‘Absolute Batman’ #18 revela Talons de terno e máscara azul no lugar da armadura clássica. Analisamos como essa mudança redefine a Corte dos Corujas de horror sobrenatural para burocracia do terror — e por que isso funciona.
A Corte dos Corujas sempre foi sobre aparência. A organização secreta que governa Gotham nas sombras não escolheu máscaras de coruja por acaso — o símbolo representa vigilância noturna, sabedoria predatória, e algo perturbador sobre olhos que observam tudo. Quando Scott Snyder e Greg Capullo criaram os Talons em 2011, o design refletia isso: armaduras negras, facas expostas, máscaras de tecido que lembravam caveiras de pássaros. Eram assassinos sobrenaturais disfarçados de sombras. Agora, Corte dos Corujas Absolute Batman joga tudo isso no lixo e propõe algo mais perturbador: burocracia do terror.
O design que transforma assassinos em funcionários
A capa de ‘Absolute Batman’ #18, que chega às lojas em 11 de março, mostra algo que nenhum fã esperava. Os Talons — aqueles assassinos mortos-vivos que servem como braço armado da Corte — abandonaram a armadura tática por algo quase mundano. Sobretudos longos. Coletes à prova de balas sobre camisas xadrezes. E no lugar da máscara de tecido preto que Capullo desenhou, máscaras azuis com textura de penas.
Não é uma mudança estética. É uma redefinição conceitual.
O design original dos Talons gritava “assassino de elite”. O novo design sussurra “alguém que poderia estar no metrô ao seu lado”. A diferença entre terror sobrenatural e horror banal — aquele tipo de medo que vem de perceber que o monstro se parece com você.
Por que a mudança funciona (e arrisca)
O universo Absolute da DC tem uma premissa clara: subverter expectativas sem perder a essência. Em ‘Absolute Batman’, Bruce Wayne não é bilionário — é trabalhador braçal que construiu seu próprio equipamento. O morcego não é símbolo de aristocracia vigilante, mas de alguém que veio de baixo. Nick Dragotta, responsável pela arte, traduz essa filosofia visual desde a primeira edição.
Nesse contexto, Talons de terno fazem sentido narrativo. Se este Batman é “do povo”, seus inimigos deveriam representar o que oprime o povo — não forças místicas, mas instituições. A Corte dos Corujas original já era uma metáfora para elites que manipulam Gotham nas sombras. Vestir seus assassinos como executivos torna a metáfora explícita.
A máscara azul é a escolha mais ousada. Azul não é cor de sombra — é cor de uniforme, de corporação, de algo institucional. Diferente do preto que se camufla no escuro, o azul confronta. Diz: “não precisamos nos esconder. Nós somos o sistema.”
Comparação inevitável: Snyder vs. Absolute
Quando a Corte dos Corujas estreou na fase New 52, Snyder construiu algo que mesclava horror gótico com thriller conspiratório. Os Talons eram mortos-vivos reanimados através de ciência oculta, mantidos em cápsulas de criogenia por séculos. O design de Capullo refletia isso: armaduras que lembravam algo entre ninja feudal e experimento científico fracassado.
Aquela versão apareceu em ‘Gotham Knights’ (o jogo) e ‘Batman vs. Robin’ (animação), sempre mantendo a estética sombria e tática. Funcionava para o que era: uma ameaça sobrenatural que explicava por que ninguém notou uma sociedade secreta governando Gotham por gerações. “É difícil ver o que não quer ser visto”, como dizia a charada.
O design Absolute joga em outra direção. Não quer ser invisível — quer ser ubíquo. Se os Talons originais eram fantasmas, estes são funcionários. O horror muda de registro.
A questão que ninguém está fazendo
O material promocional levanta uma possibilidade intrigante: “há chance de os Talons serem heróis nesse novo Batman.” Seria uma inversão radical — assassinos da Corte se tornando aliados de Batman.
Soa absurdo? Talvez não tanto quanto parece.
No universo Absolute, onde subversão é regra, a Corte poderia representar algo diferente. Não uma elite que oprime, mas uma resistência que… ainda não sabemos. O sobretudo e a camisa xadrez podem sugerir origem humilde, não aristocracia. E a máscara azul — cor de esperança em algumas tradições, cor de céu — pode não ser acidente.
Puramente especulativo, claro. Mas em um universo onde Batman constrói a si mesmo em uma oficina, onde nada é dado de presente, Talons como figuras moralmente cinzas faria mais sentido do que Talons puramente vilanescos.
O que isso significa para o futuro do personagem
Rumores apontam que ‘The Batman 2’ pode apresentar a Corte dos Corujas. Se isso se confirmar, Matt Reeves terá uma decisão interessante: seguir o design clássico ou aprender com o que ‘Absolute Batman’ está fazendo.
O cinema vive há anos preso à ideia de que vilões de quadrinhos precisam ser “realistas”. O Talon original, com sua armadura negra e facas expostas, já funcionava nessa estética. Mas o design Absolute oferece algo que filmes de super-heróis raramente exploram: horror burocrático. Aterrorizante não pela ameaça física, mas pelo que representa socialmente.
Se Reeves quer que sua Corte dos Corujas ressoe com o momento atual — onde o medo real vem de instituições, não de monstros — o design de ‘Absolute Batman’ oferece um caminho visual mais potente que o original de Snyder.
Veredito: evolução ou traição?
Fãs puristas vão reclamar. Sempre reclamam. “Isso não é a Corte dos Corujas que eu conheço.” E tecnicamente, estão certos — não é.
Mas a pergunta relevante não é “isso é fiel ao original?” e sim “isso é interessante por si mesmo?” A resposta é afirmativa.
O design original de Snyder/Capullo serviu seu propósito: estabeleceu a Corte como ameaça sobrenatural em um Batman que ainda descobria seu lugar no pós-reboot. O design Absolute serve um propósito diferente: em um Batman que já sabe quem é, os inimigos precisam ser mais que monstros — precisam ser espelhos.
Talons de terno e máscara azul não são “menos ameaçadores” que Talons de armadura negra. São ameaçadores de forma diferente. Onde o primeiro faz você temer o que se esconde no escuro, o segundo faz você temer o que caminha ao seu lado na luz do dia.
E honestamente? Esse segundo medo é muito mais perturbador.
‘Absolute Batman’ #18 chega em 11 de março. Se a capa já entrega isso, o que mais a equipe criativa tem guardado nas páginas internas? Aguardo com a mistura de ansiedade e curiosidade que todo bom quadrinho de Batman deveria provocar.
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Perguntas Frequentes sobre a Corte dos Corujas em Absolute Batman
Onde comprar ‘Absolute Batman’ #18?
‘Absolute Batman’ #18 estará disponível em lojas de quadrinhos especializadas e plataformas digitais como ComiXology e Kindle a partir de 11 de março de 2026.
O que é o universo Absolute da DC?
O selo Absolute é uma linha da DC que reimagina personagens clássicos com premissas invertidas. Em ‘Absolute Batman’, Bruce Wayne não é bilionário, mas um trabalhador braçal que constrói seu próprio equipamento — subvertendo a origem tradicional do Cavaleiro das Trevas.
Quem criou a Corte dos Corujas original?
A Corte dos Corujas foi criada por Scott Snyder (roteiro) e Greg Capullo (arte) em 2011, durante a fase New 52 de Batman. Os Talons apareceram pela primeira vez em ‘Batman’ #7-8.
A Corte dos Corujas vai aparecer em ‘The Batman 2’?
Rumores indicam que a Corte dos Corujas pode ser a antagonista de ‘The Batman 2’, filme de Matt Reeves previsto para 2027. A Warner Bros. não confirmou oficialmente.

