O Depois Daquele Ano elenco chama atenção menos pelos nomes isolados e mais pela transição que reúne: atores de fantasia teen, Disney e sci-fi agora enfrentam papéis mais maduros. Este guia mostra como Sadie Soverall, Matt Cornett e Elisha Cuthbert chegam à série com bagagens que ajudam a definir seu tom romântico e melancólico.
Com estreia marcada para 10 de junho no Prime Video, ‘Depois Daquele Ano’ aposta em uma fórmula conhecida do romance de verão — lago, reencontro, luto, desejos mal resolvidos —, mas o que realmente diferencia a série é o desenho do elenco. Ao olhar para o Depois Daquele Ano elenco, fica claro que a produção reúne atores que vieram do teen fantasy, da comédia adolescente e até da ficção científica para colocá-los em papéis mais maduros, emocionalmente mais ásperos e menos confortáveis. É justamente essa transição que dá curiosidade extra ao projeto.
Em vez de escalar rostos já associados ao melodrama romântico adulto, a série aposta em intérpretes que o público conheceu em universos mais estilizados: internatos mágicos, musicais colegiais, slashers e séries high concept. Em Barry’s Bay, porém, não há espaço para o exagero desses gêneros. O desafio agora é outro: sustentar silêncio, ressentimento, química interrompida e a sensação de que crescer também significa perder versões antigas de si mesmo.
Sadie Soverall sai do universo teen para carregar o peso emocional de Percy
Sadie Soverall é quem mais simboliza essa virada. Em ‘Fate: A Saga Winx’, ela chamava atenção pela ironia cortante e pela postura defensiva de Beatrix, uma personagem construída para dominar a cena com energia e atitude. Em ‘Depois Daquele Ano’, como Persephone ‘Percy’ Fraser, o caminho é inverso: a personagem precisa esconder mais do que revelar.
Esse tipo de papel exige uma atuação menos performática e mais interna. Percy retorna ao lago marcada por trauma, perda e por uma relação interrompida com Sam que nunca foi totalmente resolvida. Se em seus trabalhos anteriores Soverall podia operar no registro da personagem que reage com sarcasmo e presença, aqui ela precisa convencer no vazio entre as falas. É uma mudança importante de chave.
Há ainda um elo interessante com ‘Saltburn’, filme em que Soverall aparece como Annabel. Embora seja um papel menor, ele já pedia dela uma vulnerabilidade abafada por códigos sociais e por uma dinâmica de exclusão. Em ‘Depois Daquele Ano’, essa contenção volta a ser útil, mas em escala maior: Percy é o tipo de protagonista que depende de nuance, não de grandes explosões. Se a série funcionar, muito vai passar pela capacidade de Soverall de sustentar esse registro sem transformar reserva emocional em monotonia.
Abigail Cowen troca a fantasia sobrenatural por ressentimento adulto
Abigail Cowen chega com uma bagagem parecida, mas com desafio diferente. Depois de se firmar em produções como ‘Fate: A Saga Winx’ e ‘O Mundo Sombrio de Sabrina’, sua imagem ficou fortemente ligada a personagens de fantasia, mistério e intensidade juvenil. Em ‘Depois Daquele Ano’, ela encontra terreno mais seco: Delilah não precisa de mitologia, precisa de frustração recognoscível.
Isso muda completamente o tipo de presença exigida em cena. Num universo fantástico, o ator muitas vezes trabalha apoiado em conceito, lore e iconografia. Num drama romântico de retorno à cidade natal, a ferramenta principal passa a ser o subtexto. Delilah funciona menos como ‘tipo’ e mais como peça de atrito dentro da memória afetiva de Percy e Sam.
Se a adaptação mantiver a lógica do romance de Carley Fortune, Delilah deve operar naquela zona delicada entre antagonismo e ferida legítima. É um papel bom justamente porque pede maturidade: não basta soar amarga; é preciso sugerir o acúmulo de pequenas decepções que transformam alguém em presença áspera. Para Cowen, é uma oportunidade clara de se afastar do enquadramento de atriz associada apenas ao sobrenatural teen.
Matt Cornett tem aqui seu teste mais delicado pós-Disney
Entre os nomes do Depois Daquele Ano elenco, Matt Cornett talvez represente a transição mais visível para o grande público. Em ‘High School Musical: A Série: O Musical’, ele trabalhou em chave expansiva: carisma, timing, leve arrogância e o tipo de energia que funciona muito bem em narrativas escolares pop. Sam Florek pede outra cadência.
Na estrutura da série, Sam existe em dois tempos emocionais. Nos flashbacks, ele precisa vender a intimidade nascente com Percy, o encanto juvenil e a sensação de verão suspenso. Já no presente, o papel endurece: Sam é um médico carregando luto, obrigações e um noivado atravessado pelo retorno de alguém que ele nunca superou completamente.
Esse contraste pode ser a melhor vitrine para Cornett. O ator já demonstrou conforto no registro romântico leve, mas aqui terá de mostrar peso, pausa e conflito interno. Uma cena-chave para observar, caso a adaptação preserve a tensão do livro, será justamente a do reencontro entre Percy e Sam no retorno ao lago: esse tipo de sequência vive menos do diálogo do que dos silêncios, dos olhares interrompidos e da forma como dois corpos dividem um espaço cheio de passado. É aí que um ator vindo da tradição Disney precisa provar que consegue trocar simpatia por densidade.
Para quem acompanhou Cornett em projetos como ‘Zombies 3’, o interesse está nessa quebra de expectativa. Sam não é o personagem que precisa conquistar o público pelo brilho; ele precisa convencer pela hesitação. E isso costuma ser mais difícil.
Aurora Perrineau, Michael Bradway e Joseph Chiu levam repertórios de gênero para um drama íntimo
O elenco secundário também segue essa lógica de deslocamento. Aurora Perrineau, por exemplo, vem de projetos como ‘Westworld’ e ‘KAOS’, obras em que boa parte do trabalho do ator passa por navegar universos conceituais densos, exposição narrativa e personagens moldados por sistemas maiores que eles. Em ‘Depois Daquele Ano’, como Chantal, a escala encolhe — e isso é uma vantagem.
Num romance de verão, a credibilidade de personagens secundários depende de pequenos detalhes de comportamento. Chantal não precisa explicar um mundo; precisa soar como alguém que construiu uma vida adulta relativamente funcional, mas ainda tropeça no campo afetivo. É um tipo de humanidade miúda que, quando bem interpretada, ajuda a série a não parecer feita só de protagonistas idealizados.
Michael Bradway também entra nesse jogo ao viver Charlie, irmão de Sam. Vindo de ‘Chicago Fire: Heróis Contra o Fogo’, ele já carrega familiaridade com personagens masculinos definidos por dever, impulso e presença física. O risco com Charlie seria cair no arquétipo do bon vivant de cidade pequena. O ganho potencial está em sugerir algo além disso: alguém que performa leveza como defesa.
Joseph Chiu, por sua vez, faz a travessia talvez mais curiosa. Depois de passar por um slasher como ‘Rua do Medo: Rainha do Baile’ e por ficção científica em ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’, ele aterrissa num papel muito mais cotidiano. Jordie, o amigo ligado ao motel da família, depende menos de conceito e mais de naturalismo. Essa mudança parece pequena, mas não é: atuar em registros contidos, sem a ajuda do espetáculo de gênero, costuma expor com mais clareza a precisão — ou a falta dela — de um intérprete.
Elisha Cuthbert dá ao passado da série um peso que vai além da nostalgia
O nome mais imediatamente reconhecível para parte do público é Elisha Cuthbert. E sua presença não serve apenas como chamariz nostálgico. Em ‘Depois Daquele Ano’, ela interpreta Sue Florek, figura central no passado de Sam e Charlie e peça emocional decisiva para o retorno de Percy ao lago.
Cuthbert construiu carreira muito associada à imagem da jovem ameaçada ou hipervisível do cinema e da TV dos anos 2000, de ’24 Horas’ a ‘A Casa de Cera’, passando pelo desvio cômico de ‘Show de Vizinha’ e ‘Happy Endings’. Aqui, o interessante é ver essa persona histórica ser absorvida por um papel de acolhimento, memória e ausência. Sue não precisa dominar a série pelo tempo de tela; ela precisa deixar marca suficiente para que sua falta organize parte da narrativa.
Esse tipo de personagem exige economia. Não é o papel da mãe idealizada de catálogo, mas o de uma presença afetiva cuja morte continua agindo sobre quem ficou. Se Cuthbert encontrar o tom certo entre calor e melancolia, pode acabar sendo uma das peças mais importantes da adaptação, mesmo aparecendo menos do que o trio central.
Por que esse elenco faz sentido para um romance de verão mais adulto
O acerto de ‘Depois Daquele Ano’ pode estar justamente em não escalar um elenco óbvio. Ao reunir atores ligados a fantasia teen, comédia escolar, terror e sci-fi, a série aproveita a memória que o público tem desses rostos para criar contraste. Vemos intérpretes antes associados a mundos exagerados agora lidando com dilemas menores na escala, mas mais difíceis no registro: luto, culpa, desejo interrompido, ressentimento e a estranha intimidade de reencontrar quem conhecia uma versão antiga de você.
Também é um movimento coerente com o momento do streaming. Muitas plataformas estão transformando romances em vitrines para atores em fase de reposicionamento de carreira. Aqui, isso parece menos oportunismo de casting e mais parte do apelo da série. O Depois Daquele Ano elenco interessa não só por quem interpreta cada personagem, mas pelo que cada escolha sugere sobre a passagem da adolescência ficcional para uma vida adulta menos glamourosa.
Vale para quem? Para quem gosta de romances de reconexão, dramas de cidade pequena e adaptações com forte componente emocional. Talvez não funcione para quem espera um melodrama acelerado ou reviravoltas constantes. Tudo indica que a série vai depender mais de atmosfera, química e dor acumulada do que de grandes acontecimentos. Se cumprir essa promessa, o elenco terá papel decisivo no resultado.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Depois Daquele Ano’ e seu elenco
Quem são os protagonistas de ‘Depois Daquele Ano’?
Os nomes centrais da série são Sadie Soverall, como Percy Fraser, e Matt Cornett, como Sam Florek. Abigail Cowen e Elisha Cuthbert também aparecem entre os destaques do elenco principal e de apoio.
Quando estreia ‘Depois Daquele Ano’ no Prime Video?
‘Depois Daquele Ano’ estreia em 10 de junho no Prime Video. A série adapta o romance de Carley Fortune e chega como aposta da plataforma no romance dramático.
‘Depois Daquele Ano’ é baseado em livro?
Sim. A série é baseada no romance de estreia de Carley Fortune. A história mistura reencontro amoroso, luto e memórias de verão em torno de Barry’s Bay.
Onde Sadie Soverall já atuou antes de ‘Depois Daquele Ano’?
Sadie Soverall ficou mais conhecida por ‘Fate: A Saga Winx’ e também apareceu em ‘Saltburn’. Esses trabalhos ajudam a entender sua transição de papéis teen e satíricos para uma protagonista mais contida e dramática.
Elisha Cuthbert está em ‘Depois Daquele Ano’?
Sim. Elisha Cuthbert interpreta Sue Florek, personagem importante para a memória emocional da trama. Sua escalação chama atenção por marcar o retorno de uma atriz muito associada ao cinema e à TV dos anos 2000.

