‘Top Gun 3’: sem Kosinski, quem assume a direção da sequência?

Com Joseph Kosinski fora do projeto, a escolha do Top Gun 3 diretor virou um cabo de guerra entre a fidelidade de Tom Cruise e os interesses da Paramount. Analisamos como McQuarrie, Mangold e até PTA moldariam o futuro da franquia.

A Paramount confirmou no CinemaCon o que o caixa de US$ 1,4 bilhão de ‘Top Gun: Maverick’ já gritava: a sequência está a caminho. Mas o diabo mora nos créditos de produção. Joseph Kosinski, o arquiteto visual que transformou o filme de 2022 em um milagre de física e bilheteria, está fora do projeto, com o foco voltado para a adaptação de ‘Miami Vice ’85’. Isso cria um vazio de poder. A definição do próximo Top Gun 3 diretor não é apenas uma questão criativa; é um cabo de guerra político. De um lado, Tom Cruise e sua fidelidade obstinada aos colaboradores de sempre. Do outro, a Paramount pós-compra pela Skydance, com novos contratos corporativos para honrar e uma franquia bilionária para proteger.

A dinâmica de poder e o vazio na cadeira de Top Gun 3 diretor

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Kosinski não foi um acaso. Ele já havia trabalhado com Cruise em ‘Oblivion’ e entendeu melhor do que ninguém que o sucesso de ‘Maverick’ não dependia de roteiro, mas da experiência cinética. Aquela sequência do cânion, onde a câmera capta o suor real sob o capacete dos pilotos submetidos a 6.5G, não foi efeito de estúdio; foi logística obsessiva. Sem ele, a Paramount quer alguém que mantenha o padrão técnico. Cruise, porém, é o produtor de fato. E a história recente de Hollywood nos mostra que quando o estúdio e a estrela divergem sobre o comandante da missão, o set vira um campo de batalha.

O ‘Clube dos Amigos’: a zona de conforto de Tom Cruise

Se depender do instinto de Cruise, o telefone toca primeiro para Christopher McQuarrie. O homem já tem crédito de roteiro em ‘Maverick’ e dirigiu os últimos quatro ‘Missão: Impossível’. Ele é o paraquedas de segurança. Sabe orquestrar ação prática como ninguém e garante que o filme seja entregue no prazo. Mas há um risco: a segurança pode gerar previsibilidade. McQuarrie traria o mesmo rigor mecânico de ‘Jack Reacher: O Último Tiro’, mas ‘Top Gun’ exige um fôlego visual que a gramática de ‘Missão: Impossível’ nem sempre prioriza.

Doug Liman (‘Encontro Explosivo’) é outro nome na lista de contatos de Cruise, mas sua fama de productions caóticas colide diretamente com a precisão cirúrgica exigida por sequências aéreas reais. A aposta mais inteligente nessa ala conservadora poderia ser Brad Bird. O diretor de ‘Os Incríveis’ provou em ‘Missão: Impossível – Protocolo Fantasma’ que entende a escala de um blockbuster live-action. Seu background em animação lhe dá um senso de geografia espacial raro em ação live-action — basta ver a sequência do Kremlin em ‘Protocolo Fantasma’ para entender como ele posiciona o espectador no espaço tridimensional. E tem agenda livre após concluir ‘Ray Gunn’.

O cavalo da Paramount: Mangold e a nova ordem corporativa

O cavalo da Paramount: Mangold e a nova ordem corporativa

Do lado do estúdio, a matemática é outra. A Skydance precisa justificar seus investimentos. James Mangold assinou um contrato geral com a Paramount e já tem um filme com Timothée Chalamet engatado. Colocá-lo no comando de ‘Top Gun 3’ faz todo o sentido corporativo. E a fita artística também cola: de ‘Logan’ a ‘Ford v Ferrari’, Mangold é o mestre do ‘herói envelhecido enfrentando a obsolescência’. A graxa, o suor e a obsessção mecânica de ‘Ford v Ferrari’ se encaixam perfeitamente no tom de um Maverick lidando com o fim da linha. Além disso, os dois já trabalharam juntos na comédia de 2010 ‘Encontro Explosivo’. Seria o terreno neutro perfeito: aprovação do estúdio, respeito do astro.

A conexão Glen Powell: o peso do novo astro na balança

O sucesso de ‘Maverick’ não foi só de Cruise. Glen Powell roubou a cena como Hangman e provou que é um líder de bilheteria em ‘Twisters’. Seu poder de negociação subiu, e seu currículo de colaboradores pode ditar o jogo. Lee Isaac Chung, diretor de ‘Minari: Em Busca da Felicidade’ que fez ‘Twisters’ funcionar no verão passado, está livre após sair do novo ‘Ocean’s’. Ele tem o aval de Powell e a capacidade de equilibrar o drama íntimo com o espetáculo de verão.

Mais absurdo, mas igualmente ligado a Powell, é o nome de Barry Jenkins. O diretor de ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’ nunca fez um blockbuster, mas ele e Powell já têm um projeto de ficção científica em desenvolvimento na Universal. Jenkins traria uma profundidade psicológica e uma textura visual — pense na luz natural e nos close-ups anamórficos de ‘Se a Rua Beale Falasse’ — que a franquia nunca ousou ter. É improvável que a Paramount permita tal risco, mas a hipótese de ver um ‘Top Gun’ com a densidade emocional de um drama de A24 é tentadora.

As apostas altíssimas: Iñárritu e PTA na cabine de comando

As apostas altíssimas: Iñárritu e PTA na cabine de comando

Se o cabo de guerra resultar em um nome inesperado, as apostas ousadas são as que mais animam. Antes de ‘Top Gun 3’, Cruise está filmando ‘Digger’ com Alejandro G. Iñárritu. Se a química no set se provar real, o mexicano poderia ser o escolhido. O problema? O salto de escala. Iñárritu filmou sequências de sobrevivência brutais em ‘O Regresso’, mas orquestrar dezenas de jatos em coordenadas reais exige um tipo de paciência logística que talvez não combine com seu perfeccionismo visceral.

A loucura máxima, no entanto, tem nome: Paul Thomas Anderson. O diretor de ‘Magnólia’ — o último grande drama que Cruise aceitou fazer, há 27 anos — provou em ‘Uma Batalha Após a Outra’ que consegue operar com orçamentos maiores e IMAX. PTA já manifestou interesse público público em dirigir um ‘Missão: Impossível’. Perdeu a vaga, mas ‘Top Gun’ seria a consolação mais espetacular da história do cinema. A ideia de ver a gramática visual de Anderson aplicada a combates aéreos de alta velocidade é vertiginosa, mas o choque entre o controle absoluto de Cruise e a improvisação de PTA no set seria tão explosivo quanto um dogfight.

A hipótese extrema: e se o próprio Cruise assumir o manche?

Há também a possibilidade do auto-comando: Cruise dirigir a si mesmo. Ele já opera como um diretor não-oficial em quase todos os seus projetos, ditando os ângulos de câmera e coreografando os stunt doubles. Seu único crédito oficial na direção é um episódio de TV em 1993. É um tiro longo demais. A loga de pilotar um caça, atuar para a lente e ainda gerenciar o set seria um colapso nervoso garantido. Ele já tem poder suficiente sem precisar do crachá de diretor.

A escolha do Top Gun 3 diretor vai expor quem realmente manda em Hollywood hoje. Se for McQuarrie, Cruise venceu a trincheira. Se for Mangold, o estúdio impôs sua nova ordem. Se for PTA ou Iñárritu, teremos um filme que ninguém espera. ‘Maverick’ já provou que a fórmula funciona; a sequência precisa provar que a franquia pode evoluir.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Top Gun 3’

Por que Joseph Kosinski não vai dirigir ‘Top Gun 3’?

Joseph Kosinski está focado na adaptação cinematográfica de ‘Miami Vice ’85’ para a Paramount, o que o indisponibilizou para assumir a cadeira de direção na sequência de ‘Top Gun’.

Quando estreia ‘Top Gun 3’?

A Paramount ainda não definiu uma data de estreia oficial. O filme foi confirmado no CinemaCon, mas ainda está em fase de escolha do diretor e desenvolvimento de roteiro.

Glen Powell volta como Hangman em ‘Top Gun 3’?

Embora não haja confirmação oficial, o sucesso de Glen Powell em ‘Twisters’ e seu papel crucial em ‘Maverick’ tornam seu retorno quase certo, possivelmente com peso ainda maior na trama.

Quem são os favoritos para dirigir ‘Top Gun 3’?

Os nomes mais cotados dividem-se entre os aliados de Tom Cruise (Christopher McQuarrie e Brad Bird), os interesses da Paramount (James Mangold) e apostas ousadas como Paul Thomas Anderson e Alejandro G. Iñárritu.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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