‘Mestres do Universo’: ator recria meme do He-Man e mostra respeito à fandom

O gesto de Nicholas Galitzine com o Mestres do Universo meme vai além da divulgação: ele conecta o novo filme ao legado caótico de He-Man na internet. Entenda por que recriar ‘What’s Up?’ é um sinal de respeito ao fandom e um indício do tom da adaptação.

Ver um astro de blockbuster em 2026 vestindo uma peruca loira e cantando ‘What’s Up?’ do 4 Non Blondes num talk show parece, à primeira vista, só uma boa peça de divulgação. Mas quando Nicholas Galitzine recriou o famoso Mestres do Universo meme no The Tonight Show, o gesto carregava algo mais interessante: um reconhecimento público de que He-Man já não vive apenas na memória da animação dos anos 80, mas também na cultura de internet que o transformou em piada, culto e lembrança geracional ao mesmo tempo.

Isso importa porque adaptações costumam falhar exatamente nesse ponto. Hollywood adora tratar propriedades antigas como se fosse possível separar a obra ‘original’ de tudo o que o público fez com ela depois. No caso de ‘Mestres do Universo’, essa separação simplesmente não existe. O personagem de Eternia também é, para muita gente, o sujeito berrando ‘HEYYEYAAEYAAAEYAEYAA’ num vídeo absurdo do YouTube. E ignorar isso seria ignorar como a franquia continuou viva fora dos brinquedos e da TV.

De onde veio o ‘Mestres do Universo meme’ que redefiniu He-Man na internet

De onde veio o 'Mestres do Universo meme' que redefiniu He-Man na internet

O peso da brincadeira de Galitzine só faz sentido quando se lembra a genealogia do meme. A origem mais conhecida remonta a 2005, quando o canal SLACKCiRCUS publicou ‘Fabulous Secret Powers’, uma paródia que remixava imagens da animação He-Man and the Masters of the Universe com uma versão eletrônica e propositalmente exagerada de ‘What’s Up?’. Em 2010, o recorte do refrão ganhou vida própria em loops e reuploads, consolidando o vídeo como uma das peças mais reconhecíveis da internet pré-algoritmo.

O que tornou o meme duradouro não foi só a estranheza. Foi a combinação entre a animação rígida e colorida dos anos 80, a energia camp do personagem e o contraste com uma música que ninguém associaria a um herói bárbaro musculoso. A graça vinha do curto-circuito cultural. He-Man deixava de ser apenas o príncipe Adam para virar um ícone de nonsense online.

Esse detalhe é importante porque memes antigos não sobrevivem por acidente. Eles sobrevivem quando resumem, em poucos segundos, algo que a obra já tinha em estado bruto. No caso de He-Man, o exagero visual, a teatralidade corporal e a seriedade quase infantil do desenho sempre estiveram lá. A internet não inventou essa dimensão; só a empurrou para o centro da conversa.

Por que a recriação de Nicholas Galitzine sinaliza respeito real ao fandom

Galitzine poderia ter seguido o roteiro seguro de divulgação: elogiar o diretor, falar da preparação física, dizer que era fã desde criança e passar adiante. Em vez disso, topou encenar justamente a parte mais embaraçosa e mais querida da memória digital da franquia. Isso revela um tipo de inteligência promocional que vai além do marketing automático.

Há uma diferença entre rir de um meme e rir com ele. O primeiro gesto é condescendente; o segundo pressupõe intimidade com a piada e com quem a manteve viva. Ao vestir a peruca, cantar o refrão e não tentar ‘corrigir’ o absurdo da situação, Galitzine mostrou que entende que o fandom de ‘Mestres do Universo’ não é feito só de puristas da animação Filmation, mas também de gente que entrou nesse universo pela porta lateral da internet.

Esse é o ponto central: ao validar o meme, o ator valida a experiência real do público com o personagem. Para uma parcela grande da audiência abaixo dos 35 anos, He-Man não foi primeiro um desenho de infância, mas uma referência compartilhada em fóruns, Orkut, YouTube e redes sociais. Reconhecer isso não diminui a franquia. Ao contrário: mostra que a nova adaptação aceita a própria trajetória cultural em vez de fingir uma solenidade que nunca existiu por completo.

O meme funciona porque He-Man sempre teve algo de camp

O meme funciona porque He-Man sempre teve algo de camp

Falar em camp aqui não é insulto; é precisão. Desde a série animada original, ‘Mestres do Universo’ opera numa frequência em que heroísmo sincero e excesso visual convivem sem pedir desculpa. Os figurinos, os nomes, a musculatura impossível, os cenários de fantasia científica e o modo declamatório dos personagens já carregavam um exagero que hoje a internet lê com facilidade.

Por isso o meme de ‘What’s Up?’ encaixou tão bem. Ele não violou a essência da franquia; apenas trocou o contexto. A mesma pose grandiosa que antes vendia aventura passou a render humor surreal. Quando Galitzine recupera esse imaginário, ele não está trazendo um elemento externo. Está reconhecendo uma camada de leitura que sempre esteve latente.

Esse tipo de percepção faz falta em adaptações contemporâneas. Muitos reboots confundem maturidade com sisudez. Escurecem a fotografia, achatam o humor, endurecem figurinos e tentam convencer o espectador de que agora tudo é ‘sério’. No caminho, perdem a singularidade da obra. He-Man sem um grau de teatralidade vira apenas mais um herói musculoso com espada mágica.

O que esse gesto sugere sobre o tom do novo filme

Aqui a recriação do meme deixa de ser curiosidade e vira pista de leitura. Adaptar ‘Mestres do Universo’ para o cinema exige equilíbrio fino: se o filme mergulha no grimdark, trai o espírito pop da franquia; se cai na autoparódia total, dissolve qualquer senso de aventura. O melhor caminho sempre foi aceitar que He-Man é simultaneamente épico e meio absurdo.

A sinopse já aponta para uma escala mais grandiosa, com Adam afastado de Eternia na infância e forçado a retornar para enfrentar Skeletor e reassumir seu destino. Em resumo, há material para fantasia heroica de tamanho blockbuster. Mas nada disso funciona se o protagonista atuar como quem tem vergonha de dizer ‘Pelo Poder de Grayskull!’. Em franquias desse tipo, a convicção do intérprete é parte do efeito especial.

A aparição no programa de Jimmy Fallon sugere justamente essa convicção. Quem aceita parecer ridículo em rede nacional por causa de um meme da própria franquia tende a comunicar duas coisas: confiança na personagem e ausência de cinismo em relação ao projeto. E isso pode ser decisivo para o filme encontrar o tom certo.

Há também um aspecto performático importante. O meme original funciona pelo contraste entre imagem e som, mas também pelo gesto corporal exagerado de He-Man. Ao recriá-lo, Galitzine mostra disposição para entrar nesse registro mais físico e mais expansivo. Para um personagem que depende de presença, pose e transformação, isso vale como pequeno indício de casting bem assimilado.

Entre nostalgia de internet e blockbuster moderno

Entre nostalgia de internet e blockbuster moderno

O caso é interessante porque une duas formas de nostalgia que raramente conversam bem. De um lado, a nostalgia do IP clássico dos anos 80. De outro, a nostalgia da internet de meados dos anos 2000 e início dos 2010, quando vídeos virais ainda pareciam achados caóticos, não produtos desenhados por equipe de social media. O Mestres do Universo meme vive exatamente nesse cruzamento.

Quando a campanha do filme toca nesse ponto, ela não apenas pesca atenção fácil. Ela aciona uma memória cultural específica: a de uma internet mais tosca, remixada e comunitária, onde o humor vinha do reaproveitamento de imagens pop. Para muita gente, essa camada é tão afetiva quanto a própria animação original. O acerto da equipe foi entender que esse passado ‘menor’ também faz parte do capital simbólico da marca.

Isso diferencia a ação de promoções nostálgicas mais preguiçosas, que só repetem bordões. Aqui há uma leitura do trajeto cultural do personagem. Não basta dizer ‘He-Man está de volta’. A pergunta relevante é: de qual He-Man estamos falando? Do herói da Filmation, do boneco da Mattel, do filme cult de 1987, ou do ícone delirante da internet? A resposta mais inteligente é: de todos eles ao mesmo tempo.

Vale se empolgar? Sim, mas pelo motivo certo

Nenhuma aparição em talk show garante qualidade de filme. Isso seria extrapolação fácil. Ainda assim, esse tipo de gesto ajuda a medir algo menos tangível e muito importante em adaptações: a relação entre elenco, campanha e identidade da obra. Nesse ponto, a recriação do meme joga a favor de ‘Mestres do Universo’.

Ela sugere um projeto que não quer apagar o passado esquisito da franquia para vender uma embalagem genérica de fantasia de ação. Sugere também um protagonista que parece compreender que o carinho do público por He-Man nunca foi puramente solene. Sempre houve afeto, sim, mas também humor, exagero e uma boa dose de incredulidade amorosa.

Se o novo filme conseguir traduzir isso para a tela, terá encontrado algo que muitos reboots perdem: personalidade. Mais do que fan service, a recriação do meme funciona como declaração de princípios. Ela diz que esta versão de ‘Mestres do Universo’ talvez tenha entendido a regra básica para adaptar um ícone pop tão estranho: respeitar a obra inclui respeitar tudo o que ela virou depois, inclusive a fase em que He-Man passou a existir também como um grito absurdo ecoando na velha internet.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Mestres do Universo’ e o meme do He-Man

Qual é a origem do meme do He-Man cantando ‘What’s Up?’?

O meme vem da paródia ‘Fabulous Secret Powers’, publicada em 2005 pelo canal SLACKCiRCUS. O vídeo usava cenas da animação clássica de He-Man com uma versão eletrônica e cômica de ‘What’s Up?’, do 4 Non Blondes.

Nicholas Galitzine recriou o meme do He-Man onde?

Nicholas Galitzine recriou o meme no programa The Tonight Show, de Jimmy Fallon. A participação virou assunto justamente por assumir de frente uma referência muito conhecida da internet.

Quando estreia o novo filme de ‘Mestres do Universo’?

Segundo as informações do artigo, ‘Mestres do Universo’ chega aos cinemas em 5 de junho de 2026. Datas podem variar por país, então vale checar a programação local.

Preciso conhecer o desenho original para entender o novo ‘Mestres do Universo’?

Em princípio, não. A proposta do filme é apresentar He-Man para um público amplo, embora conhecer a animação clássica ajude a perceber melhor o tom camp, as referências a Eternia e o peso cultural do personagem.

O meme do He-Man ajuda ou atrapalha a imagem da franquia?

Hoje ele ajuda mais do que atrapalha. O meme manteve He-Man circulando na cultura pop por anos e apresentou o personagem a uma geração que talvez nunca tivesse assistido ao desenho original.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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