Analisamos por que 2025 se tornou o ano do ‘bizarro’ na TV, com produções como ‘Andor’, ‘Pluribus’ e ‘Ruptura’ desafiando fórmulas gastas. Descubra como o experimentalismo e a coragem criativa definiram as melhores séries do ano em nossa seleção crítica.
Existe um movimento silencioso, mas definitivo, transformando a televisão. Enquanto os grandes streamings ainda tentam equilibrar as contas com franquias bilionárias e revivals nostálgicos, as melhores séries de 2025 compartilham um DNA comum: a coragem de abraçar o bizarro. De conspirações corporativas sobre design de móveis a ensaios que desafiam a própria noção de realidade, o ano provou que o público está exausto do ‘seguro’ e faminto pelo experimental.
Sim, grandes nomes como ‘The Last of Us’ e ‘Stranger Things’ entregaram o espetáculo esperado. Mas o verdadeiro prestígio em 2025 não veio do CGI de ponta, mas de produções que exigiram do espectador algo que o algoritmo tenta eliminar: a atenção plena. Analisamos como o bizarro bem executado superou o previsível e quais obras definiram o patamar artístico deste ano.
O triunfo do desconforto: ‘A Cadeira’ e ‘O Estúdio’
Se 2025 pudesse ser resumido em uma tendência, seria o humor que recusa o alívio. ‘A Cadeira’, da HBO, é o exemplo mais radical. Tim Robinson traz sua energia caótica de ‘I Think You Should Leave’ para o papel de Ron Trosper, um gerente imerso em uma conspiração absurda sobre uma fabricante de cadeiras. A genialidade aqui é tratar o ridículo com a gravidade de um thriller político dos anos 70. O desconforto não é apenas uma piada; é uma ferramenta de tensão que flerta com o horror psicológico.
Já ‘O Estúdio’, na Apple TV+, usa o bizarro para dissecar a própria indústria que a financia. Seth Rogen e um elenco estelar (destaque para Catherine O’Hara) entregam uma sátira feroz sobre a obsessão de Hollywood por fórmulas. A série funciona porque não teme ser odiada pelos executivos que retrata, usando o meta-comentário de Martin Scorsese para validar sua tese: a arte está morrendo sob o peso das métricas, e apenas o estranho pode salvá-la.
Vince Gilligan e a ficção científica de personagem em ‘Pluribus’
Depois de ‘Breaking Bad’ e ‘Better Call Saul’, Vince Gilligan poderia ter escolhido qualquer caminho fácil. Em vez disso, entregou ‘Pluribus’. Rhea Seehorn finalmente assume o centro do palco como Carol Sturka em uma premissa de sci-fi que, nas mãos de qualquer outro, seria um filme de ação genérico. Aqui, a imunidade a um vírus alienígena é apenas o pano de fundo para um estudo clínico sobre isolamento e a necessidade humana de conexão.
A direção de Gilligan continua sendo a mais precisa da TV moderna. O uso de espaços negativos e o ritmo deliberadamente lento forçam o espectador a observar os micro-movimentos de Seehorn. É uma ficção científica que prioriza a anatomia de um silêncio sobre a explosão de uma nave, e o resultado é hipnotizante.
‘Adolescência’: O impacto técnico do plano-sequência
A Netflix surpreendeu com ‘Adolescência’, um drama britânico que utiliza o virtuosismo técnico para amplificar a angústia. Stephen Graham e o jovem Owen Cooper protagonizam uma história de acusação e trauma onde cada episódio é um plano-sequência ininterrupto. Diferente de outras produções que usam a técnica como exibicionismo, aqui ela serve para simular a claustrofobia de um sistema jurídico e social que não oferece saída. É uma experiência física, exaustiva e essencial.
‘Andor’ e ‘Ruptura’: O retorno dos gigantes
Não há como falar de 2025 sem o encerramento épico de ‘Andor’. Tony Gilroy provou que é possível fazer Star Wars para adultos, focando na logística suja e burocrática da revolução. A segunda temporada não apenas conecta os pontos com ‘Rogue One’, mas eleva Cassian Andor ao status de um dos protagonistas mais complexos da ficção científica moderna. É política pura disfarçada de aventura espacial.
Ao mesmo tempo, ‘Ruptura’ (Severance) retornou para provar que seu mistério não era um truque de uma temporada só. A segunda temporada expande o universo da Lumon sem perder a estética minimalista e perturbadora que a consagrou. O retorno de Mark (Adam Scott) ao escritório é um lembrete de que a melhor ficção científica é aquela que reflete nossas próprias alienações trabalhistas.
Por que essas séries importam?
O que une ‘O Ensaio’ de Nathan Fielder, o drama médico em tempo real ‘The Pitt’ e o romance queer ‘Heated Rivalry’ é a recusa em tratar o espectador como passivo. 2025 foi o ano em que a TV recuperou sua alma ao abraçar o que há de mais humano: nossa estranheza, nossas obsessões e nossa capacidade de sentir desconforto. Em um mar de conteúdos gerados para agradar a todos, as melhores séries foram aquelas que não tiveram medo de não agradar a ninguém — e acabaram conquistando todo mundo.
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Perguntas Frequentes sobre as Melhores Séries de 2025
Onde assistir à segunda temporada de ‘Andor’?
A segunda e última temporada de ‘Andor’ está disponível exclusivamente no Disney+. A série conclui os eventos que levam diretamente ao filme ‘Rogue One: Uma História Star Wars’.
‘Pluribus’ terá uma segunda temporada?
Sim. A Apple TV+ renovou ‘Pluribus’, a nova série de Vince Gilligan com Rhea Seehorn, para uma segunda temporada antes mesmo da estreia da primeira, devido à alta confiança no material.
Qual é a premissa da série ‘A Cadeira’ (The Chair) da HBO?
‘A Cadeira’ é uma comédia de humor ácido criada por Tim Robinson e Zach Kanin. Ela acompanha um gerente de projetos envolvido em uma conspiração surreal e perturbadora dentro de uma indústria de design de móveis.
‘Adolescência’ da Netflix é baseada em fatos reais?
‘Ruptura’ (Severance) termina na 2ª temporada?
Ainda não há confirmação oficial de que a 2ª temporada seja a última. O criador Dan Erickson mencionou ter planos para múltiplas temporadas, dependendo do arco narrativo da Lumon Industries.

