‘A Rainha do Sul’: por que a série com Alice Braga é a sucessora ideal de ‘Narcos’

Analisamos por que ‘A Rainha do Sul’ na Netflix é a sucessora definitiva de ‘Narcos’. Descubra como a atuação contida de Alice Braga e o ritmo acelerado da produção criam um thriller de cartel superior em tensão e desenvolvimento de personagem.

Quando ‘Narcos’ terminou em 2017 e ‘Ozark’ encerrou sua saga em 2022, ficou um vazio específico no streaming: aquela série que você maratona num fim de semana, imerso num mundo de cartéis, traições e personagens moralmente cinzentos. Se você busca ‘A Rainha do Sul’ Netflix para preencher esse espaço, a boa notícia é que a série não apenas ocupa o vácuo, mas em alguns aspectos, supera seus antecessores em ritmo e dinamismo.

Assisti às cinco temporadas e a conclusão é clara: enquanto produções como ‘Breaking Bad’ focam na queda moral, ‘A Rainha do Sul’ foca na sobrevivência como arte. Não é apenas mais uma série de tráfico; é um estudo de caso sobre como o poder transforma o indivíduo, carregado por uma das atuações mais subestimadas da última década.

Alice Braga e a construção da ‘Mulher de Branco’

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Teresa Mendoza não é Walter White ou Pablo Escobar. O diferencial de Alice Braga (que brilha em ‘Dark Matter’ e ‘Cidade de Deus’) é a contenção. Nas primeiras temporadas, a série utiliza um recurso narrativo interessante: visões da ‘Teresa do Futuro’ — sempre vestida de branco, impecável e implacável — que contrastam com a Teresa fugitiva e suja do presente.

Essa dualidade cria uma tensão constante. Braga opera num registro sutil; ela não precisa de explosões de fúria para demonstrar autoridade. A mudança está no olhar, que vai do pavor absoluto no piloto à frieza calculista na quinta temporada. Há uma cena específica no final do segundo ano onde Teresa precisa decidir o destino de um traidor; a câmera fecha em seu rosto e, sem uma palavra, entendemos que a inocência da personagem morreu ali. É atuação de primeira linha que ancora toda a série.

Por que o ritmo supera ‘Narcos’ e ‘Ozark’

Muitos dramas de cartel sofrem com o ‘meio de temporada’ arrastado. ‘Narcos’ frequentemente parava para dar lições de história, e ‘Ozark’ às vezes se perdia em subtramas familiares densas. ‘A Rainha do Sul’ evita isso com uma urgência quase febril. Cada episódio de 40 minutos é estruturado como um thriller de sobrevivência.

A influência da equipe de ‘Mr. Robot’ na produção é visível na montagem ágil e na trilha sonora pulsante. A série entende que, no mundo do narcotráfico, o tempo é o maior inimigo. Essa cadência faz com que os 62 episódios passem voando, tornando-a a candidata perfeita para o binge-watching.

A estética do submundo: de Culiacán a Nova Orleans

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Tecnicamente, a série evolui de forma impressionante. A fotografia começa com tons quentes e saturados no México, evocando o perigo e o calor, e transita para uma paleta fria, azulada e metálica quando a operação se move para os Estados Unidos e Europa. Essa mudança visual acompanha a própria frieza de Teresa.

Diferente de ‘O Dono de Kingstown’, que aposta num realismo cru e por vezes depressivo, ‘A Rainha do Sul’ abraça uma estética mais estilizada. As sequências de ação, especialmente a emboscada no armazém na terceira temporada, são coreografadas com uma precisão técnica que rivaliza com grandes produções cinematográficas, usando planos-sequência curtos que aumentam a claustrofobia do espectador.

Veredito: Ainda vale a pena em 2026?

Embora tenha estreado há quase uma década, o roteiro de ‘A Rainha do Sul’ envelheceu como vinho. Ao contrário de séries que esticam a trama até perder o sentido, aqui há um arco de personagem completo e um encerramento satisfatório na quinta temporada. Ela oferece o equilíbrio raro entre o entretenimento puro de ação e a profundidade de um drama de personagens.

Se você quer uma protagonista que não depende de força bruta, mas de inteligência estratégica em um tabuleiro onde todos os jogadores são letais, dê o play. Teresa Mendoza não quer apenas ser a rainha; ela quer sobreviver ao reinado, e essa jornada é viciante do início ao fim.

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Perguntas Frequentes sobre ‘A Rainha do Sul’

‘A Rainha do Sul’ está completa na Netflix?

Sim, todas as 5 temporadas (62 episódios) de ‘A Rainha do Sul’ estão disponíveis no catálogo da Netflix, com a história totalmente concluída.

A série é baseada em fatos reais?

Não diretamente. A série é uma adaptação do livro ‘La Reina del Sur’, de Arturo Pérez-Reverte. Embora o autor tenha se inspirado em figuras reais do tráfico, Teresa Mendoza é uma personagem fictícia.

Qual a diferença entre ‘A Rainha do Sul’ e ‘La Reina del Sur’?

‘La Reina del Sur’ (com Kate del Castillo) é uma telenovela produzida pela Telemundo, mais fiel ao livro. ‘A Rainha do Sul’ (com Alice Braga) é uma versão reimaginada como série de drama/ação americana para o USA Network.

Preciso assistir ‘Narcos’ antes de ‘A Rainha do Sul’?

Não. As histórias são totalmente independentes. A comparação ocorre apenas pelo gênero e temática de cartéis, mas ‘A Rainha do Sul’ possui seu próprio universo e cronologia.

Alice Braga fala português na série?

Embora Alice Braga seja brasileira, a personagem Teresa Mendoza é mexicana. Por isso, a atriz fala inglês e espanhol na série. O português aparece raramente em contextos específicos.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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