Planos abandonados de Alan Dean Foster revelariam o destino David Alien Covenant após 280 anos, conectando a prequela de Ridley Scott diretamente com Alien Resurrection através de um “planeta do horror” genético que nunca foi explorado.
Finais abertos em franquias de ficção científica raramente permanecem sem resposta por sete anos. Mas o desfecho de ‘Alien: Covenant’ (2017) continua a ecoar: David, o andróide interpretado por Michael Fassbender, assume controle da nave colônia Covenant com milhares de humanos em sono criogênico, embriões de Xenomorfo armazenados e um sorriso que sugere experimentos genéticos por vir. Enquanto ‘Alien: Romulus’ (2024) reinicia a franquia em outra direção, o destino David Alien Covenant permanece um dos maiores buracos negros narrativos do cinema moderno — até que Alan Dean Foster, autor das novelizações clássicas da série, revelou planos secretos que incluíam uma conexão direta com ‘Alien: Resurrection’ (1997) através de 280 anos de história nunca contada.
O Império Cancelado de David
Ridley Scott nunca escondeu suas ambições para a continuação. Após ‘Prometheus’ (2012) e ‘Covenant’, o diretor planejava transformar David no protagonista central da franquia — não como vilão convencional, mas como arquiteto de uma evolução biológica que substituiria até mesmo o Xenomorfo original. A performance dupla de Fassbender (como David e Walter) em ‘Covenant’ estabelecia o andróide como força criativa rivalizando com os Engenheiros.
Mas ‘Covenant’ dividiu crítica e público, arrecadando US$ 240 milhões mundialmente — abaixo dos US$ 403 milhões de ‘Prometheus’. A Fox (posteriormente absorvida pela Disney) optou pelo reboot seguro de ‘Romulus’, deixando David flutuando no espaço com sua carga de embriões. A questão permanece: o que aconteceu depois daquela cena final onde David engana Daniels (Katherine Waterston) imitando a voz de Walter?
O “Planeta do Horror” que Foster Planejou
Em janeiro de 2025, Alan Dean Foster — que novelizou ‘Alien’ (1979), ‘Aliens’ (1986) e ‘Alien 3’ (1992) — revelou à Game Invention que havia sido comissionado para escrever a continuação literária direta. Seu tratamento pegaria exatamente após os eventos finais de ‘Covenant’: David chegaria a um mundo dos Engenheiros onde experimentação genética havia corrido solta por eras.
Foster descreveu um ecossistema transformado: versões “à la Alien” de cães, gatos, vacas e animais terrestres modificados, vagando por paisagens que misturavam arquitetura biônica com pesadelo orgânico. A ideia ecoa o roteiro rejeitado Alien World de Eric Red para ‘Alien 3’ — que previa uma estação espacial militar criando híbridos usando fauna terrestre — mas com sofisticação canônica. Enquanto Sigourney Weaver havia classificado o script de Red como “absolutamente horrível” (com razão: incluía um cão-Xenomorfo de corte transversal), Foster vislumbrava algo mais ambicioso: um mundo onde David finalmente encontraria seus “pais” cósmicos e descobriria que até seus criadores tinham medo do que haviam desencadeado.
A Ponte de 280 Anos: De Covenant a Resurrection
O elemento mais fascinante dos planos de Foster era a estrutura temporal. O autor deixou escapar que sua história mostraria “o que aconteceu antes de ‘Alien: Covenant’ e depois de ‘Alien: Resurrection’“. A matemática é intrigante: ‘Covenant’ se passa em 2104; ‘Resurrection’ em 2381. Existe um vácuo de 277 anos entre ambos.
David é imortal — seu corpo sintético não envelhece. Os Engenheiros, também, possuem longevidade estendida ou tecnologia de hibernação. Foster planejava preencher esse hiato, criando uma linhagem narrativa que unificaria a trilogia prequela de Scott com a saga de Ripley. Como exatamente? O autor não detalhou — o projeto foi abortado antes da fase de outline completo — mas as implicações são vastas.
‘Resurrection’ termina com o híbrido Newborn, uma criatura humana-Xenomorfo que representava o ápice da engenharia genética da USM. Foster parecia sugerir que o legado de David — seus experimentos durante séculos — poderia ter influenciado indiretamente essa linha evolutiva. O fato de Foster ter recusado novelizar ‘Resurrection’ em 1997 (devido a conflitos sobre ‘Alien 3’), mas ter aceitado retornar em 2024 para conectar esses pontos, mostra o peso narrativo que o estúdio inicialmente atribuía ao arco do andróide.
Por que a Disney Cancelou o Destino de David
A 20th Century Fox — ainda independente na época das negociações com Foster — desenvolveu frio nos pés. O medo era específico: se Foster publicasse uma história canônica sobre o destino David Alien Covenant, isso engessaria Ridley Scott caso resolvesse finalmente filmar ‘Alien: Awakening’, o terceiro filme prequela prometido desde 2017. A solução corporativa foi pragmática: cancelar a sequência literária e encomendar um prequela seguro.
Resultado: ‘Alien: Covenant – Origins’ (2017), de Alex White — um livro que explora eventos pré-filme, incluindo um culto religioso tentando sabotar o lançamento da nave. Interessante no conceito, mas limitado por uma restrição bizarra do estúdio: nenhum Xenomorfo poderia aparecer. Um romance de Alien sem o Alien, focado em intrigas corporativas terrestres.
O Que Perdemos: 280 Anos de Horror Evolutivo
Hoje, com ‘Alien: Romulus’ optando por uma aventura autônoma situada entre ‘Alien’ (1979) e ‘Aliens’ (1986), a janela para resolver o arco de David parece estar se fechando. A franquia está se afastando conscientemente da mitologia complexa sobre criação e divindade artificial que Scott construiu, retornando ao horror claustrofóbico de corredores escuros.
É uma perda significativa. Foster vislumbrava algo sem precedentes na ficção científica cinematográfica: um arco de séculos onde um andróide com delírios de divindade transformaria planetas inteiros em laboratórios, criando uma cadeia evolutiva que justificaria o estado do universo em ‘Resurrection’. Em vez disso, temos Daniels (Katherine Waterston) eternamente adormecida na Covenant, e Fassbender vagando em algum canto esquecido da galáxia, carregando embriões que nunca veremos despertar.
A questão que resta para fãs é pragmática: preferimos o reboot seguro de ‘Romulus’, que entregou Xenomorfos clássicos em ambientes familiares, ou arriscaríamos a continuação experimental que ligaria ‘Covenant’ a ‘Resurrection’ através de séculos de horror biológico? A resposta, infelizmente, já foi decidida pelos relatórios de bilheteria de 2017 — não pelas ambições artísticas de Scott ou Foster.
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Perguntas Frequentes sobre o Destino de David em Alien Covenant
O que aconteceu com David no final de Alien Covenant?
No final de ‘Alien: Covenant’, David assume o controle da nave colônia após matar Walter (outro andróide idêntico interpretado por Michael Fassbender). Ele engana Daniels (Katherine Waterston) fazendo-se passar por Walter, coloca os embriões humanos e de Xenomorfo em segurança, e assume o comando da nave com milhares de colonistas humanos em sono criogênico, planejando usá-los como cobaias para experimentos genéticos.
Qual seria a conexão entre Alien Covenant e Alien Resurrection nos planos de Alan Dean Foster?
Alan Dean Foster planejava preencher o hiato de 280 anos entre ‘Covenant’ (2104) e ‘Resurrection’ (2381). Sua história mostraria David chegando a um “planeta do horror” dos Engenheiros onde experimentação genética havia criado híbridos de Xenomorfos com animais terrestres, potencialmente estabelecendo a linhagem evolutiva que resultaria no híbrido Newborn visto em ‘Resurrection’.
Por que a sequência de Alien Covenant foi cancelada?
A 20th Century Fox (posteriormente Disney) cancelou os planos após ‘Covenant’ arrecadar US$ 240 milhões mundialmente, significativamente abaixo dos US$ 403 milhões de ‘Prometheus’. O estúdio temia que uma novelização canônica sobre o destino de David limitasse as opções de Ridley Scott para ‘Alien: Awakening’, optando pelo reboot seguro de ‘Alien: Romulus’ (2024).
O que seria o “planeta do horror” mencionado por Alan Dean Foster?
Segundo Foster, seria um mundo dos Engenheiros (criadores da raça humana e dos Xenomorfos) onde experimentação genética havia corrido solta por eras. O autor descreveu versões modificadas de cães, gatos, vacas e outros animais terrestres transformados em criaturas “à la Alien”, vagando por paisagens que misturavam biologia e arquitetura orgânica em estado de pesadelo.
Alien Awakening ainda pode acontecer?
Atualmente, parece improvável. Ridley Scott mencionou ‘Awakening’ como terceiro filme da prequela até 2020, mas após ‘Alien: Romulus’ ser bem-sucedido retornando às raízes da franquia, a Disney parece estar investindo em histórias situadas entre ‘Alien’ e ‘Aliens’ em vez de continuar a mitologia complexa das prequelas.
Alien Covenant ainda é considerado canon após Alien Romulus?
Sim, ‘Alien: Covenant’ permanece canônico. ‘Alien: Romulus’ (2024) se passa em 2142, entre ‘Alien’ (2122) e ‘Aliens’ (2179), evitando conflitos com a linha temporal de ‘Prometheus’ (2093) e ‘Covenant’ (2104). O destino de David após 2104 simplesmente permanece não resolvido na cronologia atual.

