7 filmes de ação pouco lembrados para ver no HBO Max

Esta curadoria de filmes de ação HBO Max reúne 7 títulos subestimados que passaram batido no lançamento, mas têm qualidades reais de direção, elenco e inventividade. Em vez de hype, o foco aqui é no que cada filme faz de diferente no gênero.

Filmes de ação HBO Max costumam remeter aos títulos mais óbvios do catálogo, mas a parte mais interessante da plataforma está um pouco abaixo da vitrine. Há filmes que chegaram em má hora, foram soterrados por marketing confuso ou simplesmente não encontraram público no lançamento. Revistos hoje, muitos deles revelam algo que falta a boa parte da ação industrial recente: personalidade.

Esta lista não reúne ‘guilty pleasures’ defendidos por teimosia. O critério aqui é outro: são produções subestimadas que, cada uma à sua maneira, entregam qualidades reais de encenação, elenco ou invenção visual. Nem todas são obras-primas. Todas, porém, têm motivos concretos para merecer uma segunda chance.

‘Besouro Azul’ acerta onde muito filme de super-herói falha: no calor humano

'Besouro Azul' acerta onde muito filme de super-herói falha: no calor humano

Existe algo de injusto na recepção de Besouro Azul. O filme estreou quando o antigo universo da DC já parecia encerrado antes mesmo de terminar, e isso contaminou a percepção do público. Muita gente descartou o longa sem vê-lo, como se fosse apenas mais um capítulo irrelevante de uma franquia em decomposição.

Só que o filme de Ángel Manuel Soto funciona justamente por parecer menor e mais próximo. Xolo Maridueña dá a Jaime Reyes um carisma sem cinismo, e a dinâmica da família transforma o que poderia ser mais uma origem protocolar em algo afetivo. Há uma cena em especial que resume isso: quando Jaime tenta entender a simbiose com o escaravelho no meio do caos doméstico, o filme escolhe o humor de reação e o vínculo familiar em vez da pose heroica. É aí que ele ganha identidade.

Na ação, Soto explora bem a ideia de uma armadura que responde, corrige e até contraria o próprio herói. Não é invenção radical, mas há variedade suficiente nos combates para evitar a sensação de piloto automático. Para quem cansou do tom sisudo dos filmes de quadrinhos, Besouro Azul tem uma leveza que joga a seu favor. Para quem exige escala épica o tempo todo, talvez soe modesto demais.

‘Aves de Rapina’ transforma caos em estilo — e dá a Harley Quinn o filme que ela merecia

Lançado pouco antes da paralisação global de 2020, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa acabou virando um sucesso menor do que merecia. E isso é curioso, porque ele corrige quase tudo que havia de artificial em Esquadrão Suicida de 2016: aqui há cor, ritmo, ponto de vista e, principalmente, uma protagonista com controle do próprio filme.

Margot Robbie entende Harley Quinn melhor do que qualquer roteiro recente da DC, mas o acerto não para nela. Cathy Yan encena a violência com um senso de comicidade física que diferencia o longa da brutalidade genérica de tantos derivados de HQ. A sequência da delegacia é o melhor exemplo: Harley invade o prédio usando munição colorida, glitter e caos coreografado, numa cena que mistura cartoon, porrada e timing de comédia sem perder legibilidade espacial.

Ewan McGregor, como Roman Sionis, traz um tipo de vilania histérica e performática que combina com esse universo. O filme nem sempre fecha todas as linhas dramáticas com a mesma força, mas tem algo raro: um estilo de ação que nasce da personalidade da personagem, não de uma fórmula de estúdio. Se você quer um filme mais debochado, visualmente solto e menos preocupado em parecer ‘importante’, ele entrega. Se espera solenidade sombria, está no endereço errado.

‘Conspiração Terrorista’ prova que um thriller médio pode valer muito quando sabe o que está fazendo

'Conspiração Terrorista' prova que um thriller médio pode valer muito quando sabe o que está fazendo

Conspiração Terrorista, de Michael Apted, passou quase invisível, e o título genérico certamente não ajudou. Ainda assim, há aqui um thriller de espionagem competente, seco e direto, sustentado por elenco experiente e por uma noção clara de escala. Em vez de fingir ser maior do que é, o filme aceita seu orçamento e constrói tensão com procedimento, suspeita e urgência.

Noomi Rapace carrega o centro dramático com a intensidade contida que já havia mostrado em outros papéis físicos. O mais interessante é como o filme recupera uma tradição de thrillers dos anos 1990 e 2000: menos fetiche tecnológico, mais correria institucional, mais gente errando sob pressão. Quando a protagonista percebe que a operação oficial saiu do controle, Apted evita o espetáculo inflado e aposta em montagem funcional, perseguições objetivas e espaços urbanos reconhecíveis.

Não é um filme que reinventa o gênero, e talvez justamente por isso tenha sido subestimado. Mas há valor em uma produção que entende o prazer básico de um bom thriller: informação entrando aos poucos, confiança sendo corroída e um elenco tratando o material com seriedade. Para fãs de espionagem mais enxuta, vale o play. Para quem só se interessa por set pieces gigantescas, pode parecer pequeno demais.

‘Freaky Tales’ abraça a bagunça com convicção — e isso faz diferença

Freaky Tales é o tipo de filme que muita gente abandona cedo por parecer disperso. Seria um erro. Anna Boden e Ryan Fleck constroem uma antologia em quatro partes ambientada em Oakland, em 1987, e o melhor jeito de entrar nela é aceitar o pacto: esta não é uma narrativa de ação tradicional, mas um filme de energia, atmosfera e conexões inesperadas.

O charme está justamente no modo como ele mistura registros. Pedro Pascal ajuda a vender o projeto, claro, mas o longa não depende apenas da sua presença. O que fica é a sensação de uma cidade pulsando em várias frequências ao mesmo tempo. A direção costura violência, humor e cultura local sem tentar polir demais as bordas. Quando a ação estoura, ela vem com um prazer quase exploitation, sem medo do exagero.

Também há um trabalho visual que merece menção: a fotografia e a direção de arte investem numa textura de época que não parece fantasia esterilizada. Em vez de usar os anos 1980 apenas como coleção de referências, o filme tenta recriar um ambiente social e musical específico. Não é para todos. Quem busca narrativa mais linear pode se frustrar. Mas quem aceita um filme de ação com espírito de mixtape encontra algo raro no streaming: estranheza com assinatura.

‘Mortal Kombat Legends: Scorpion’s Revenge’ entende melhor o jogo do que muito live-action

As adaptações em live-action de Mortal Kombat quase sempre esbarram no mesmo problema: como traduzir uma mitologia exagerada e combates absurdos sem parecer ridículo ou sem domesticar demais a violência? Mortal Kombat Legends: Scorpion’s Revenge resolve isso do jeito mais simples: usando a animação a seu favor.

A liberdade formal faz diferença imediata. Os confrontos têm impacto, clareza e imaginação coreográfica. Ao contrário de muitos filmes de ação contemporâneos, que escondem limitações com corte frenético, aqui a encenação deixa cada golpe respirar. A luta de abertura envolvendo Scorpion e Sub-Zero já estabelece o tom: violência gráfica, movimento contínuo e um entendimento preciso do apelo trágico desses personagens.

Mais importante, o filme sabe que Mortal Kombat não vive só de fan service; vive de fatalismo, rivalidade e espetáculo físico. Por isso, mesmo acelerando a narrativa, ele consegue dar peso emocional à jornada de vingança de Scorpion. Para fãs da franquia, é uma das adaptações mais satisfatórias já feitas. Para quem torce o nariz para animação adulta, fica o aviso: você pode estar ignorando uma das melhores peças de ação do catálogo.

‘Furiosa’ expande ‘Mad Max’ sem tentar copiar ‘Estrada da Fúria’

Furiosa: Uma Saga Mad Max sofreu de um problema quase insolúvel: vir depois de Mad Max: Estrada da Fúria, um dos grandes filmes de ação do século. A comparação era inevitável e, para parte do público, injusta. Muita gente foi esperando repetição; George Miller entregou outra coisa.

Em vez de um avanço contínuo movido a perseguição, Furiosa aposta numa estrutura mais episódica, mais voltada para formação de personagem. Isso altera o ritmo, mas não significa perda de potência. Significa outra ambição. Miller continua filmando ação com um senso de direção espacial que poucos diretores contemporâneos possuem. Basta ver a longa sequência do comboio: a montagem organiza o caos sem confundir, e cada veículo parece ter função dramática, não só decorativa.

Anya Taylor-Joy evita imitar Charlize Theron e encontra sua própria versão da personagem, mais observadora, ainda em processo de endurecimento. Chris Hemsworth, por sua vez, se diverte com um vilão teatral e ameaçador na medida certa. O filme pode decepcionar quem queria apenas mais uma descarga de adrenalina contínua, mas recompensa quem aceita uma expansão de mundo. Entre os filmes de ação HBO Max, é um dos casos mais claros de obra subestimada por expectativas mal calibradas.

‘Ballerina’ leva o universo de ‘John Wick’ a outro corpo — e isso muda a coreografia

Spin-offs costumam existir para prolongar marca. Ballerina funciona porque tenta algo um pouco mais inteligente: desloca a lógica de John Wick para outra fisicalidade. Ana de Armas não replica Keanu Reeves; ela reorganiza a ação a partir de velocidade, improviso e vulnerabilidade aparente.

Esse detalhe muda bastante coisa. Em vez da imposição pesada e quase mecânica de Wick, Eve luta como quem precisa compensar diferença de força com adaptação constante. O resultado aparece nas melhores cenas, especialmente quando o filme transforma objetos improváveis em armas e faz da fragilidade uma estratégia visual. A já comentada sequência com lança-chamas resume bem isso: é absurda, sim, mas encenada com progressão clara e senso de espetáculo, não como meme solto.

O longa também entende o valor do universo que expande. As participações conectam a mitologia sem sequestrar o protagonismo da nova personagem. Não é o filme mais elegante da franquia, nem o mais revolucionário, mas está longe de ser um apêndice descartável. Para fãs de ação coreografada com precisão, merece atenção. Para quem já está cansado da mitologia de assassinos de luxo, talvez soe como variação competente, não essencial.

O que esses filmes têm em comum além do fracasso ou esquecimento

O elo entre esses títulos não é apenas o fato de terem sido ignorados no lançamento. É que todos oferecem alguma resistência à pasteurização do gênero. Besouro Azul aposta em afeto familiar. Aves de Rapina deixa a ação nascer da personalidade. Conspiração Terrorista confia no básico bem executado. Freaky Tales prefere a excentricidade. Scorpion’s Revenge usa a animação como vantagem real. Furiosa expande uma obra consagrada sem servilismo. Ballerina reconfigura uma gramática corporal já conhecida.

Isso não significa que todos sejam igualmente fortes. Significa que todos têm algo identificável para oferecer — e isso já os coloca acima de muito filme de ação caro e esquecível. Num catálogo amplo como o da HBO Max, é fácil voltar sempre aos mesmos gigantes. Mas, se a ideia é encontrar ação com alguma inventividade, esta seleção aponta caminhos mais interessantes do que a prateleira óbvia.

Em resumo: se você está procurando filmes de ação HBO Max e quer fugir do algoritmo mais previsível, comece por aqui. Há chances reais de encontrar não um clássico escondido em cada título, mas filmes que foram descartados rápido demais e que, revistos sem o ruído do lançamento, funcionam melhor do que a reputação sugere.

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Perguntas Frequentes sobre filmes de ação HBO Max

Esses filmes de ação estão mesmo no HBO Max?

O catálogo do HBO Max muda com frequência, então a disponibilidade pode variar por data e região. Antes de assistir, vale checar diretamente na busca da plataforma para confirmar se o título continua ativo no Brasil.

Qual desses filmes é a melhor escolha para quem quer ação mais intensa?

Se a prioridade é intensidade, comece por Furiosa, Ballerina ou Mortal Kombat Legends: Scorpion’s Revenge. Os três apostam em ação mais física e frequente, com coreografias ou perseguições como motor principal.

Qual filme da lista é mais indicado para quem não gosta de super-herói?

Conspiração Terrorista é a opção mais segura, porque é um thriller de espionagem direto e sem elementos fantásticos. Freaky Tales também pode funcionar bem para quem prefere ação com humor e clima mais autoral.

Preciso conhecer franquias anteriores para entender esses filmes?

Na maioria dos casos, não. Besouro Azul funciona sozinho, Aves de Rapina explica o essencial sobre Harley Quinn, e Furiosa pode ser visto sem rever Estrada da Fúria. Já Ballerina fica mais rico para quem conhece o universo de John Wick, mas ainda é compreensível por conta própria.

Qual desses títulos é melhor para ver em família?

Besouro Azul tende a ser a escolha mais acessível para uma sessão em família, por ter humor, aventura e violência mais moderada. Os outros títulos da lista costumam ser mais intensos, mais adultos ou mais gráficos.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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