‘Blake’s 7’: Diretor de ‘The Last of Us’ assume reboot do clássico cult

Peter Hoar, o aclamado diretor de ‘The Last of Us’, assume o ambicioso reboot de ‘Blake’s 7’. Analisamos como a nova produtora Multitude Productions planeja resgatar o sci-fi político britânico, preenchendo o vácuo deixado por grandes franquias com uma narrativa adulta, cínica e visualmente renovada.

Existe uma linhagem específica da ficção científica britânica que Hollywood, com todo o seu capital, raramente consegue emular. Não se trata de orçamento ou CGI de ponta, mas de uma textura moral muito específica: aquela mistura de pessimismo político, personagens profundamente falhos e uma recusa quase sádica em oferecer finais felizes. ‘Blake’s 7’ foi o ápice dessa tradição na década de 70, e a notícia de que o reboot de ‘Blake’s 7’ está oficialmente em desenvolvimento sob o comando de Peter Hoar sugere que essa essência será preservada.

Por que Peter Hoar é o nome ideal para o cinismo de ‘Blake’s 7’

Por que Peter Hoar é o nome ideal para o cinismo de 'Blake's 7'

Para quem acompanha a ‘Era de Ouro’ da TV atual, o nome de Peter Hoar evoca imediatamente o terceiro episódio de ‘The Last of Us’, ‘Long, Long Time’. Ali, Hoar provou que consegue extrair humanidade devastadora de cenários apocalípticos. Mas é em seu trabalho em ‘It’s a Sin’ que vemos o diretor lidar com a resistência política e o isolamento — temas fundamentais para a saga de Roj Blake.

O currículo de Hoar, que inclui passagens por ‘Daredevil’ e ‘The Umbrella Academy’, demonstra uma versatilidade técnica rara. Ele entende a gramática visual do gênero, mas sua maior força reside na direção de atores em situações de alta pressão psicológica. Em uma série onde o conflito interno entre o idealista Blake e o pragmático (e amoral) Kerr Avon é o motor da trama, essa sensibilidade é indispensável.

O vácuo deixado por ‘Doctor Who’ e a estratégia da Multitude Productions

O anúncio deste reboot não é apenas um movimento de nostalgia; é uma manobra estratégica de mercado. Hoar lançou a Multitude Productions ao lado de veteranos como Matthew Bouch e Jason Haigh-Ellery com um objetivo claro: preencher o vazio de ‘IPs de gênero’ no Reino Unido. Com a Disney+ reduzindo investimentos em produções internacionais e a incerteza sobre o futuro de ‘Doctor Who’ após sua recente fase experimental, o mercado britânico clama por uma space opera adulta.

Bouch foi enfático ao identificar essa lacuna. Ao contrário de ‘Doctor Who’, que flerta com o fantástico e o lúdico, ‘Blake’s 7’ sempre foi ‘hard sci-fi’ em termos de política. Se a série original de Terry Nation (o criador dos Daleks) era descrita como ‘The Dirty Dozen’ no espaço, a nova versão tem o potencial de ser o ‘Andor’ da televisão britânica — focada na logística suja da revolução.

O desafio de atualizar o ‘Star Wars’ sem heróis

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A série original (1978-1981) era famosa por seus cenários de papelão e efeitos precários, mas seu roteiro era afiado como uma navalha. O grupo de fugitivos a bordo da nave Liberator não estava tentando salvar a galáxia por bondade; eles estavam tentando sobreviver a uma Federação Terrana totalitária que usava drogas de controle social e lavagem cerebral.

O grande risco do reboot de ‘Blake’s 7’ é ‘higienizar’ os personagens. Na versão clássica, a dinâmica entre o grupo era frequentemente tóxica e movida por desconfiança mútua. Para que a nova série funcione em 2026, ela precisa manter essa coragem narrativa. O público atual, acostumado com a ambiguidade de ‘Succession’ e a crueza de ‘The Expanse’, está mais do que pronto para heróis que são, na verdade, terroristas sob o ponto de vista do sistema.

O que esperar do futuro da Multitude

Além de ‘Blake’s 7’, a produtora de Hoar está desenvolvendo ‘Skeleton Creek’ — descrito como um ‘Stranger Things’ britânico com a energia visceral de ‘Skins’ — e uma adaptação de ‘The Search for the Dice Man’. Essa diversidade de catálogo sugere que a Multitude não quer ser apenas uma fábrica de reboots, mas um porto seguro para o gênero que ousa sair do óbvio.

Se Hoar conseguir transpor para o espaço a mesma melancolia e urgência que trouxe para seus trabalhos anteriores, o novo ‘Blake’s 7’ pode deixar de ser uma curiosidade cult para se tornar o novo padrão da ficção científica televisiva. A questão agora é: qual plataforma terá o estômago para exibir uma série onde o final feliz nunca é garantido?

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Perguntas Frequentes sobre o Reboot de ‘Blake’s 7’

Quem é Peter Hoar, o diretor do novo ‘Blake’s 7’?

Peter Hoar é um diretor britânico premiado, conhecido por dirigir o aclamado terceiro episódio de ‘The Last of Us’ (HBO) e a série ‘It’s a Sin’. Ele tem vasta experiência em ficção científica e drama humano.

Do que se trata a série original ‘Blake’s 7’?

Criada por Terry Nation em 1978, a série segue um grupo de rebeldes e condenados que fogem de uma Federação totalitária em uma nave avançada chamada Liberator. É famosa por seu tom sombrio e personagens moralmente cinzentos.

Onde será transmitido o reboot de ‘Blake’s 7’?

Ainda não há uma plataforma definida, mas a produtora Multitude Productions expressou interesse em uma parceria com a BBC ou grandes serviços de streaming que buscam conteúdo de ficção científica adulta.

O reboot terá ligação com a série dos anos 70?

Embora seja um reboot (recomeço), espera-se que mantenha os nomes dos personagens clássicos como Blake, Avon e Vila, atualizando os temas de resistência política para o contexto atual.

Qual a previsão de lançamento para o reboot?

Como o projeto está em fase inicial de desenvolvimento e apresentação para compradores (pitching), a previsão estimada de lançamento é para o final de 2026 ou início de 2027.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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