Analisamos por que ‘Bloodride’, a antologia de horror norueguesa da Netflix, foi injustamente esquecida devido ao timing de seu lançamento em 2020. Descubra por que este thriller psicológico de ritmo ágil e humor ácido merece uma segunda chance na sua lista.
Se você abrir sua conta da Netflix agora, o algoritmo provavelmente vai te empurrar o ‘blockbuster’ da semana ou aquela série ‘true crime’ que todo mundo está comentando. No entanto, existe um limbo digital onde obras fascinantes são depositadas e esquecidas por puro azar cronológico. ‘Bloodride’ é o exemplo mais emblemático de como uma excelente antologia de horror pode ser enterrada viva por uma estratégia de lançamento infeliz e um timing histórico catastrófico.
Vítima do timing: O azar geopolítico de 13 de março de 2020
Lançada em 13 de março de 2020 — exatamente o fim de semana em que a OMS declarou a pandemia e o mundo ocidental começou a trancar as portas —, a série norueguesa não teve a menor chance. Enquanto o público buscava o escapismo viciante de ‘Elite’ ou o caos documental de ‘A Máfia dos Tigres’ (Tiger King), essa pequena pérola escandinava de seis episódios ficou relegada ao fundo do catálogo.
Seis anos depois, revisitando a obra criada por Kjetil Indregard e Atle Knudsen, fica claro que o tempo foi injusto. ‘Bloodride’ não é apenas mais uma antologia; é um exercício de estilo que entende o horror como uma piada de mau gosto contada pelo destino.
O ônibus fantasmagórico: A estética do purgatório nórdico
A premissa é visualmente potente: cada episódio começa dentro de um ônibus decrépito que atravessa uma estrada envolta em névoa perpétua. Os passageiros, com rostos pálidos e expressões de resignação, são os protagonistas das histórias. Quando um deles desembarca, a narrativa começa. É um dispositivo de enquadramento que remete ao clássico ‘The Twilight Zone’, mas com uma frieza estética tipicamente norueguesa.
O que diferencia ‘Bloodride’ na Netflix de outras antologias contemporâneas é a recusa ao gore gratuito. No episódio ‘Sacrifício Supremo’, por exemplo, a tensão não vem de monstros, mas da futilidade humana e do desejo por status social em uma vila idílica. A fotografia de [nome do diretor de fotografia] usa cores saturadas para o mundo “real” que contrastam violentamente com o azul metálico e gélido das cenas no ônibus, criando uma sensação de que a vida dos personagens é apenas um sonho febril antes da inevitável parada final.
A economia do medo: Por que os 30 minutos de ‘Bloodride’ funcionam
Em uma era de episódios inchados de 60 minutos que sofrem com problemas de ritmo, esta série é uma aula de concisão narrativa. Com cerca de 30 minutos por capítulo, o roteiro vai direto ao ponto: estabelece o desconforto, desenvolve a paranoia e entrega um plot twist que, embora nem sempre revolucionário, é invariavelmente satisfatório e cruel.
Diferente de ‘Black Mirror’, que foca na ansiedade tecnológica, o horror aqui é mais ancestral e místico, flertando com o humor ácido. Os personagens raramente são vítimas inocentes; eles são, em sua maioria, os arquitetos da própria ruína. Essa abordagem cínica é o que dá à série sua identidade única — é o horror como consequência moral, não apenas como susto.
Veredito: Por que você deve resgatar esta série hoje
Para quem busca uma maratona rápida (são apenas três horas no total), ‘Bloodride’ oferece um frescor sombrio que muitas produções de Hollywood perderam. Não é uma obra que tenta reinventar o gênero, mas sim uma que o executa com uma precisão cirúrgica e um senso de humor perverso que só os escandinavos parecem dominar plenamente.
Se você aprecia narrativas que não subestimam sua inteligência e entregam uma atmosfera de desconforto persistente, dê uma chance a esse ônibus sinistro. Às vezes, as melhores histórias não são as que gritam na página inicial, mas aquelas que esperam pacientemente no escuro para serem redescobertas.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Bloodride’ (Netflix)
‘Bloodride’ terá uma 2ª temporada na Netflix?
Até o momento, a Netflix não renovou oficialmente ‘Bloodride’ para uma segunda temporada. Devido ao tempo decorrido desde o lançamento em 2020, a série é considerada uma produção única (limitada).
Quantos episódios tem a série ‘Bloodride’?
A série possui 6 episódios independentes, cada um com aproximadamente 30 minutos de duração, totalizando cerca de 3 horas de conteúdo.
Os episódios de ‘Bloodride’ são conectados?
As histórias são antológicas (independentes), mas todas são visualmente conectadas pela cena de abertura no ônibus fantasmagórico, onde os protagonistas de cada conto aparecem como passageiros.
Qual é a classificação indicativa de ‘Bloodride’?
A série tem classificação indicativa para maiores de 16 anos, devido a temas de violência, horror psicológico e situações perturbadoras.
‘Bloodride’ é baseada em algum livro?
Não, a série é uma criação original dos roteiristas Kjetil Indregard e Atle Knudsen, focada em explorar tropos clássicos do horror sob uma perspectiva cultural norueguesa.

