‘Anônimo 3’: Odenkirk planeja filme ‘mais sombrio’ e revela futuro da franquia

Bob Odenkirk propõe um Anônimo 3 ‘mais sombrio e violento’, mas a Universal aguarda sinais após bilheteria modesta da sequência. Analisamos o impasse criativo, os números e os caminhos possíveis para Hutch Mansell.

Bob Odenkirk está esperando um sinal. O ator que transformou Saul Goodman em um dos personagens mais complexos da TV moderna agora aguarda o telefone tocar para Anônimo 3. A proposta que ele tem em mente é nada convencional: fazer “o filme mais sombrio e violento que você já viu ou pensou”. É uma aposta curiosa para uma franquia que encontrou seu público justamente no contraste entre brutalidade e humor excêntrico.

A situação revela um impasse típico de Hollywood. No tapete vermelho do Saturn Awards, Odenkirk confirmou à ScreenRant que tem duas ideias para continuar a história de Hutch Mansell, o homem de família com passado de assassino governamental. Mas a Universal Pictures ainda não deu sinal verde. “Vou fazer o que eles querem”, disse, deixando claro que o destino da sequência depende de decisões corporativas.

Bilheteria modesta, qualidade reconhecida: o dilema de ‘Anônimo 2’

Bilheteria modesta, qualidade reconhecida: o dilema de 'Anônimo 2'

‘Anônimo 2’ chegou aos cinemas em 2025 após quatro anos de espera com um paradoxo: foi bem recebido, mas não vendeu o suficiente. A crítica aprovou: 76% no Rotten Tomatoes com selo “Certified Fresh”, número respeitável próximo aos 83% do primeiro filme. O público também gostou — Odenkirk mencionou que “muita gente ficou feliz” com o resultado.

Os números contam outra história. O filme custou $27 milhões e faturou pouco mais de $43 milhões mundialmente. A regra de bolso da indústria diz que um filme precisa faturar cerca de 2,5 vezes seu orçamento para cobrir marketing e a fatia dos cinemas. ‘Anônimo 2’ ficou abaixo desse ponto de equilíbrio. O primeiro filme, com orçamento menor, tinha feito $57,5 milhões — margem mais saudável.

A franquia ultrapassou $100 milhões combinada. Não é o tipo de número que faz um estúdio abandonar uma propriedade intelectual, especialmente com custo de produção controlado. A questão é se a Universal vê potencial de crescimento ou se considera que o público para “Saul Goodman fazendo kung-fu” já foi explorado o suficiente.

Jackie Chan ou pesadelo sombrio: a briga pelo tom de ‘Anônimo 3’

O que torna a espera por Anônimo 3 intrigante é a tensão criativa que Odenkirk revelou. No segundo filme, ele queria “inclinir na direção de Jackie Chan” — e de fato, a sequência do barco-pato é puro deleite coreográfico, com Hutch usando o veículo ridículo como arma improvisada. O diretor Timo Tjahjanto, conhecido pelo terror ultraviolento ‘Noite Infeliz’, acabou imprimindo sua marca com cenas mais sangrentas.

Agora, Odenkirk sugere ir na direção oposta. “Poderia ir realmente para o lado sombrio”, ponderou, “tipo, o filme mais sombrio e violento que você já viu ou pensou”. A proposta divide águas: por um lado, subverter expectativas é artisticamente válido; por outro, arriscaria alienar o público que gosta justamente do humor que equilibra a violência.

O próprio Odenkirk reconhece o dilema. “Eles podem dizer: ‘Não faça isso com seu público, tem tanta gente curtindo ‘Anônimo’ num contexto mais amplo'”. A conversa provavelmente está acontecendo nos corredores da Universal também. Mudar drasticamente de tom no terceiro filme de uma franquia é arriscado — basta lembrar como o público reagiu mal ao tom mais sério de ‘Velozes e Furiosos 8’ em relação aos filmes anteriores.

Os ganchos narrativos que ‘Anônimo 2’ deixou abertos

Os ganchos narrativos que 'Anônimo 2' deixou abertos

O final da sequência deixou portas suficientes para uma continuação. A mais óbvia é a dívida de Hutch com o Barbeiro, personagem de Colin Salmon. Durante o conflito com a vilã interpretada por Sharon Stone, Hutch queima dinheiro do obshchak russo — e essa conta precisa ser paga. O Barbeiro pode ter cortado laços temporariamente, mas a dívida permanece como uma espada sobre a cabeça de Hutch.

Há também espaço para expandir a história de Becca, interpretada por Connie Nielsen. A sequência revelou que o casal se conheceu quando Hutch apareceu coberto de sangue após uma missão — e mostrou que a esposa tem suas próprias habilidades com armas. Uma terceira parte poderia explorar essa dinâmica, talvez com Becca se juntando às missões do marido. Odenkirk já expressou interesse em manter a dinâmica familiar, embora sua ideia de tom mais sombrio sugira provações mais pesadas para a família Mansell.

Por que a Universal pode dizer sim (ou não)

Um fator que trabalha a favor de Anônimo 3 é a relação consolidada entre Universal e 87North Productions. A empresa de David Leitch e Kelly McCormick — o casal por trás de ‘John Wick – De Volta ao Jogo’ e ‘Bullet Train’ — mantém parceria de quatro anos com o estúdio. ‘Noite Infeliz’ foi um dos frutos, com sequência agendada para dezembro. Há cinco outros projetos em desenvolvimento, incluindo a adaptação de ‘Gears of War’.

Derek Kolstad, criador de ‘John Wick’, também é responsável pelo universo de ‘Anônimo’. Essa linhagem criativa confere credibilidade junto aos fãs de ação moderna — aquele público que descobriu que filmes de briga podem ter estilo e personalidade. A Universal sabe disso.

Há também o fator Odenkirk. Aos 60 e poucos anos, com físico de homem comum e uma intensidade dramática que poucos atores do gênero possuem, ele é um astro de ação singular. Se a Universal decidir que Anônimo 3 vale a pena, será difícil encontrar outro projeto que ofereça a mesma combinação de custo controlado, nicho estabelecido e protagonista carismático.

Vale a pena esperar?

A bilheteria de ‘Anônimo 2’ não justifica pressa, mas também não condena a franquia. O estúdio tem relacionamento com a produtora, o criador tem ideias, e o público respondeu bem mesmo com marketing limitado. Se a Universal decidir seguir em frente, Anônimo 3 pode acontecer — talvez com orçamento mais enxuto e estratégia de lançamento agressiva em streaming.

A questão central é criativa. Odenkirk quer fazer algo “mais sombrio do que você já pensou”. Se isso significa um ‘Anônimo’ que abandona o humor para abraçar o brutal, ou se é apenas um artista testando limites em entrevista, ninguém sabe. Mas a tensão entre essas visões — Jackie Chan versus pesadelo sombrio — é exatamente o que torna a franquia singular. Hutch Mansell é um homem comum com um monstro adormecido. Talvez o terceiro filme seja quando o monstro finalmente acorda.

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Perguntas Frequentes sobre Anônimo 3

Quando sai Anônimo 3?

Anônimo 3 ainda não tem data confirmada. Bob Odenkirk aguarda sinal verde da Universal Pictures, que ainda não aprovou o projeto. Se for confirmado, o lançamento provavelmente ocorreria em 2027 ou 2028.

Onde assistir os filmes de Anônimo?

O primeiro ‘Anônimo’ (2021) está disponível na Netflix e Amazon Prime Video no Brasil. ‘Anônimo 2’ (2025) chegou aos cinemas e deve seguir para streaming alguns meses após o lançamento.

Anônimo 2 vale a pena?

Sim, principalmente para quem gostou do primeiro. ‘Anônimo 2’ tem 76% de aprovação no Rotten Tomatoes e mantém a fórmula de ação criativa com humor. A sequência do barco-pato é um destaque coreográfico.

Por que Anônimo 2 demorou tanto para sair?

O intervalo de quatro anos entre os filmes se deve à agenda de Bob Odenkirk com ‘Better Call Saul’ e a um ataque cardíaco que ele sofreu em 2021. A produção também enfrentou ajustes criativos com a entrada do diretor Timo Tjahjanto.

Quem dirige Anônimo 3?

O diretor de Anônimo 3 não foi definido. Timo Tjahjanto comandou o segundo filme, mas pode retornar para outros compromissos como a sequência de ‘Noite Infeliz’. O criador Derek Kolstad permanece envolvido com o roteiro.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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