Brit Marling: a mente por trás de ‘A Outra Terra’ chega a ‘Star Trek’

A escolha de Brit Marling como a nova voz do computador em ‘Star Trek: Starfleet Academy’ une a ficção científica filosófica de ‘A Outra Terra’ ao legado da franquia. Analisamos por que a trajetória da atriz e roteirista a torna a sucessora ideal para Majel Barrett.

A ficção científica mais poderosa raramente é sobre naves cruzando galáxias; é sobre o que acontece dentro de nós quando o impossível se torna cotidiano. Brit Marling construiu sua carreira nesse limiar, e sua chegada ao universo de ‘Star Trek’ não é apenas uma adição de elenco, mas uma validação de sua trajetória como uma das mentes mais instigantes do gênero no século XXI.

Anunciada como a nova voz do computador em ‘Star Trek: Starfleet Academy’, Marling assume o manto que pertenceu por décadas à lendária Majel Barrett. Para entender por que essa escolha é um golpe de mestre da Paramount+, precisamos olhar para 2011, quando Marling redefiniu o ‘low-fi sci-fi’ com o impactante ‘A Outra Terra’.

O teto de vidro e a Terra duplicada: O legado de ‘A Outra Terra’

O teto de vidro e a Terra duplicada: O legado de 'A Outra Terra'

‘A Outra Terra’ (Another Earth) não venceu o Prêmio Alfred P. Sloan em Sundance por seus efeitos especiais — que, devido ao orçamento curtíssimo, são econômicos e pontuais. O filme brilha ao usar a premissa de um planeta gêmeo aparecendo no céu como uma metáfora física para a culpa de Rhoda Williams (Marling).

A cena em que Rhoda observa o planeta duplicado pela primeira vez, logo após o trágico acidente que define sua vida, é um estudo de composição. A escala do planeta no horizonte contrasta com a pequenez da personagem, sugerindo que, em algum lugar lá fora, existe uma versão dela que não cometeu aquele erro. É ficção científica existencialista em seu estado mais puro, focada menos na astrofísica e mais na anatomia do perdão.

Por que a voz de Brit Marling é a escolha perfeita para o computador

Substituir Majel Barrett é uma tarefa ingrata. Barrett era a autoridade absoluta, uma voz pragmática e quase materna. Brit Marling traz uma textura diferente: sua voz carrega uma melancolia inteligente e uma empatia etérea, características que definiram suas performances em ‘The OA’ e ‘O Som da Minha Voz’.

Em uma série focada em cadetes — jovens em formação, lidando com crises de identidade e o peso do dever — ter uma inteligência artificial que soa menos como um processador de dados e mais como uma consciência filosófica é uma escolha narrativa brilhante. Marling não apenas ‘fala’ as coordenadas; ela parece compreender o peso das decisões da tripulação.

De ‘The OA’ à Frota Estelar: A evolução de uma autora

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A carreira de Marling é marcada pela recusa ao óbvio. Após o sucesso indie, ela poderia ter se perdido em blockbusters genéricos. Em vez disso, criou ‘The OA’ na Netflix, uma obra que desafiou as estruturas lineares de narrativa e explorou dimensões paralelas através do movimento e da fé.

Essa bagagem de ‘sci-fi metafísico’ é o que ela injeta em ‘Star Trek’. A franquia sempre foi um veículo para debates éticos, mas com Marling no sistema operacional da Academia, há uma promessa implícita de que a série não fugirá das perguntas difíceis: o que define uma consciência? Como convivemos com nossas versões do passado?

Para quem é (e para quem não é) o trabalho de Marling

Se você busca o ritmo frenético de ‘Star Trek: Strange New Worlds’ ou a ação de ‘Discovery’, o histórico de Marling pode parecer contemplativo demais. Seus filmes e séries exigem paciência. ‘A Outra Terra’ é um filme de silêncios e olhares, onde a tensão não vem de uma explosão, mas do medo de ser descoberto pela pessoa que você mais feriu.

No entanto, para o fã de Trek que sente falta da profundidade filosófica de ‘The Next Generation’, a presença de Marling é um sinal verde. Ela representa a ficção científica que nos obriga a pensar muito depois que os créditos sobem.

Onde começar a jornada

Para quem quer se preparar para ‘Starfleet Academy’, o caminho obrigatório é:

  • ‘A Outra Terra’ (2011): Para entender como ela usa o gênero para explorar a redenção.
  • ‘The OA’ (Netflix): Para ver Marling expandindo os limites da ficção científica televisiva.
  • ‘A Seita Misteriosa’: Um thriller psicológico que mostra sua habilidade em construir tensão com quase nenhum recurso.

Brit Marling na Frota Estelar é o encontro da tradição com a vanguarda. É a voz do passado de 15 anos de cinema independente guiando o futuro da exploração espacial.

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Perguntas Frequentes sobre Brit Marling e Star Trek

Qual será o papel de Brit Marling em Star Trek?

Brit Marling será a voz do computador da Federação na nova série ‘Star Trek: Starfleet Academy’. Ela assume o papel icônico que foi de Majel Barrett por décadas.

Onde posso assistir ‘A Outra Terra’?

Atualmente, ‘A Outra Terra’ (Another Earth) está disponível para aluguel e compra em plataformas digitais como Apple TV+ e Google Play Filmes. A disponibilidade em serviços de assinatura varia por região.

‘A Outra Terra’ é um filme de alienígenas?

Não. Embora a premissa envolva uma Terra duplicada, o filme é um drama psicológico focado em redenção e culpa. Não há batalhas espaciais ou naves alienígenas.

Quando estreia ‘Star Trek: Starfleet Academy’?

A série está em fase de produção pela Paramount+. A previsão de lançamento é para o final de 2025 ou início de 2026.

Brit Marling também vai escrever a série de Star Trek?

Até o momento, ela foi anunciada apenas como parte do elenco de vozes. No entanto, dado seu histórico como roteirista, há grande expectativa dos fãs por uma possível colaboração criativa no futuro.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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