Em ‘Supergirl’ (2026), Craig Gillespie inclui aranhas robóticas que não existem na HQ original. Analisamos como essa escolha resgata e corrige uma das anedotas mais famosas da produção cancelada ‘Superman Lives’, de Tim Burton e Nicolas Cage, sem cair no fan service vazio de ‘The Flash’.
Existem filmes que desaparecem da memória antes mesmo de sairmos do cinema. Outros carregam vestígios de histórias que nunca chegaram às telas. ‘Supergirl’ (2026), dirigido por Craig Gillespie e baseado na graphic novel ‘Woman of Tomorrow’ de Tom King, pertence a este segundo grupo. O que mais chama atenção não é a transposição fiel da HQ, mas uma sequência de abertura que não existe no material original: os Sklarian Raiders e suas aranhas robóticas.
Como as aranhas robóticas de ‘Supergirl’ resgatam o meme de ‘Superman Lives’
A cena funciona como um primor de tensão mecânica. As aranhas invadem o ônibus espacial, rastejam pelas paredes e desmontam a nave peça por peça. Não são monstros genéricos. São um enxame metálico preciso, opressivo, filmado com uma fotografia que prioriza textura e claustrofobia. Para quem conhece os bastidores de Hollywood, a referência salta imediatamente.
No final dos anos 90, Kevin Smith foi contratado para escrever o roteiro de ‘Superman Lives’, que Tim Burton dirigiria com Nicolas Cage no papel principal. Um executivo de estúdio obcecado por aranhas exigiu que o Homem de Aço enfrentasse uma aranha robótica gigante no terceiro ato. Smith tentou disfarçar a ideia batizando a criatura de ‘Thanagarian Snarebeast’. O filme foi cancelado, mas a aranha sobreviveu e apareceu em ‘As Loucas Aventuras de James West’ (1999). Ao colocar Kara Zor-El contra aranhas robóticas, Gillespie não faz fan service vazio. Ele resgata e corrige uma das anedotas mais conhecidas da produção de super-heróis.
Por que ‘Supergirl’ evita o erro de ‘The Flash’
A DC já tentou prestar esse mesmo tributo em ‘The Flash’ (2023). A cena com Nicolas Cage lutando contra uma aranha gigante em uma realidade alternativa foi um desastre de execução. O CGI parecia datado, sem peso físico, e o próprio Cage declarou que o que chegou às telas não correspondia ao que ele filmou. O momento soou como piada interna em vez de homenagem.
Em ‘Supergirl’, a abordagem é oposta. As aranhas possuem textura, som e integração real com a linguagem visual do filme. Elas não surgem como cameo isolado para arrancar risada. São o motor da ação inicial, ferramentas de saque implacáveis dentro de uma ficção científica suja e palpável. A diferença está na intenção: uma versão respeita o legado de uma produção infame; a outra o explora como isca para cliques.
A teia que liga Kevin Smith, Arrowverse e o DCU atual
O detalhe mais elegante dessa conexão já havia sido plantado antes. Na segunda temporada da série ‘Supergirl’ do Arrowverse, Kevin Smith dirigiu o episódio ‘Supergirl Lives’. Nele aparece uma referência rápida à ‘Thanagarian Snarebeast’, a mesma nomenclatura que Smith usou para disfarçar a exigência da aranha robótica. Agora, no cinema, a criatura finalmente ganha espaço narrativo dentro do universo da prima do Superman.
Gillespie transforma o meme em ferramenta dramática. As aranhas não são capricho de produtor. São escolhas que dialogam com a própria história das adaptações de quadrinhos. ‘Supergirl’ prova que é possível citar produções canceladas sem cair no ridículo, desde que a referência sirva à história e não ao contrário.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Supergirl’ e a conexão com ‘Superman Lives’
As aranhas robóticas de ‘Supergirl’ estão na graphic novel ‘Woman of Tomorrow’?
Não. A sequência de abertura com os Sklarian Raiders e as aranhas robóticas foi criada para o filme e não existe na HQ de Tom King. Trata-se de uma adição original do diretor Craig Gillespie.
Qual a relação entre as aranhas robóticas e o ‘Superman Lives’ de Nicolas Cage?
A conexão é um tributo ao roteiro de Kevin Smith para o filme cancelado de Tim Burton. Um executivo exigiu que Superman lutasse contra uma aranha robótica gigante, ideia que Smith tentou disfarçar chamando a criatura de ‘Thanagarian Snarebeast’.
‘Supergirl’ (2026) tem cenas pós-créditos?
Não. O filme termina de forma conclusiva e não inclui cenas durante ou após os créditos.
Por que a cena das aranhas em ‘Supergirl’ é melhor que a de ‘The Flash’?
Em ‘The Flash’, o CGI parecia artificial e sem peso. Em ‘Supergirl’, as aranhas possuem textura, som e integram-se à linguagem visual do filme, funcionando como motor da ação e não como mero cameo.
Onde assistir ‘Supergirl’ (2026)?
O filme está disponível nos cinemas e, posteriormente, nas plataformas de streaming da Warner Bros. Discovery, incluindo Max.

