William Stanford Davis revelou bastidores do crossover entre Abbott Elementary e It’s Always Sunny, destacando o profissionalismo de Danny DeVito. Entenda por que essa experiência humana pode viabilizar uma continuação inédita entre as séries.
Quando ‘Abbott Elementary’ e ‘It’s Always Sunny in Philadelphia’ anunciaram seu crossover, a reação inicial foi de ceticismo justificado. Como uma sitcom de humor docu-style sobre professores underfunded poderia conviver com o caos nihilist de um grupo de donos de bar moralmente falidos? A resposta veio em dois episódios que provaram: o impossível funciona quando há inteligência por trás. E agora, com relatos de bastidores emergindo, descobrimos que o sucesso dessa fusão tem muito a ver com profissionalismo — especificamente, o de Danny DeVito.
O momento que definiu o tom do crossover
William Stanford Davis, o Mr. Johnson de ‘Abbott Elementary’, concedeu uma entrevista à ScreenRant que revela mais sobre o funcionamento interno desse experimento televisivo do que qualquer crítica poderia capturar. O ator não apenas confirmou seu desejo por uma continuação — ele ofereceu uma janela para o que torna colaborações assim especiais.
O relato central envolve Danny DeVito e uma armadilha para guaxinins. Sim, isso é televisão no seu estado mais físico e menos glamoroso. Davis conta que, quando a produção chamou o elenco para o set, DeVito já estava posicionado: coberto de lama, dentro da armadilha, pronto para rodar. “Ele não hesitou em fazer nada”, disse Davis. “Eu disse pro Tyler [James Williams]: ‘Cara, a gente tem que elevar nosso jogo. Olha pra esse cara. Ele tá pronto pra rock and roll. Já tá na lama.’ Pra mim teria levado dois dias! Eu ia ficar todo melindrado lá dentro.”
É uma anedota que poderia passar como simples curiosidade de set. Mas ela carrega algo essencial sobre por que o crossover funcionou: não houve ego. Não houve “série A versus série B”. Houve atores comprometidos com o ridículo absoluto que ambas as propostas exigem.
Por que DeVito mudou a percepção do crossover
Para quem acompanha ‘It’s Always Sunny’ desde suas origens obscuras no FX, DeVito sempre foi o elemento caótico — o Frank Reynolds que come salsichas no chão de um alley e manipula a própria família com gosto sádico. Ver esse ator de 79 anos se jogar literalmente na lama por uma cena de sitcom network não é apenas comovente; é um statement.
Ele poderia ter exigido dublê. Poderia ter negociado limites. Em vez disso, escolheu liderar pelo exemplo — e isso repercutiu no elenco de ‘Abbott Elementary’, uma série que construiu sua identidade na autenticidade de suas performances. Quinta Brunson criou um show onde o mockumentary serve verdade emocional; DeVito entendeu que, para habitar esse universo, precisava entregar o mesmo compromisso que ele traz para o Paddy’s Pub há 17 temporadas.
Davis reconhece isso implicitamente quando admite que “teria levado dois dias” para fazer o mesmo. Não é falsa modéstia — é admiração genuína por um veterano que não perdeu a vontade de se sujar pelo ofício.
Os números que justificam uma continuação
Do lado comercial, o argumento é irrefutável. “Volunteers”, o episódio de ‘Abbott Elementary’ que iniciou o crossover, alcançou nota 8.6/10 no IMDb — o mais bem avaliado da série, empatado apenas com “Party” da terceira temporada. Isso não é coincidência. O público respondeu à audácia de ver dois mundos colidirem sem que nenhum dos dois perdesse sua identidade.
A estrutura do crossover foi engenhosa: começou em ‘Abbott’ com o gang de ‘It’s Always Sunny’ cumprindo serviço comunitário obrigatório na escola, depois se estendeu para o episódio de abertura da 17ª temporada de ‘Sunny’, com os dois grupos se encontrando no bar. Isso permitiu que cada série mantivesse seu território enquanto expandia o experimento. Barbara (Sheryl Lee Ralph) ensinando Charlie (Charlie Day) a ler. Ava (Janelle James) transformando Mac (Rob McElhenney) em vice-diretor. Frank e Mr. Johnson compartilhando tempo de tela. As combinações funcionaram porque respeitaram a lógica interna de cada personagem.
Mas ainda há território inexplorado. Davis menciona que existem “outros pairings de personagens não realizados” — e qualquer fã das duas séries pode imaginar as possibilidades. Dee interagindo com Melissa? Dennis tentando impressionar Janine com seu “sistema” de manipulação? O potencial cômico é vasto, e as renovações confirmadas (‘Abbott’ para temporada 6, ‘Sunny’ para temporada 18) tornam tudo tecnicamente viável.
Os obstáculos e os argumentos para uma continuação
Davis foi honesto: “Se eu soubesse, não poderia te contar”. A prudência é esperada em entrevistas de elenco. Mas seu entusiasmo é revelador. “Espero que possamos fazer mais crossovers”, afirmou, “especialmente outro com ‘It’s Always Sunny’. Foi muito divertido trabalhar com eles.”
O obstáculo óbvio é logístico. Duas séries em produção ativa, com cronogramas diferentes, elencos ocupados e redes distintas (ABC e FX) precisam coordenar algo que, no fim das contas, é um luxo criativo, não uma necessidade comercial. Ambas as séries sobrevivem bem sem crossovers. ‘Abbott Elementary’ já provou que pode atrair nomes como Bradley Cooper, Taraji P. Henson e jogadores do Philadelphia Eagles sem precisar de parcerias inter-series. ‘It’s Always Sunny’ segue sua jornada surreal rumo ao recorde de sitcom live-action mais longa da história.
Mas o que favorece é exatamente o que Davis destacou: a experiência foi positiva. E em Hollywood, onde relacionamentos determinam projetos, isso conta mais do que pareceria. Se DeVito se jogou na lama com prazer, se o elenco de ‘Abbott’ saiu impressionado com a generosidade do time de ‘Sunny’, a fundação humana para uma repetição está construída.
Por que isso importa além da curiosidade de fã
Crossovers televisivos costumavam ser eventos de sweeps month — artifícios de audiência que raramente serviam à narrativa. Pense nos encontros entre séries de crime procedural dos anos 2000, onde personagens de shows diferentes resolviam casos juntos por duas horas esquecíveis. O que ‘Abbott Elementary’ e ‘It’s Always Sunny’ fizeram foi diferente: usaram a dissonância tonal como fonte de comédia, não como obstáculo a ser disfarçado.
Uma escola pública underfunded da Filadélfia onde professores lutam por recursos básicos encontra um grupo de narcisistas que destruíram seu próprio bar. A conexão geográfica (ambas as séries se passam na mesma cidade) sempre existiu; o que faltava era coragem para explorá-la. Quando deu certo, provou que o público televisivo de 2026 está pronto para experimentos que desafiam categorias.
O relato de Davis sobre DeVito é a metáfora perfeita para isso: um ator que poderia repousar na aura de lenda escolhendo se sujar literalmente por uma piada. É isso que faz crossovers funcionarem — não marketing cruzado, mas humildade criativa. Se ‘Abbott Elementary’ e ‘It’s Always Sunny in Philadelphia’ retornarem a essa parceria, será porque os envolvidos entenderam que a colaboração vale o esforço. E, pelo que vimos até agora, vale muito.
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Perguntas Frequentes sobre o crossover
Quais episódios são o crossover entre Abbott Elementary e It’s Always Sunny?
O crossover acontece em dois episódios: “Volunteers” (4ª temporada de Abbott Elementary) e o episódio de estreia da 17ª temporada de It’s Always Sunny in Philadelphia. Ambos foram exibidos em janeiro de 2025.
Onde assistir o crossover de Abbott Elementary e It’s Always Sunny?
Nos EUA, ambos os episódios estão disponíveis no Hulu. Abbott Elementary também vai ao ar na ABC, enquanto It’s Always Sunny é exibido no FX. No Brasil, Abbott Elementary está na Star+.
Vai ter outro crossover entre Abbott Elementary e It’s Always Sunny?
Não há confirmação oficial, mas William Stanford Davis expressou interesse público. As duas séries foram renovadas (Abbott para 6ª temporada, Sunny para 18ª), o que torna tecnicamente possível uma continuação.
Danny DeVito participou de Abbott Elementary?
Sim, Danny DeVito apareceu como Frank Reynolds no crossover, interpretando o personagem de It’s Always Sunny em Abbott Elementary. A cena dele na armadilha de guaxinins foi um dos momentos mais comentados do episódio.

