‘A Torre Negra’: Por que Mike Flanagan recusa o filme de 2017 como ‘palavra final’

Mike Flanagan não quer apenas adaptar ‘A Torre Negra’; ele quer redimi-la. Analisamos por que o diretor ignora a versão de 2017 e como sua estratégia de cinco temporadas e dois filmes é a única forma de traduzir a complexa obra-prima de Stephen King para as telas.

Existe um tipo de fracasso em Hollywood que não apenas decepciona — ele contamina. O filme de ‘A Torre Negra’ de 2017 é um desses casos. Com 16% de aprovação da crítica e uma legião de fãs de Stephen King sentindo-se traídos, a adaptação de Nikolaj Arcel não foi apenas um filme ruim; foi uma barreira para futuras tentativas. Mike Flanagan, o atual mestre do horror psicológico, decidiu que é hora de quebrar esse feitiço.

“Não podemos deixar aquilo ser a palavra final. Realmente não podemos”, declarou Flanagan à Empire Magazine. A frase carrega o peso de quem já provou que entende a psique de King com ‘O Jogo de Gerald’ e ‘Doutor Sono’. Para Flanagan, redimir Roland Deschain não é um projeto de vaidade, mas uma necessidade narrativa.

O erro de 2017: Condensação vs. Expansão

O erro de 2017: Condensação vs. Expansão

O problema central da versão de 2017, estrelada por Idris Elba e Matthew McConaughey, foi a tentativa impossível de condensar uma saga de oito livros em apenas 95 minutos. O resultado foi um híbrido de ação genérica que ignorou o Ka-tet — o grupo de personagens que é o coração emocional da obra. Flanagan entende que ‘A Torre Negra’ Mike Flanagan não pode ser um filme de ação; precisa ser uma jornada épica de construção de mundo.

A estrutura planejada pelo diretor é radicalmente diferente: cinco temporadas de televisão seguidas por dois filmes de longa-metragem. Essa abordagem respeita o ritmo de King, permitindo que a estranheza do Mundo-Médio respire antes de explodir em momentos cinematográficos de grande escala.

O desafio dos direitos e o ‘King-verse’

A ambição de Flanagan esbarra em uma teia burocrática. Em entrevista ao ScreenRant, ele admitiu que garantir os direitos de certos personagens tem sido desafiador. Isso ocorre porque a saga é o centro de um multiverso; ela cruza com ‘Salem’s Lot’, ‘Coração Assombrado’ e ‘Insônia’.

Personagens como o Padre Callahan ou o próprio Rei Rubro possuem direitos que podem estar fragmentados entre diferentes estúdios. Uma adaptação fiel exige que Flanagan navegue por esse labirinto legal para garantir que a Torre seja, de fato, o nexo de todas as realidades de King, e não apenas uma história isolada.

Por que o estilo de Flanagan é o antídoto para o fracasso anterior

Por que o estilo de Flanagan é o antídoto para o fracasso anterior

Se a versão de 2017 foi apressada e superficial, o trabalho de Flanagan em ‘A Maldição da Residência Hill’ e ‘Missa da Meia-Noite’ prova que ele domina o slow-burn. ‘A Torre Negra’ exige paciência. É um western metafísico que brinca com loops temporais e a própria natureza da ficção.

O diretor já sinalizou que os roteiros estão sendo desenvolvidos com foco na fidelidade absoluta ao primeiro livro, ‘O Pistoleiro’. Isso significa abraçar o tom onírico e desolador que o filme de Arcel tentou higienizar para o grande público. Flanagan não quer fazer um blockbuster; ele quer fazer um testamento à obra-prima de King.

‘Carrie’ no Prime Video: O aperitivo de 2026

Enquanto a longa jornada rumo à Torre continua, Flanagan já concluiu as filmagens de sua versão de ‘Carrie’ para o Prime Video. Com Summer H. Howell no papel principal, a série limitada serve como uma prova de conceito para sua parceria contínua com a obra de King. Diferente das adaptações anteriores de Brian De Palma ou Kimberly Peirce, espera-se que Flanagan explore mais a estrutura documental do livro original, preparando o terreno para a complexidade narrativa que ele pretende aplicar em ‘A Torre Negra’.

A promessa de uma redenção real

Flanagan foi honesto: o projeto levará tempo. Mas há uma diferença crucial entre este anúncio e os anteriores: desta vez, há uma visão arquitetônica. Cinco temporadas e dois filmes não é um plano de marketing; é um mapa. Para quem esperou décadas para ver o deserto de Mohaine ganhar vida com a dignidade que merece, a paciência parece ser, finalmente, uma virtude recompensada.

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Perguntas Frequentes sobre ‘A Torre Negra’ de Mike Flanagan

A nova série de ‘A Torre Negra’ será uma continuação do filme de 2017?

Não. Mike Flanagan confirmou que o projeto é um reboot total e não terá qualquer ligação com o filme estrelado por Idris Elba. O objetivo é uma adaptação fiel aos livros.

Onde a série de ‘A Torre Negra’ será exibida?

O projeto está sendo desenvolvido pela Intrepid Pictures (produtora de Flanagan) em parceria com a Amazon MGM Studios, devendo ser lançada no Prime Video.

Qual será o formato da adaptação?

O plano atual de Flanagan consiste em cinco temporadas de televisão seguidas por dois filmes de longa-metragem para cobrir toda a saga literária.

Já existe um elenco escalado para Roland Deschain?

Até o momento, nenhum ator foi oficialmente escalado. Flanagan afirmou que o casting só ocorrerá quando a produção estiver mais próxima das filmagens, dada a natureza de longo prazo do compromisso.

Quando estreia ‘A Torre Negra’ de Mike Flanagan?

Ainda não há uma data de estreia definida. O projeto está em fase de desenvolvimento de roteiros e negociação de direitos complexos entre estúdios.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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