Enquanto a Pluribus 2ª temporada não chega antes de 2027, ‘The Feed’ na Prime Video oferece uma alternativa tematicamente similar: ambas exploram mente coletiva como espelho de ansiedades tecnológicas, mas com abordagens complementares sobre imposição vs. aceitação voluntária.
Se você terminou a primeira temporada de ‘Pluribus’ na Apple TV+ e agora vive naquela ansiedade de quem precisa saber o que vem depois, tenho notícias. A má: Pluribus 2ª temporada não chega em 2026. A boa: existe uma série que ocupa um espaço temático quase idêntico — e está disponível agora mesmo na Prime Video.
Vince Gilligan confirmou que a continuação está em desenvolvimento, mas ‘não tão rápido quanto eu esperaria’. Para quem conhece o histórico do criador de ‘Breaking Bad’ e ‘Better Call Saul’, isso não surpreende. Gilligan não faz televisão para cumprir prazos anuais. Ele faz televisão para construir mundos — e isso leva tempo.
Por que a 2ª temporada de Pluribus vai demorar
Quando a Apple TV renovou ‘Pluribus’ para uma segunda temporada antes mesmo da série estrear, parecia um voto de confiança excessivo. Mas o resultado justificou: indicações ao Emmy, Globo de Ouro para Rhea Seehorn em 2026, e status de série mais assistida da história da plataforma. O problema é que Gilligan deixou claro: ‘Não vai ser como ‘The Pitt’, voltando todo ano’. A comparação é reveladora. Enquanto algumas séries operam com cronogramas industriais, Gilligan prefere o modelo antigo de ‘Arquivo X’: qualidade acima de velocidade.
Projetando uma data de lançamento para novembro de 2027 (mesmo mês da primeira temporada), estamos falando de um hiato de dois anos. A primeira temporada de ‘Pluribus’ funcionou precisamente porque cada episódio foi construído com paciência artesanal. Se Gilligan está levando o mesmo tempo para planejar a continuação, é porque pretende manter o padrão — não diluir a obra para cumprir um calendário corporativo.
‘The Feed’: a alternativa britânica que merece mais atenção
Enquanto espera, ‘The Feed’ oferece algo raro: uma série que trata do mesmo tema central de ‘Pluribus’ — a mente coletiva e suas consequências éticas — mas com abordagem distinta o suficiente para não parecer repetição. Criada por Channing Powell (veterana de ‘The Walking Dead’), a série estreou em 2019 na Virgin TV Ultra HD no Reino Unido e chegou ao resto do mundo pela Prime Video. Nunca recebeu o reconhecimento que merecia — destino comum de produções de sci-fi cerebral sem um nome como Gilligan no cartaz.
A premissa se desenrola com precisão cirúrgica: em um futuro próximo, Lawrence Hatfield (interpretado por um Keith Carradine em desempenho contido e inquietante) inventa um microchip cerebral que conecta instantaneamente pensamentos, memórias e conhecimento de todos os usuários. O elenco central gira em torno de Nina Toussaint-White como Tom Hatfield, o filho do inventor que herda o fardo moral da criação do pai, e Michelle Fairley (‘Game of Thrones’) como matriarca de uma família em frangalhos.
O que ‘The Feed’ faz bem — e onde peca
Serei direto: ‘The Feed’ não atinge o nível de ‘Pluribus’. Nenhuma série de estreia consegue igualar a maestria narrativa de alguém que passou décadas refinando sua voz em ‘Breaking Bad’ e ‘Better Call Saul’. Mas isso não significa que ‘The Feed’ não tenha méritos próprios.
O ponto forte mais evidente é a construção do arco familiar dos Hatfield. Quando a tecnologia criada pelo patriarca começa a ser usada para assassinatos, a série não se contenta em mostrar o perigo abstrato. Ela foca nas fraturas pessoais: a família que criou o problema agora precisa lidar com as consequências. Há algo de tragédia grega nessa estrutura — o inventor confrontado com sua própria criação descontrolada.
A progressão de ritmo também merece elogio. Sim, ‘The Feed’ começa lenta — assim como ‘Pluribus’. Ambas se recusam a entregar ação barata nos primeiros episódios, preferindo estabelecer personagens e mundo. Mas ‘The Feed’ recompensa a paciência de forma mais explícita: a partir do quarto episódio, a tensão aumenta geometricamente. O que começou como estudo de personagem se transforma em thriller de conspiração, sem perder o fio filosófico. A direção de fotografias fria e clínica complementa a temática de desconexão emocional — um contraste interessante com a paleta mais quente e terrena de ‘Pluribus’.
A comparação que importa: mente coletiva como espelho de nossos medos
Aqui está onde ‘The Feed’ se revela a alternativa ideal para fãs de ‘Pluribus’: ambas usam o conceito de hive-mind não como gadget de ficção científica, mas como espelho de ansiedades tecnológicas contemporâneas. A diferença está no foco do reflexo.
‘Pluribus’ pergunta: o que acontece quando a inteligência artificial atinge um ponto em que não conseguimos mais distinguir individualidade de coletividade? É uma série sobre IA, mas mais especificamente sobre o medo de perder autonomia para sistemas que operam em escalas que não compreendemos.
‘The Feed’ pergunta algo mais imediato: o que acontece quando voluntariamente abrimos mão de nossa privacidade mental em nome de conexão? A série é menos sobre tecnologia imposta e mais sobre tecnologia abraçada — as pessoas querem fazer parte do Feed. Isso a torna, de certa forma, mais perturbadora. Não há vilão externo forçando a conexão. Somos nós mesmos, optando pela facilidade em troca de nossa essência.
Essa distinção — imposição vs. aceitação voluntária — faz das duas séries companheiras perfeitas. Onde uma explora o medo de perder controle, a outra explora a vontade de entregá-lo. Juntas, formam um díptico sobre a mesma ansiedade fundamental do século XXI.
Veredito: vale investir tempo em ‘The Feed’?
Se você amou ‘Pluribus’ pela filosofia embutida no sci-fi, pela construção paciente de personagens e pelas perguntas que permanecem depois que a tela escurece, ‘The Feed’ vai satisfazer a mesma fome. Não no mesmo nível de excelência, mas no mesmo território temático.
A série tem falhas: alguns subplots não se resolvem de forma satisfatória, e o final da primeira temporada é mais aberto do que muitos gostariam. Mas para quem está esperando dois anos pela continuação de ‘Pluribus’, isso pode ser até vantagem. ‘The Feed’ oferece uma temporada completa de 10 episódios com arcos suficientemente envolventes para justificar o investimento de aproximadamente 8 horas.
Minha recomendação: assista agora, enquanto Gilligan finaliza o roteiro da segunda temporada de ‘Pluribus’. Quando ‘The Feed’ terminar, você terá uma perspectiva mais rica sobre o gênero — e talvez descubra que a mente coletiva, como tema, tem mais camadas do que imaginava.
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Perguntas Frequentes sobre Pluribus e The Feed
Quando sai a 2ª temporada de Pluribus?
A segunda temporada de ‘Pluribus’ está prevista para novembro de 2027, segundo projeções baseadas no cronograma de produção de Vince Gilligan. O criador confirmou que a série não seguirá um calendário anual.
Onde assistir The Feed?
‘The Feed’ está disponível na Prime Video globalmente. No Reino Unido, a série foi originalmente exibida pela Virgin TV Ultra HD em 2019.
Quantas temporadas tem The Feed?
‘The Feed’ tem apenas uma temporada de 10 episódios. A série foi cancelada após a primeira temporada, mas os episódios oferecem uma narrativa completa o suficiente para valer o investimento de tempo.
The Feed é similar a Pluribus?
Sim, tematicamente. Ambas exploram o conceito de mente coletiva e suas consequências éticas. A diferença principal: ‘Pluribus’ foca em IA e perda de autonomia, enquanto ‘The Feed’ aborda a entrega voluntária de privacidade mental em nome de conexão social.
Quem criou The Feed?
‘The Feed’ foi criada por Channing Powell, veterana de ‘The Walking Dead’. A série é baseada no romance homônimo de Nick Clark Windo, publicado em 2014.

