‘Lanternas’ confirma o pior: Hal Jordan não volta ao DCU

O final de ‘Lanternas’ oficializou a morte de Hal Jordan no DCU com uma despedida madura e definitiva. Analisamos como a cena do Halogram encerra o arco de Kyle Chandler e abre caminho para John Stewart carregar o anel.

Não existe mais espaço para teoria da conspiração. O final de ‘Lanternas’ fez o que a série vinha ensaiando desde o primeiro episódio: oficializou, sem brecha para interpretação, que Hal Jordan está morto no DCU. E não daquele tipo de morte que o público de super-herói aprendeu a ignorar — é uma morte definitiva, com direito a despedida, luto e passagem de bastão. Se você ainda guardava esperança de ver Kyle Chandler voando por aí em ‘Superman’ ou em qualquer outro filme do estúdio, senta que a notícia é dura.

Desde o episódio 1, a série jogou na nossa cara o corpo congelado de Hal em 2026. Mas ‘Lanternas’ construiu sua narrativa em idas e vindas temporais, e essa estrutura brincou com a nossa cabeça: se a série pula de década em década, quem garante que a morte era o ponto final? Quem garante que não havia um truque de cronologia para ressuscitar o personagem? Pois bem. O oitavo episódio respondeu com uma maturidade que o gênero raramente tem coragem de assumir.

O final de ‘Lanternas’ confirma o que todo mundo esperava (mas não queria acreditar)

O final de 'Lanternas' confirma o que todo mundo esperava (mas não queria acreditar)

Vamos ser honestos: a morte de Hal Jordan sempre pareceu um evento estranho para uma série de estreia. Escalar Kyle Chandler — um ator com a presença de um protagonista de cinema — para matá-lo no piloto é uma decisão ousada. E a série sabia disso. Por isso, durante oito episódios, ela plantou migalhas de esperança. A principal delas veio de Sinestro, que ofereceu a John Stewart a possibilidade de trazer Hal de volta à vida. Era a deixa perfeita para um resgate milagroso, uma última batalha, um ‘eu nunca te abandonei’.

Só que Sinestro é um mentiroso. E não um mentiroso qualquer: é o responsável por assassinar um Guardião do Universo. A oferta dele não era um presente — era uma isca. E o mais bonito disso tudo é que John Stewart percebeu. Ele não caiu na armadilha, não tentou o atalho, não fez o que 90% dos heróis de franquia fariam. Ele aceitou a morte de Hal como parte do processo. Essa é a diferença entre um personagem escrito com inteligência e um personagem escrito para agradar fã.

A cena final é um estudo de contenção. John Stewart se despede do Halogram — aquela cópia digital de Hal de 2016, criada antes de todas as mágoas, antes da desilusão com os Guardiões. O Halogram representa o Hal que poderia ter sido: esperançoso, limpo, acreditando no sistema. E é exatamente essa versão que precisa desaparecer para que John assuma o anel. Quando ele ativa o anel como seu, a implicação é clara: o Halogram é apagado. Kyle Chandler encerra sua passagem pelo DCU naquele momento, sem alarde, sem fanfarra.

A despedida do Halogram é a cena mais madura do DCU até aqui

Existe uma tendência em produções de super-herói de transformar despedidas em espetáculos. Explosões, discursos épicos, participações especiais. ‘Lanternas’ faz o oposto. A despedida entre John e o Halogram é íntima, quase silenciosa. Não há lágrimas forçadas nem frases de efeito. Há apenas a compreensão mútua de que um ciclo terminou. John não precisa dizer ‘eu vou honrar seu legado’ — a forma como ele coloca o anel já diz tudo.

O que torna essa cena tão poderosa é o contexto. O Halogram de 2016 é uma versão de Hal que nunca viveu os anos de amargura que vimos ao longo da série. Ele é, de certa forma, um fantasma do passado — não no sentido literal, mas no sentido emocional. Quando John o apaga, ele não está apenas eliminando uma inteligência artificial; está enterrando a versão idealizada de um herói que ele admirava. É um rito de passagem disfarçado de cena de diálogo.

E é preciso destacar: o DCU poderia ter feito a escolha fácil. Poderia ter trazido Hal de volta no último segundo, poderia ter transformado a morte em um cliffhanger para a segunda temporada. Mas não fez. E essa coragem narrativa é exatamente o que diferencia ‘Lanternas’ de outras produções do gênero. A morte aqui não é um truque — é uma consequência. E consequências, no universo de super-heróis, são mais raras do que deveriam.

Kyle Chandler fez mais por Hal Jordan em 8 episódios do que décadas de adaptações

Kyle Chandler fez mais por Hal Jordan em 8 episódios do que décadas de adaptações

Preciso falar sobre a atuação de Kyle Chandler, porque ela merece mais do que um parágrafo de elogio genérico. Em oito episódios, Chandler interpretou pelo menos três versões diferentes do mesmo personagem: o Hal jovem e esperançoso, recém-escolhido pelo anel; o veterano endurecido, desiludido com os Guardiões e agindo por conta própria; e o homem velho, carregando arrependimentos e tentando fazer as pazes com o próprio passado. São fases de vida distintas, com posturas, vozes e olhares diferentes — e Chandler navega por todas com uma naturalidade impressionante.

Existe uma cena específica que resume o talento dele: o momento em que Hal, já ciente do próprio fim, olha para John com uma mistura de orgulho e tristeza. Não há discurso. Não há música crescendo ao fundo. Há apenas um ator que entende que a despedida verdadeira não precisa de palavras. É o tipo de atuação que faz você esquecer que está assistindo a um programa de super-herói e lembrar que está assistindo a um drama humano de primeira linha.

A química entre Chandler e Aaron Pierre também merece destaque. Em uma narrativa não-linear, construir uma relação que funcione em diferentes linhas do tempo é um desafio enorme. E eles conseguem: você acredita na parceria, no conflito, no respeito mútuo. Quando John assume o anel, você sente que ele carrega algo de Hal — não só o poder, mas a lição. Isso é mérito dos dois atores e da direção que soube extrair o melhor de ambos.

Vale lembrar que Hal Jordan nunca teve uma adaptação live-action à altura. O filme de 2011 com Ryan Reynolds é uma piada que o próprio Reynolds aprendeu a rir. Animações o trataram como coadjuvante de luxo. ‘Lanternas’ fez algo que ninguém tinha feito: deu a Hal Jordan um arco completo, com começo, meio e fim. E Kyle Chandler entregou uma performance que, daqui a alguns anos, será lembrada como a versão definitiva do personagem — mesmo que ele não esteja mais por aqui.

O que a morte de Hal Jordan significa para o futuro do DCU

Com o anel ativado por John Stewart, o DCU oficializa sua nova geração de Lanternas. E isso explica muita coisa. Guy Gardner, aquele Lanterna que apareceu em ‘Superman’ (2025) interpretado por Nathan Fillion, agora faz sentido: com Hal morto e John em ascensão, a Tropa dos Lanternas Verdes da Terra precisa de mais membros. A morte de Hal não é apenas um evento trágico — é o catalisador para a construção de um novo status quo.

O que me deixa mais animado é que o DCU está mostrando disposição para matar personagens importantes sem piscar. Isso é raro. A Marvel construiu um universo inteiro em cima de mortes que nunca pegavam. ‘Lanternas’ faz o oposto: elimina um dos Lanternas mais icônicos dos quadrinhos na primeira temporada de uma série. É um sinal de que o estúdio leva a sério a ideia de consequências. E consequências criam drama. Drama cria investimento emocional.

Claro, fãs de quadrinhos sabem que Hal Jordan já morreu e voltou várias vezes nas HQs. A morte é um estado temporário no multiverso. Mas no DCU, pelo menos por enquanto, a morte de Hal é permanente. E isso é bom. Isso dá peso ao que vimos. Isso faz com que a jornada de John Stewart tenha um custo real. Se Hal voltasse na segunda temporada, a despedida do Halogram perderia todo o significado.

No fim das contas, o final de ‘Lanternas’ não é sobre morte — é sobre legado. É sobre aceitar que alguns heróis não existem para durar para sempre; existem para preparar o caminho de quem vem depois. Kyle Chandler fez sua parte com maestria, entregando uma versão de Hal Jordan que vai ser difícil de superar. E Aaron Pierre agora carrega o anel — e a responsabilidade — de continuar essa história.

Eu vou sentir falta de Hal. Mas se o DCU continuar tratando seus personagens com esse nível de respeito narrativo, talvez John Stewart faça a gente esquecer. Ou, pelo menos, entender por que a despedida era necessária.

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Perguntas Frequentes sobre o final de ‘Lanternas’

Hal Jordan morre no final de ‘Lanternas’?

Sim. A morte de Hal Jordan é confirmada no oitavo e último episódio da primeira temporada. A série não deixa margem para interpretação: a despedida do Halogram e a ativação do anel por John Stewart encerram o arco de forma definitiva.

O que é o Halogram em ‘Lanternas’?

O Halogram é uma cópia digital de Hal Jordan criada em 2016, antes de sua desilusão com os Guardiões do Universo. Ele representa a versão idealizada e esperançosa do personagem, e sua eliminação simboliza o amadurecimento de John Stewart.

Kyle Chandler vai aparecer na segunda temporada de ‘Lanternas’?

Não há confirmação oficial, mas tudo indica que não. A morte de Hal foi tratada como definitiva, e a série deixou claro que a despedida do Halogram encerra a participação de Kyle Chandler no DCU — pelo menos por enquanto.

Onde assistir ‘Lanternas’?

‘Lanternas’ está disponível no streaming da HBO Max (Max) desde o lançamento da primeira temporada. A série faz parte do novo DCU liderado por James Gunn e Peter Safran.

Quantos episódios tem a primeira temporada de ‘Lanternas’?

A primeira temporada de ‘Lanternas’ tem 8 episódios, com duração média de 50 a 60 minutos cada. O final, que confirma a morte de Hal Jordan, é o episódio 8.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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