Além de Zorro: os 10 melhores filmes de Antonio Banderas

Ranking dos melhores filmes de Antonio Banderas que explica por que sua carreira vai além de Zorro: do espetáculo pop de Hollywood às parcerias com Almodóvar. Entenda o critério e por onde começar.

Antonio Banderas é um caso raro: um ícone pop global que nunca deixou de carregar a marca do cinema de autor espanhol. Muita gente chegou a ele por ‘A Máscara do Zorro’, por ‘A Balada do Pistoleiro’, por ‘Pequenos Espiões’ ou até pelo meme do laptop em ‘Assassinos’. Mas limitar Banderas ao galã de ação dos anos 1990 é enxergar só metade da história. A outra metade passa por Pedro Almodóvar, por personagens moralmente desconfortáveis e por uma maturidade dramática que culminou em indicação ao Oscar.

Por isso, este ranking dos melhores filmes de Antonio Banderas não tenta escolher apenas os maiores sucessos, nem apenas as atuações mais prestigiadas. O critério aqui é equilíbrio: impacto cultural, importância na carreira, qualidade do filme e o quanto cada papel revela uma faceta diferente do ator. ‘Além de Zorro’, portanto, não significa fingir que Zorro não importa. Significa entender por que ele importa tanto — e por que não basta.

Hollywood, Almodóvar e o ator que aprendeu a transitar entre mundos

Hollywood, Almodóvar e o ator que aprendeu a transitar entre mundos

A carreira de Banderas é construída numa tensão produtiva. De um lado, Hollywood percebeu nele um astro de ação romântico, físico, fotogênico, capaz de vender aventura com um sorriso e uma espada na mão. Do outro, Almodóvar já havia revelado um intérprete disposto a encarar desejo, obsessão, culpa e ambiguidade sem pedir desculpas ao público.

Essa é a chave do ranking: Banderas funciona tão bem quando está maior que a vida quanto quando está quase imóvel, deixando o peso do passado aparecer num olhar cansado. Poucos atores atravessaram com tanta naturalidade o território entre matinê, melodrama, thriller psicológico e animação familiar.

10. ‘Pequenos Espiões’: o charme que apresentou Banderas a outra geração

‘Pequenos Espiões’ poderia ter sido apenas uma aventura infantil barulhenta, mas Robert Rodriguez entende algo essencial: filmes para crianças funcionam melhor quando os adultos também levam o jogo a sério. Banderas interpreta Gregorio Cortez, um espião aposentado que tenta parecer um pai comum enquanto esconde dos filhos uma vida inteira de missões absurdas.

O papel exige menos intensidade dramática e mais precisão de tom. Banderas não ironiza o material, nem atua como se estivesse acima dele. A química com Carla Gugino dá credibilidade à família Cortez, e seu carisma físico — o jeito de ocupar o quadro, de reagir rápido, de transformar uma fala simples em pose heroica — ajuda a vender o universo colorido do filme. É uma atuação leve, mas não descartável: foi a porta de entrada de uma geração inteira para sua filmografia.

9. ‘Era Uma Vez no México’: o mito de El Mariachi em escala operística

Em ‘Era Uma Vez no México’, Robert Rodriguez troca a sujeira quase artesanal de ‘A Balada do Pistoleiro’ por uma estética de excesso. A trama envolve conspiração política, vingança, agentes duplos e um Johnny Depp em modo caos absoluto. O resultado é menos coeso que o filme anterior, mas visualmente mais delirante.

Banderas, como El Mariachi, já não interpreta apenas um homem em busca de vingança; interpreta uma lenda ambulante. O estojo de guitarra cheio de armas vira ícone, e o ator entende que o personagem precisa ser mais silencioso, quase fantasmático, para sobreviver ao exagero ao redor. O filme perde intimidade, mas ganha escala. Dentro da trilogia de Rodriguez, é o capítulo em que Banderas deixa de ser protagonista de ação e vira mito pop.

8. ‘Ata-me!’: o Banderas incômodo antes da domesticação hollywoodiana

Antes de Hollywood lapidar Banderas como astro sedutor, Pedro Almodóvar já explorava seu lado perigoso. Em ‘Ata-me!’, de 1989, ele interpreta Ricky, um ex-paciente psiquiátrico que sequestra Marina, vivida por Victoria Abril, convencido de que pode construir amor a partir do cativeiro. É um ponto de partida moralmente espinhoso — e o filme continua desconfortável justamente porque não permite uma leitura limpa.

A importância de Banderas aqui está na coragem de não suavizar completamente Ricky. Há vulnerabilidade, mas também ameaça. Há ingenuidade, mas também violência. O ator trabalha numa zona ambígua que o cinema americano raramente permitiria depois de transformá-lo em herói romântico. Ver ‘Ata-me!’ hoje ajuda a entender que o magnetismo de Banderas sempre teve uma sombra; Almodóvar foi quem primeiro soube filmá-la.

7. ‘O 13º Guerreiro’: a aventura histórica que envelheceu melhor do que sua reputação

Baseado em ‘Comedores de Mortos’, de Michael Crichton, ‘O 13º Guerreiro’ teve uma produção turbulenta e nunca recebeu o prestígio que merecia. Ainda assim, há algo muito eficiente na jornada de Ahmed Ibn Fahdlan, poeta árabe exilado que se junta a guerreiros vikings para enfrentar uma ameaça brutal.

A melhor cena do filme continua sendo a fogueira. Ahmed, inicialmente isolado pela língua, observa os vikings, escuta padrões, absorve sons e, pouco a pouco, passa a entendê-los. A montagem condensa aprendizado sem recorrer a explicações didáticas; quando ele finalmente responde em nórdico, o choque dos companheiros vale mais do que qualquer discurso sobre adaptação cultural. Banderas vende a inteligência do personagem sem transformá-lo em super-herói. É uma atuação de escuta, algo raro num filme de aventura musculoso.

6. ‘Assassinos’: o vilão que transformou exagero em método

Sim, o famoso meme do laptop saiu daqui. Mas ‘Assassinos’ merece existir para além desse recorte de internet. Dirigido por Richard Donner e escrito pelas Wachowski antes de ‘Matrix’, o filme coloca Sylvester Stallone como um matador cansado tentando sair do jogo. Banderas, como Miguel Bain, entra como o oposto: um assassino vaidoso, instável, quase excitado pela própria violência.

O risco de Miguel Bain era virar caricatura. Banderas contorna isso abraçando o exagero como lógica interna do personagem. Ele fala rápido, se move como se estivesse sempre prestes a atacar e encara cada confronto com Stallone como disputa de ego, não apenas de sobrevivência. O filme é irregular, mas a energia maníaca de Banderas impede que ele se torne apenas mais um thriller dos anos 1990. É o tipo de atuação que rouba o centro gravitacional de uma produção inteira.

5. ‘A Pele que Habito’: quando Banderas remove o próprio carisma

Reencontrar Almodóvar em ‘A Pele que Habito’ foi um movimento decisivo. Depois de anos associado à sedução expansiva, Banderas aparece quase congelado como Robert Ledgard, cirurgião plástico obcecado por criar uma pele sintética e aprisionado numa espiral de trauma, controle e vingança.

O que impressiona é a contenção. Banderas não busca empatia fácil. Sua voz é baixa, os gestos são medidos, o olhar raramente entrega calor. Até a forma como ele segura instrumentos cirúrgicos tem algo de ritualístico: não é a coreografia heroica da espada, mas a precisão fria de quem transformou ciência em perversão íntima. Almodóvar filma o horror com limpeza clínica, e Banderas entende que o monstro, aqui, é mais assustador quanto menos demonstra.

4. ‘A Balada do Pistoleiro’: o nascimento do herói de ação latino

Se ‘A Máscara do Zorro’ consolidou Banderas como astro mundial, ‘A Balada do Pistoleiro’ foi o disparo inicial. Robert Rodriguez expande o universo de ‘El Mariachi’ e entrega um western moderno movido a vingança, poeira, guitarras e tiroteios coreografados como números musicais.

Banderas entra no filme com presença imediata. O corpo fala antes do diálogo: a postura, o cabelo caindo sobre o rosto, a maneira de sacar a arma como se fosse parte de uma dança. A química com Salma Hayek é fundamental porque impede o personagem de virar só uma silhueta estilosa. Há desejo, humor e melancolia por trás da pose. Para Hollywood, foi a prova de que Banderas podia liderar um filme de ação sem apagar sua identidade latina. Para o público, foi a criação de um ícone.

3. ‘Gato de Botas 2: O Último Pedido’: a animação que deixa o herói sentir medo

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‘Gato de Botas 2: O Último Pedido’ parecia destinado a ser apenas uma continuação simpática de franquia. Em vez disso, tornou-se uma das animações mais fortes da DreamWorks justamente por encarar um tema que poucos filmes familiares tratam com tanta clareza: a mortalidade.

Banderas, na voz original, reencontra um personagem que sempre foi uma variação felina de Zorro — espada, charme, bravata, pose de conquistador. A diferença é que agora o Gato percebe que gastou quase todas as suas vidas e não sabe lidar com a possibilidade real de morrer. A sequência do bar, quando o Lobo surge assobiando e transforma a autoconfiança do herói em pânico, é um exemplo de como atuação vocal também é atuação física: a respiração muda, a voz perde brilho, o mito racha. Banderas entrega vulnerabilidade sem abandonar o humor, e isso torna o filme muito maior do que sua premissa sugeria.

2. ‘Dor e Glória’: a atuação que finalmente obrigou o Oscar a olhar para ele

Em ‘Dor e Glória’, Banderas interpreta Salvador Mallo, um cineasta envelhecido, atravessado por dores físicas, bloqueios criativos e memórias que já não consegue organizar sem sofrimento. É um personagem inspirado em Almodóvar, mas Banderas não faz imitação. Ele faz algo mais difícil: encarna o estado emocional de um artista que sobreviveu ao próprio desejo.

A atuação é construída por subtração. O Banderas expansivo quase desaparece. Salvador se move devagar, fala como quem mede energia, habita uma casa cheia de cores vibrantes sem conseguir participar plenamente delas. Na cena do reencontro com Alberto, interpretado por Leonardo Sbaraglia, a tensão nasce do que não é dito: ressentimento, afeto, orgulho ferido e uma espécie de luto profissional. Banderas venceu em Cannes e recebeu indicação ao Oscar porque entregou o papel mais nu de sua carreira. Não é o mais famoso, mas talvez seja o mais profundo.

1. ‘A Máscara do Zorro’: o topo porque sintetiza tudo

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Colocar ‘A Máscara do Zorro’ em primeiro numa lista chamada ‘Além de Zorro’ pode parecer contradição. Não é. O filme lidera justamente porque resume o que torna Banderas especial: o domínio do espetáculo popular sem perder elegância, humor e uma camada de tradição cinematográfica.

Martin Campbell filma a aventura com clareza clássica. As cenas de ação têm geografia, ritmo e consequência; não são apenas cortes rápidos escondendo movimento. A passagem de bastão entre Anthony Hopkins e Banderas funciona dentro e fora da história: o Zorro aristocrático e antigo dá lugar a um herói mais físico, impulsivo, mestiço, carregado de raiva social e desejo de pertencimento.

A luta no estábulo com Catherine Zeta-Jones é a melhor defesa do filme. A coreografia é duelo, flerte e comédia ao mesmo tempo. Banderas precisa ser perigoso, engraçado, sedutor e vulnerável em poucos minutos — e consegue. ‘A Máscara do Zorro’ não é apenas o filme que popularizou sua imagem. É a prova de que ele podia transformar um arquétipo antigo em algo vivo para uma nova geração.

O que este ranking revela sobre Antonio Banderas

Os melhores filmes de Antonio Banderas mostram um ator que nunca coube numa única prateleira. Ele pode ser pai em aventura infantil, assassino vaidoso, espadachim romântico, gato animado encarando a morte, cirurgião monstruoso e cineasta em colapso emocional. Essa amplitude não é acidente; é resultado de uma carreira que aceitou riscos em vez de apenas repetir uma fórmula lucrativa.

Alguns títulos importantes ficaram fora — ‘Philadelphia’, ‘Entrevista com o Vampiro’, ‘Evita’, ‘Matador’ e ‘A Lei do Desejo’ poderiam entrar numa lista expandida. Mas os dez escolhidos formam o retrato mais claro da dualidade que define Banderas: Hollywood deu a ele escala mundial; Almodóvar preservou sua complexidade. Entre uma espada e um silêncio, ele construiu uma filmografia muito mais rica do que o rótulo de astro de ação sugere.

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Perguntas Frequentes sobre os melhores filmes de Antonio Banderas

Qual é o melhor filme de Antonio Banderas?

Depende do critério: como impacto cultural, ‘A Máscara do Zorro’ é o principal; como atuação dramática, ‘Dor e Glória’ é o ponto mais alto. Os dois mostram lados diferentes do talento de Banderas.

Antonio Banderas já ganhou Oscar?

Não. Antonio Banderas foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por ‘Dor e Glória’, de Pedro Almodóvar, mas não venceu. Pelo mesmo papel, ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes.

Quais filmes Antonio Banderas fez com Pedro Almodóvar?

Banderas trabalhou com Almodóvar em filmes como ‘Labirinto de Paixões’, ‘Matador’, ‘A Lei do Desejo’, ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’, ‘Ata-me!’, ‘A Pele que Habito’ e ‘Dor e Glória’.

Por onde começar a assistir aos filmes de Antonio Banderas?

Para começar pelo lado mais acessível, assista a ‘A Máscara do Zorro’ e ‘A Balada do Pistoleiro’. Depois, vá para ‘Dor e Glória’ e ‘A Pele que Habito’ para entender a dimensão dramática do ator.

‘Gato de Botas 2’ vale a pena para adultos?

Sim. ‘Gato de Botas 2: O Último Pedido’ funciona para adultos porque trata medo da morte, envelhecimento e identidade com mais maturidade do que a maioria das animações de franquia.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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