‘Armageddon’: O sacrifício real de Ben Affleck na cena mais emocionante do filme

Descubra como uma intoxicação alimentar severa transformou a performance de Ben Affleck no clímax de ‘Armageddon’. Analisamos por que o mal-estar real do ator criou a cena mais emocionante do filme e como os bastidores brutais de Michael Bay moldaram este clássico dos anos 90.

Existe um momento em ‘Armageddon’ que, para muitos, define o auge do melodrama do cinema catástrofe dos anos 90. Mas para Ben Affleck, a cena do adeus entre A.J. Frost e Harry Stamper não foi um exercício de técnica dramática, e sim um teste de resistência biológica. A história por trás daquela sequência é mais visceral do que qualquer explosão coreografada por Michael Bay.

Em uma entrevista recente ao Jake’s Takes, Affleck revelou que filmou o clímax emocional do longa sofrendo de uma intoxicação alimentar severa. Enquanto o público via lágrimas e suor de angústia espacial, o set escondia uma realidade menos glamourosa: baldes de vômito estrategicamente posicionados fora do alcance da lente.

O adeus que definiu ‘Armageddon’ e o ‘Bayhem’ emocional

O adeus que definiu 'Armageddon' e o 'Bayhem' emocional

A cena é icônica: Harry Stamper (Bruce Willis) decide se sacrificar para detonar a bomba nuclear no asteroide, mas antes, através de uma transmissão de vídeo, ele dá a A.J. Frost (Affleck) a benção para casar com sua filha, Grace (Liv Tyler). É o momento em que a rivalidade entre o mentor e o pupilo se dissolve em reconhecimento mútuo.

Assista à cena novamente sob esta nova luz. O rosto de Affleck está pálido, seus olhos estão injetados e ele parece genuinamente fisicamente abalado. “Eu não era experiente o suficiente para saber que você pode simplesmente dizer ‘estou doente demais para trabalhar'”, confessou o ator. Entre cada tomada de Michael Bay — conhecido por seu ritmo frenético e exigência física — Affleck precisava se retirar para vomitar em uma lata de lixo ao lado da câmera.

Quando o mal-estar físico vira ferramenta narrativa

Na época, Affleck tinha apenas 25 anos. Ele era o prodígio que acabara de vencer o Oscar por ‘Gênio Indomável’, mas no set de um blockbuster de 140 milhões de dólares, ele ainda se sentia um operário. Essa vulnerabilidade de quem está lutando contra o próprio corpo acabou transparecendo na tela como uma atuação crua e desarmada.

A estética de Michael Bay sempre abusou de closes extremos e luzes estouradas que realçam o suor e o esforço físico (o famoso Bayhem). Em ‘Armageddon’, o suor de Affleck não era apenas maquiagem; era o corpo de um jovem ator em colapso. O resultado é uma das poucas cenas do filme que abandona o tom cartunesco para tocar em algo genuinamente humano: a exaustão de quem está perdendo uma figura paterna.

O legado de um filme que desafia a lógica (e a saúde)

O legado de um filme que desafia a lógica (e a saúde)

A relação de Affleck com ‘Armageddon’ é famosa por seu tom agridoce. No lendário comentário de áudio do DVD da Criterion Collection, ele questiona abertamente a premissa do roteiro: “Por que treinar perfuradores de petróleo para serem astronautas em vez de treinar astronautas para perfurar?”. A resposta de Bay, segundo Affleck, foi um simples “Cale a boca”.

Apesar dos furos de roteiro e da recepção crítica mista (43% no Rotten Tomatoes), o filme arrecadou 553 milhões de dólares e se tornou uma pedra angular do entretenimento de massa. Histórias como a da intoxicação alimentar apenas reforçam por que o filme ressoa até hoje: há uma entrega física ali que os efeitos digitais modernos muitas vezes não conseguem replicar.

De prodígio de Bay a diretor premiado

Hoje, Affleck e Matt Damon gerenciam sua própria produtora, a Artists Equity, focada em dar mais controle aos artistas — talvez uma lição aprendida naqueles dias de balde de vômito e ordens inquestionáveis. Recentemente, a dupla brilhou em ‘Air: A História Por Trás do Logo’, mostrando que a química que começou nos anos 90 continua sendo uma das mais potentes de Hollywood.

Revisitar ‘Armageddon’ sabendo do sacrifício real de Affleck transforma a experiência. O filme pode ser um absurdo científico, mas a dor no rosto de A.J. Frost era, pela primeira e talvez única vez na carreira do ator, a coisa mais real em cena.

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Perguntas Frequentes sobre Ben Affleck em ‘Armageddon’

É verdade que Ben Affleck passou mal nas gravações de ‘Armageddon’?

Sim. O ator revelou recentemente que sofreu uma intoxicação alimentar severa durante a filmagem da cena de despedida entre seu personagem, A.J., e Harry Stamper (Bruce Willis), chegando a vomitar entre as tomadas.

Onde assistir ao filme ‘Armageddon’?

Atualmente, ‘Armageddon’ está disponível no catálogo do Disney+ (via Star+) no Brasil, além de estar disponível para aluguel e compra em plataformas como Apple TV e Google Play.

Por que Ben Affleck criticou o roteiro de ‘Armageddon’?

No comentário de áudio do DVD, Affleck questionou por que a NASA treinaria perfuradores de petróleo para serem astronautas em vez do contrário. Segundo ele, o diretor Michael Bay mandou que ele ficasse quieto, pois o filme era sobre entretenimento, não lógica científica.

Qual era a idade de Ben Affleck em ‘Armageddon’?

Affleck tinha 25 anos durante as filmagens, tendo acabado de ganhar o Oscar por ‘Gênio Indomável’. O filme foi um dos seus primeiros grandes papéis como protagonista de ação.

‘Armageddon’ tem cenas pós-créditos?

Não, o filme não possui cenas pós-créditos. No entanto, os créditos finais mostram imagens felizes do casamento dos personagens, servindo como um epílogo para a trama.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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