de partida para um debate necessário. No fim, Pratt tem razão em um ponto técnico: a IA é um espelho. Se ela parece cruel ou falha, é apenas porque estamos olhando para um reflexo digital da nossa própria natureza imperfeita.
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Perguntas Frequentes sobre Chris Pratt e ‘Pacto Maligno’
Qual é a história do filme ‘Pacto Maligno’ (Mercy)?
O filme acompanha um detetive (Chris Pratt) em um futuro próximo que é acusado de um crime violento e precisa provar sua inocência em um sistema judicial controlado inteiramente por inteligência artificial.
Onde assistir ‘Pacto Maligno’?
O filme tem estreia programada para os cinemas brasileiros em 23 de janeiro de 2026. Após a janela de exibição nos cinemas, ele deve chegar às plataformas de streaming da Amazon MGM Studios.
Quem dirige ‘Pacto Maligno’?
O longa é dirigido por Timur Bekmambetov, cineasta conhecido por ‘O Procurado’, ‘Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros’ e pelo desenvolvimento do formato de cinema digital Screenlife.
Qual é o elenco principal do filme?
Além de Chris Pratt no papel principal, o filme conta com Rebecca Ferguson (‘Duna’), Annabelle Wallis (‘Peaky Blinders’) e Kali Reis (‘True Detective’).
O que Chris Pratt disse sobre a IA na vida real?
Pratt afirmou ser um ‘otimista cauteloso’. Ele acredita que a IA é uma ferramenta útil, mas defende que ela jamais substituirá a divindade ou o julgamento humano, pois sempre herdará as falhas e preconceitos de seus criadores humanos.

