Além de ‘Duna: Parte 3’, o ano de 2026 promete renovar a ficção científica com apostas ambiciosas. Analisamos o potencial de ‘Dia D’ de Spielberg, o desafio tonal do novo ‘Mestres do Universo’ e por que o thriller de IA de Chris Pratt pode se tornar a próxima grande distopia de Hollywood.
O calendário de 2026 já tem seus pesos-pesados garantidos. ‘Duna: Parte 3’, ‘O Mandaloriano & Grogu’ e ‘Vingadores: Doutor Destino’ são apostas seguras — engrenagens de franquias consolidadas que movimentam bilheterias por inércia. Mas, para quem busca o frescor que o gênero exige, o interesse real reside nos projetos que operam sem rede de segurança. Refiro-me aos filmes que podem tanto inaugurar eras quanto se tornarem notas de rodapé caras na história de Hollywood.
Ao mapear o cenário de ficção científica 2026, três projetos saltam aos olhos. Eles não dependem apenas de hype, mas de uma substância narrativa que tenta responder ao cansaço das fórmulas de super-heróis. Temos um mestre voltando ao seu playground favorito, uma marca dos anos 80 tentando se provar relevante e um conceito original que utiliza a inteligência artificial não como tema, mas como motor de tensão.
Steven Spielberg e ‘Dia D’: o retorno do mestre ao ‘Close Encounters’
Spielberg tem uma relação pragmática com sequências. Ele inventou o blockbuster, mas raramente se permite ficar preso a ele. Quando soubemos que David Koepp — o roteirista de ‘Jurassic Park’ e ‘Guerra dos Mundos’ — estaria ao seu lado em ‘Dia D’, o sinal de alerta de qualidade disparou. Não se trata apenas de mais um filme de alienígenas; é o retorno de Spielberg ao gênero que ele mesmo moldou com um olhar de deslumbramento e terror.
O que torna ‘Dia D’ uma aposta de franquia é a escala. O envolvimento de Emily Blunt sugere uma dramaticidade que foge do genérico. Se Spielberg optar por um final aberto — algo raro em sua filmografia recente — o universo de ‘Dia D’ pode explorar a exploração predatória de recursos espaciais ou a diplomacia interplanetária falha. A questão técnica aqui é vital: espera-se que Spielberg utilize efeitos práticos combinados com o que há de mais moderno em volume cinematográfico, buscando uma textura orgânica que ‘Duna’ resgatou para o gênero.
‘Mestres do Universo’: Travis Knight pode salvar Eternia do ridículo?
Sejamos diretos: a tentativa de 1987 com Dolph Lundgren é um desastre fascinante, mas um desastre. O maior desafio de adaptar He-Man para o live-action em 2026 não é o CGI, mas o tom. ‘Mestres do Universo’ vive no fio da navalha entre o épico de fantasia e o camp involuntário. Sério demais, fica pretensioso; galhofa demais, vira paródia.
A contratação de Travis Knight (‘Bumblebee’, ‘Kubo’) é o movimento mais inteligente da Amazon/Mattel. Knight é um mestre em conferir alma a propriedades intelectuais que pareciam apenas comerciais de brinquedo. Com Nicholas Galitzine e Camila Mendes liderando um elenco que inclui Idris Elba e Jared Leto, a produção sinaliza uma ambição de ‘Star Wars’. Se Knight conseguir transpor a estética de Eternia — misturando alta tecnologia com barbarismo medieval — sem que pareça um desfile de cosplay caro, teremos a primeira grande nova franquia de fantasia científica da década.
‘Pacto Maligno’: o thriller de IA que bebe da fonte de ‘The Purge’
De todos, ‘Pacto Maligno’ (Mercy) com Chris Pratt é o que possui o conceito mais elástico. A premissa de um futuro onde a presunção de inocência é delegada a um algoritmo de IA em tempo real é assustadoramente atual. O diretor Tim Miller (‘Deadpool’) tem a oportunidade de criar um ambiente de alta pressão, quase claustrofóbico, em que a tecnologia é a antagonista invisível.
O potencial de franquia aqui é estrutural, semelhante ao que vimos em ‘Uma Noite de Crime’. O primeiro filme estabelece as regras desse mundo distópico através de um caso isolado (o detetive vivido por Pratt). As sequências podem expandir para a resistência humana contra o sistema ou as falhas globais dessa justiça algorítmica. É ficção científica de conceito alto (high concept) que, se executada com a crueza técnica necessária, pode capturar o zeitgeist de desconfiança tecnológica que domina o público atual.
O veredito: o futuro além das sequências
O sucesso desses três projetos ditará se Hollywood continuará reciclando o passado ou se terá coragem de construir novos mitos. ‘Dia D’ traz o prestígio, ‘Mestres do Universo’ traz o potencial de mundo (worldbuilding) e ‘Pacto Maligno’ traz a relevância social. Em um ano onde ‘Duna’ encerra um ciclo, 2026 será o campo de provas para saber quem herdará o trono da ficção científica nos cinemas.
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Perguntas Frequentes sobre Ficção Científica em 2026
Qual o novo filme de ficção científica de Steven Spielberg para 2026?
O filme é provisoriamente intitulado ‘Dia D’ (ou ‘Event Event’). Conta com roteiro de David Koepp e Emily Blunt no elenco principal. A trama envolve a descoberta de vida extraterrestre com um foco realista e dramático.
Quando estreia o novo filme de ‘Mestres do Universo’ (He-Man)?
O live-action de ‘Mestres do Universo’, produzido pela Amazon MGM Studios e Mattel, tem lançamento previsto para 5 de junho de 2026 nos cinemas dos EUA. O filme é dirigido por Travis Knight.
‘Duna: Parte 3’ será lançado em 2026?
Embora a Warner Bros. tenha reservado uma data para um “filme de evento de Denis Villeneuve” em dezembro de 2026, ainda não há confirmação oficial de que ‘Duna: Messias’ (Parte 3) esteja pronto para essa data, dado o cronograma de produção do diretor.
Do que se trata o filme ‘Pacto Maligno’ (Mercy) com Chris Pratt?
O filme é um thriller de ficção científica ambientado em um futuro próximo, onde um detetive (Chris Pratt) é acusado de um crime e precisa provar sua inocência diante de um sistema de justiça governado por inteligência artificial.

