Com a 3ª temporada de Big Little Lies confirmada para 2026, preparamos o guia definitivo para maratonar as 14 horas da série em fim de semana. Descubra por que a diferença entre as direções de Jean-Marc Vallée e Andrea Arnold só fica clara em sessão contínua, e o que observar antes do retorno à Monterey.
Com a terceira temporada finalmente ganhando forma nos estúdios da HBO, revisitamos Monterey em tempo real. Big Little Lies retorna em 2025 para produção (com estreia prevista para 2026) após seis anos de espera, e reassistir as duas primeiras temporadas não é apenas nostalgia — é preparação essencial. O melhor? Você pode devorar tudo em aproximadamente 14 horas, o equivalente a uma maratona de fim de semana que compensa em tensão dramática e nuances de atuação que passam despercebidas em visualizações espaçadas.
Diferente de outras joias da coroa da HBO como ‘Família Soprano’ ou ‘Sexo e a Cidade’, que exigem meses de dedicação para acompanhar arcos de múltiplas temporadas, Big Little Lies oferece uma experiência compacta e completa. São apenas 14 episódios — sete em cada temporada — que funcionam como um longa-metragem esticado, com início, meio e fim definidos, mesmo que a segunda parte tenha sido encomendada após o sucesso estrondoso da primeira.
Por que 14 horas de Monterey valem a concentração
A economia narrativa aqui é precisa. Criada inicialmente como minissérie pela HBO, a primeira temporada de Big Little Lies adapta o romance de Liane Moriarty com uma precisão cirúrgica: cada cena, cada olhar trocado entre as “Monterey Five” carrega peso dramático. Quando a câmera de Jean-Marc Vallée (na primeira temporada) paira sobre o oceano da Califórnia, não é mero cartão-postal — é metáfora visual da fachada perfeita que esconde violência doméstica.
Reassisti em uma sessão contínua de sábado para domingo, e a estrutura em sete episódios revela-se mais inteligente quando consumida de uma vez. A contagem regressiva para o evento da gala — onde alguém morre, como sabemos desde o cold open — cria uma tensão que simplesmente não funcionaria da mesma forma se espaçada por semanas. Você sente o peso acumulado das micro-agressões entre as mães, das festas de aniversário passive-agressivas, das sessões de café onde sorrisos cortam mais que facas.
Onde Vallée e Arnold se encontram e divergem
A transição de diretores entre as temporadas é o elemento mais discutido da série, e ver ambas em sequência revela escolhas técnicas que passam despercebidas em visualizações espaçadas. Jean-Marc Vallée, na primeira temporada, usa música diegética (personagens ouvindo playlists) com cortes rítmicos que sincronizam ação e trilha — técnica que ele aperfeiçoou em ‘Dallas Buyers Club’. Já Andrea Arnold, na segunda, adota uma abordagem mais próxima do seu cinema independente (‘Fish Tank’): câmera na mão, takes mais longos, luz natural.
A diferença é gritante quando você acaba de ver a primeira temporada: onde Vallée montava com precisão musical, Arnold deixa cenas respirarem, às vezes por tempo demais. Mas essa áspera é proposital — reflete o inverno de Monterey e o estado emocional congelado das personagens após o trauma. A paleta de cores muda de tons quentes, “Instagram perfeito”, para cinzas e azuis acinzentados. São escolhas deliberadas que só se tornam óbvias quando você consome tudo em curto espaço de tempo.
Três vencedoras do Oscar e a química que não se ensina
Dificilmente você verá Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Laura Dern dividindo tela com tanta frequência, somadas a Shailene Woodley no auge de sua carreira dramática, Zoë Kravitz em transição para protagonista, e — na segunda temporada — Meryl Streep como Mary Louise, a sogra do inferno. Assistir em maratona é testemunhar como essas atrizes constroem personagens em tempo real, ajustando micro-expressões entre episódios.
Há cenas que ganham dimensão em sequência. A famosa sequência da escada no final da primeira temporada, com Nicole Kidman e Alexander Skarsgård, é devastadora isoladamente, mas torna-se ainda mais perturbadora quando você acabou de ver duas horas de Celeste (Kidman) fingindo perfeição para as amigas. Da mesma forma, os interrogatórios psicológicos de Meryl Streep na segunda temporada — especialmente a cena do jantar onde ela disseca a mesa usando apenas inflexões de voz e olhares — funcionam como contraponto ao caos emocional da temporada anterior.
A segunda temporada: imperfeita, mas necessária
Preciso ser honesto: a segunda temporada não alcança a perfeição formal da primeira. Sem material original de Moriarty para adaptar (a autora estava escrevendo a sequência literária durante a produção), alguns arcos repetem-se, especialmente o conflito entre Madeline (Witherspoon) e Ed (Adam Scott). A direção de Arnold, mais áspera e documental, divide opiniões justamente por abandonar a fluidez musical de Vallée.
Mas pular a segunda temporada seria erro grave. Além de Streep ser absolutamente essencial como catalisadora de culpa, a temporada estabelece o estado emocional onde encontraremos as personagens na terceira. O trauma pós-evento, as alianças fraturadas, as crianças agora crescidas — afinal, se passaram seis anos entre as temporadas reais, e a terceira nos mostrará as “Monterey Five” como mães de adolescentes, conforme Moriarty confirmou em entrevistas recentes à imprensa australiana.
O legado e o que vem por aí
Quando Big Little Lies estreou em 2017, inaugurou uma onda de “thrillers domésticos femininos” — ‘Tudo Culpa Dela’ e outras séries vieram depois, mas nenhuma capturou a mesma mistura específica de luxo, misoginia sistêmica e solidariedade feminina. A série provou que histórias sobre mulheres de 40+ podem ser eventos culturais tão relevantes quanto qualquer blockbuster masculino.
Para a terceira temporada, confirmada oficialmente pela HBO com Francesca Sloane (‘Sr. & Sra. Smith’) escrevendo e David E. Kelley retornando como showrunner, teremos material inédito de Moriarty. A autora confirmou que a sequência literária se passa anos depois, com os filhos das protagonistas na adolescência — o que explica o hiato de seis anos entre as temporadas 2 e 3. Reese Witherspoon e Nicole Kidman retornam como produtoras executivas e protagonistas.
Como fazer a maratona perfeita
Se você vai encarar os 14 episódios antes da estreia, divida em dois blocos de sete horas. A primeira temporada funciona como thriller autônomo — perfeita para sábado, com pausas apenas para respirar após os episódios 3 e 6, onde a tensão atinge picos específicos. Deixe a segunda temporada para domingo, aceitando que o ritmo é diferente, mas prestando atenção especial nas dinâmicas entre Bonnie (Kravitz) e sua mãe (Crystal Fox), que serão relevantes para a continuação.
Uma dica prática: observe como a sonoridade muda. Vallée usava playlists como narrativa — quando você ouve as mesmas músicas em episódios seguidos, percebe como elas comentam a ação. Arnold, por outro lado, usa silêncio e sons ambientes (ondas, vento, passos na areia) como textura emocional. A diferença é mais impactante quando a memória auditiva da primeira temporada ainda está fresca.
No fim das contas, Big Little Lies é rara: uma série que entrega arco completo de personagens complexas sem exigir que você abdique de meses da sua vida. Se você ainda não viu, essas 14 horas vão se pagar em entretenimento de primeira e discussões sobre classe, gênero e violência doméstica. Se já viu, Monterey espera — e desta vez, você vai notar os detalhes que perdeu na primeira vez.
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Perguntas Frequentes sobre Big Little Lies
Quando estreia a 3ª temporada de Big Little Lies?
A HBO confirmou a produção da terceira temporada para 2025, com estreia prevista para 2026. O hiato de seis anos entre as temporadas 2 e 3 se alinha ao salto temporal da trama, que mostrará os filhos das protagonistas já na adolescência.
Quantos episódios tem Big Little Lies no total?
A série tem 14 episódios no total — sete na primeira temporada (2017) e sete na segunda (2019). Cada episódio tem aproximadamente 50 minutos, totalizando cerca de 14 horas de conteúdo.
Preciso ler o livro de Liane Moriarty antes de assistir?
Não é necessário. A primeira temporada adapta fielmente o livro original, enquanto a segunda expande a história com material desenvolvido especialmente para a TV. A terceira temporada usará a sequência literária recém-publicada por Moriarty.
Por que trocaram o diretor entre a 1ª e 2ª temporada?
Jean-Marc Vallée (diretor da 1ª temporada) não retornou devido a conflitos de agenda e diferenças criativas com a HBO sobre a expansão da série. Andrea Arnold foi contratada para trazer uma abordagem mais áspera e independente à segunda temporada, refletindo o estado emocional congelado das personagens após o trauma.
Vale a pena assistir só a primeira temporada?
A primeira temporada funciona como minissérie completa, mas pular a segunda seria perder a performance de Meryl Streep e o desenvolvimento do trauma pós-evento — elementos essenciais para entender o estado das personagens na terceira temporada. A segunda, apesar de imperfeita, é necessária para o arco completo.
Onde assistir Big Little Lies no Brasil?
As duas primeiras temporadas estão disponíveis no streaming Max (antigo HBO Max) no Brasil. A terceira temporada, quando estrear, provavelmente será exclusiva da mesma plataforma, mantendo a parceria HBO-Max.

