‘Chamas da Vingança’: por que o fracasso de Stephen King virou hit na Max?

Analisamos por que o remake de ‘Chamas da Vingança’, apesar dos 10% de aprovação, virou um hit inesperado na Max. Entenda como a marca Stephen King e a trilha de John Carpenter sustentam um filme que fracassou nos cinemas, mas domina o streaming.

Existe uma anomalia no ecossistema do streaming que desafia a lógica comercial de Hollywood: filmes que foram sumariamente rejeitados nos cinemas ressurgem anos depois como hits absolutos. ‘Chamas da Vingança’ (Firestarter), a versão de 2022 do clássico de Stephen King, é o caso de estudo definitivo dessa estranheza. Com uma aprovação humilhante de 10% no Rotten Tomatoes e um prejuízo milionário nas bilheterias, o longa com Zac Efron agora domina o catálogo da Max, provando que o algoritmo tem critérios muito diferentes da crítica especializada.

O abismo entre os 10% da crítica e o Top 1 da Max

O abismo entre os 10% da crítica e o Top 1 da Max

Para entender o tamanho da discrepância, precisamos olhar para os números. ‘Chamas da Vingança’ custou cerca de 12 milhões de dólares e mal conseguiu arrecadar 15 milhões globalmente — um fracasso retumbante considerando os custos de marketing. Os críticos não foram apenas severos; foram unânimes. O filme foi chamado de ‘inerte’, ‘sem alma’ e ‘visualmente pobre’.

No entanto, em 2025, o filme escalou as paradas da Max em mais de 20 países. Ele não está apenas ‘disponível’; ele está competindo com blockbusters recentes e produções premiadas. O que mudou não foi a qualidade da obra, que continua apresentando problemas graves de ritmo e efeitos visuais questionáveis, mas sim a forma como o público consome o ‘fracasso’. No streaming, o custo do erro é zero. Se o filme é ruim, você apenas troca de canal, o que incentiva o clique por curiosidade mórbida.

John Carpenter e o desperdício de talento técnico

Um dos elementos que mais dói aos olhos dos cinéfilos — e que o Cinepoca faz questão de destacar — é o desperdício de um ícone: John Carpenter. O mestre do horror, que deveria ter dirigido a versão original de 1984 (mas foi afastado após o fracasso de ‘The Thing’), assina a trilha sonora deste remake junto com Cody Carpenter e Daniel Davies.

A trilha é, de longe, a melhor coisa do filme. Os sintetizadores clássicos de Carpenter tentam injetar uma tensão que a direção de Keith Thomas simplesmente não consegue sustentar. Enquanto a música sugere um thriller paranoico de alto nível, a imagem entrega uma estética que lembra mais um episódio genérico de série procedural. É um descompasso técnico que torna a experiência de assistir ao filme quase surreal.

O efeito ‘halo’ de Stephen King e a onipresença de Zac Efron

O efeito 'halo' de Stephen King e a onipresença de Zac Efron

A marca Stephen King funciona hoje como o MCU (Universo Marvel) funcionava há uma década: um selo que garante audiência básica independente da qualidade. Com o sucesso massivo de ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ e as novas adaptações de ‘O Sobrevivente’ e ‘O Macaco’ em voga, o espectador médio é empurrado pelo algoritmo para qualquer coisa que carregue o nome do autor.

Soma-se a isso a presença de Zac Efron. O ator, que passou por uma reabilitação de imagem séria com ‘The Iron Claw’, atrai um público que quer vê-lo em diferentes facetas. Em ‘Chamas da Vingança’, ele interpreta Andy McGee com uma intensidade que o roteiro não merece. Efron tenta vender a dor física de usar seus poderes mentais, mas a montagem picotada e o roteiro raso sabotam sua performance a cada cena.

Veredito: Vale o seu tempo ou é apenas ruído de algoritmo?

Não se deixe enganar pelo ranking da Max. ‘Chamas da Vingança’ não é um ‘clássico incompreendido’ que foi reabilitado pelo tempo. É uma produção que sofre de uma crise de identidade profunda, falhando em capturar a paranoia do livro original ou o charme oitocentista da versão com Drew Barrymore.

Se você busca uma experiência genuína de Stephen King, o catálogo da Max oferece opções superiores como ‘Doutor Sono’ ou ‘It – A Coisa’. Este remake de 2022 serve apenas como entretenimento de fundo — o tipo de filme que você assiste enquanto mexe no celular. O sucesso atual é um triunfo do marketing algorítmico sobre a substância cinematográfica.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Chamas da Vingança’

Onde posso assistir ao remake de ‘Chamas da Vingança’?

O filme de 2022 está disponível no catálogo da Max (antiga HBO Max) e também pode ser alugado em plataformas como Prime Video e Apple TV.

Por que o filme tem uma nota tão baixa no Rotten Tomatoes?

A crítica apontou falta de originalidade, efeitos visuais de baixa qualidade e um roteiro que não desenvolve bem os personagens, resultando em apenas 10% de aprovação profissional.

John Carpenter dirigiu ‘Chamas da Vingança’ de 2022?

Não. John Carpenter compôs a trilha sonora do filme. A direção é de Keith Thomas. Carpenter foi o diretor originalmente escalado para a versão de 1984, mas acabou substituído na época.

Preciso assistir ao filme de 1984 para entender este remake?

Não. O filme de 2022 é um reboot completo e conta a história desde o início. No entanto, a versão de 1984 com Drew Barrymore é considerada por muitos fãs como superior.

Qual a classificação indicativa do filme?

No Brasil, o filme tem classificação indicativa de 14 anos, devido a cenas de violência e terror psicológico.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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