‘Tintim 2’ enfim sai do limbo com Peter Jackson no roteiro

‘Tintim 2’ voltou a andar de verdade: Peter Jackson confirmou que escreve o roteiro com Fran Walsh. Analisamos por que essa atualização tira a sequência do limbo de Hollywood e o que ainda falta para o projeto finalmente acontecer.

‘Tintim 2’ estava, na prática, no limbo. Não havia cancelamento oficial, mas havia algo que em Hollywood costuma dar no mesmo: silêncio prolongado, agendas incompatíveis e uma continuação prometida que envelheceu sem sair do papel. Em Cannes 2026, Peter Jackson mudou esse status com a atualização que o projeto precisava para voltar a ser levado a sério: ele confirmou que está escrevendo o roteiro ao lado de Fran Walsh.

Isso importa por um motivo simples. Depois de 15 anos, ‘Tintim 2’ deixou de ser lembrança de entrevista antiga e voltou a ter tração real. Mais do que uma notícia de bastidor, o caso virou exemplo raro de um blockbuster que sobreviveu ao congelamento industrial e reaparece quando seu principal fiador decide, enfim, retomá-lo.

Por que a fala de Peter Jackson tira ‘Tintim 2’ do limbo de verdade

O ponto central aqui não é apenas que Jackson ‘ainda pensa’ em ‘Tintim 2’. É que ele disse estar escrevendo o roteiro agora. Em projetos que passam mais de uma década em desenvolvimento, existe uma diferença enorme entre intenção vaga e trabalho concreto de escrita. A primeira alimenta manchetes; a segunda é o que, de fato, pode levar um filme de volta ao cronograma de produção.

O histórico ajuda a medir o peso dessa atualização. ‘As Aventuras de Tintim’, lançado em 2011 sob direção de Steven Spielberg, nasceu já com a ideia de continuação. O arranjo era claro: Spielberg comandaria o primeiro longa e Jackson assumiria o segundo. No papel, fazia sentido. Na prática, o intervalo foi ocupado por ‘O Hobbit’, por projetos documentais e pela reorganização natural de duas carreiras gigantes.

Quando Jackson admite incômodo com a demora, a fala não soa como frase promocional. Soa como reconhecimento de uma dívida criativa. E isso reforça o ângulo mais interessante desta história: ‘Tintim 2’ não voltou porque o mercado exigiu, mas porque um dos autores envolvidos decidiu reativar uma promessa antiga.

O primeiro filme merecia continuação mais rápida do que teve

Vale lembrar que o primeiro ‘Tintim’ não foi um fracasso escondido que a indústria prefere fingir que nunca existiu. Muito pelo contrário. O longa arrecadou cerca de US$ 374 milhões no mundo contra um orçamento estimado em US$ 135 milhões e teve recepção crítica sólida. Não foi fenômeno cultural do tamanho de um ‘Jurassic World’, mas entregou o suficiente para justificar um segundo capítulo.

Rever o filme hoje ajuda a entender por que tanta gente ainda se importa com essa sequência. A perseguição que começa pelas ruas estreitas e vai escalando até virar um caos coreografado é o melhor resumo do que Spielberg conseguiu fazer com o motion capture: câmera solta, geografia clara e sensação de aventura contínua. Não era apenas tecnologia exibida por vaidade. Era uma tentativa de transformar o traço veloz de Hergé em movimento cinematográfico.

Há também um detalhe técnico importante: a animação digital de ‘As Aventuras de Tintim’ apostava em textura e volume sem abandonar o cartum na arquitetura dos rostos e dos corpos. Esse equilíbrio continua difícil. Na época, o filme parecia uma aposta ousada num formato intermediário entre live-action e animação; hoje, parece ainda mais singular, justamente porque poucos blockbusters seguiram por esse caminho com a mesma confiança visual.

Como ‘O Hobbit’ e os documentários empurraram a sequência para trás

Como 'O Hobbit' e os documentários empurraram a sequência para trás

Se a continuação não aconteceu antes, a razão principal não é misteriosa. Peter Jackson passou anos absorvido pela trilogia ‘O Hobbit’, uma produção marcada por escala industrial enorme, mudanças de processo e um desgaste visível no resultado. Mesmo para um cineasta acostumado a obras monumentais, era o tipo de projeto que consome tempo, energia e margem criativa.

Depois disso, Jackson migrou para documentários como ‘They Shall Not Grow Old’ e ‘The Beatles: Get Back’. Essa fase não é irrelevante para ‘Tintim 2’; ela ajuda a explicar por que o retorno agora faz sentido. Os trabalhos documentais mostraram um diretor menos preocupado em superar a própria grandiosidade e mais atento a ritmo, materialidade e observação. Se essa sensibilidade atravessar a continuação, ela pode enriquecer um universo que já funcionava pela precisão do detalhe e pela clareza espacial.

No contexto da filmografia dele, ‘Tintim 2’ pode virar uma ponte curiosa: nem a hipertrofia de ‘O Hobbit’, nem a contenção documental pura, mas um meio-termo em que Jackson volta ao cinema de aventura com mais disciplina do que excesso. É aí que a notícia fica mais interessante do que um simples ‘sequência confirmada’.

O que ainda impede ‘Tintim 2’ de sair do papel

Convém baixar a euforia. Roteiro em desenvolvimento não significa filmagem iminente. O próprio Jackson falou em algo a anos de distância, e isso, em linguagem de indústria, ainda é terreno instável. Falta saber quem dirige, quando a produção começa, como será o calendário e se a equipe principal retorna.

Existe também a questão do elenco de voz. Jamie Bell, Andy Serkis e Daniel Craig estão 15 anos mais velhos do que no primeiro filme. Isso não inviabiliza a sequência, especialmente em animação por captura de performance, mas altera o cálculo de continuidade. Em paralelo, o mercado para aventuras desse tipo mudou. O espaço para blockbusters sem estética superheroica encolheu, e mesmo marcas fortes já não garantem bilheteria por inércia.

Outro obstáculo é conceitual: como fazer ‘Tintim 2’ parecer atual sem descaracterizar o espírito de Hergé? O primeiro longa funcionava porque levava a aventura a sério, sem cinismo e sem paródia. Se a continuação tentar modernizar demais o material, perde identidade. Se repetir a fórmula sem reinvenção, corre o risco de soar tardia. O desafio de Jackson e Walsh está exatamente nesse equilíbrio.

O que a volta de ‘Tintim 2’ diz sobre Hollywood em 2026

A melhor leitura dessa retomada talvez não seja nostálgica, mas industrial. ‘Tintim 2’ virou símbolo de como certos projetos entram num estado de suspensão quase permanente: não morrem, não avançam, apenas sobrevivem em entrevistas, rumores e promessas. O normal é que desapareçam. O incomum é voltarem com alguma substância.

Por isso, a confirmação de Jackson tem peso. Ela sugere que ainda existe espaço para resgatar uma propriedade que não foi explorada até a exaustão e para apostar num cinema de aventura mais clássico, guiado por mise-en-scène, descoberta e set pieces, não só por reconhecimento de marca. Num cenário dominado por franquias que aceleram desenvolvimento e descartam personalidade, ‘Tintim 2’ pode acabar sendo uma raridade: uma continuação tardia que retorna porque alguém ainda vê valor criativo nela.

Meu posicionamento é claro: a notícia é boa, e boa de verdade, mas ainda não autoriza tratar o filme como garantido. O avanço é real porque saiu da abstração e entrou na escrita. Só que, depois de 15 anos, prudência continua sendo parte da cobertura honesta.

Para quem gostou do primeiro longa e sente falta de aventuras de grande escala menos cínicas, ‘Tintim 2’ merece atenção desde já. Para quem espera confirmação de elenco, data ou produção em andamento, ainda é cedo. O que existe hoje é algo menor do que um anúncio oficial de filmagem, mas muito maior do que rumor: existe movimento concreto.

E, no caso de um projeto que passou década e meia congelado, movimento concreto já é quase um milagre industrial.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Tintim 2’

‘Tintim 2’ foi oficialmente confirmado?

Ainda não houve anúncio de início de filmagem ou data de estreia, mas Peter Jackson confirmou em Cannes 2026 que está escrevendo o roteiro com Fran Walsh. Hoje, o projeto está em desenvolvimento ativo.

Quem vai dirigir ‘Tintim 2’?

Historicamente, o plano era que Peter Jackson dirigisse a sequência após Steven Spielberg comandar o primeiro filme. Até agora, porém, Jackson falou publicamente sobre o roteiro, não sobre uma confirmação formal da direção.

Quando ‘Tintim 2’ pode estrear?

Não existe data oficial. Como o roteiro ainda está em escrita, a estimativa mais realista aponta para algo a partir de 2028, mas o projeto também pode demorar mais dependendo da produção e do calendário dos envolvidos.

Preciso ver o primeiro filme para entender ‘Tintim 2’?

Provavelmente sim, ou pelo menos é o mais recomendável. Como a sequência nasce diretamente do universo montado em ‘As Aventuras de Tintim’, rever o primeiro longa ajuda a retomar a dinâmica entre Tintim, Haddock e o tom de aventura estabelecido por Spielberg.

Onde assistir ao primeiro ‘As Aventuras de Tintim’?

A disponibilidade varia conforme o país e os acordos de catálogo. No Brasil, o ideal é consultar serviços como JustWatch ou a busca das plataformas de aluguel digital para verificar onde ‘As Aventuras de Tintim’ está disponível no momento.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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