A Série White Smoke A24 une thriller político e heist ao adaptar livro inédito sobre um assalto ao Vaticano durante a escolha do papa. Analisamos por que a A24 capitaliza o zeitgeist pós-eleição papal e como Cumberbatch se encaixa nesse risco calculado.
Poucas semanas depois de o mundo parar para assistir à eleição real do Papa Leo XIV — um evento que parecia saído diretamente de um roteiro —, o anúncio mais provocador da semana chega justamente para capitalizar esse momento. A Série White Smoke A24 não é apenas um novo projeto na esteira dos thrillers políticos; é o reflexo de uma indústria que finalmente percebeu que o Vaticano é o cenário perfeito para o suspense contemporâneo.
A sinopse soa como se alguém tivesse misturado a tensão claustrofóbica de ‘Conclave’ com a adrenalina de um ‘Ocean’s Eleven’ de batina: durante a eleição de um novo papa, enquanto os cardeais estão trancados na Capela Sistina votando, um grupo de ladrões aproveita o caos institucional para assaltar os tesouros do Vaticano. É a premissa de um livro inédito de Nick Brucker (pseudônimo de Nicholas Binge) que só chegará às prateleiras em 2027, mas que já tem a A24 e Benedict Cumberbatch brigando pelos direitos.
Por que o momento da Série White Smoke A24 é cirúrgico
O cinema e a TV têm uma relação simbiótica com o zeitgeist cultural, e o momento atual é de fascínio absoluto pela maquinaria vaticana. Em 2024, ‘Conclave’ de Edward Berger transformou a política eclesiástica em um thriller de sala de estar elegante e venenoso, rendendo oito indicações ao Oscar e o troféu de Roteiro Adaptado. Antes disso, Paolo Sorrentino já havia mostrado em ‘O Jovem Papa’ e ‘The New Pope’ que o Vaticano é um palco visual e narrativo sem limites para o absurdo, o poder e a corrupção.
Mas a realidade superou a ficção. A morte do Papa Francisco e a subsequente eleição de Leo XIV colocaram os olhos do mundo na fumaça branca da Capela Sistina. A Série White Smoke A24 entra nesse cenário não como um parasita tardio, mas como uma evolução lógica do gênero. Já entendemos a política da igreja; agora, a pergunta que fica é: e se, enquanto os cardeais estão de olhos voltados para o Espírito Santo, alguém estiver de olhos nas reservas de ouro?
A mecânica do assalto: quando o sagrado veda o profano
A força da premissa de ‘White Smoke’ está na sua logística. Um assalto só funciona se houver distração, caos e rotinas quebradas. E o que é um Conclave senão a maior quebra de rotina institucional do planeta? A igreja está literalmente de cabeça para baixo, com regras milenares de isolamento sendo aplicadas: nenhum sinal vai ou vem, os cardeais são sequestrados da modernidade até que uma decisão seja tomada. É o cenário de distração perfeito.
Ao misturar o thriller político com o heist (gênero de assalto), a série cria uma tensão dupla que remete à regra de ouro de Hitchcock: a diferença entre suspense e surpresa. O público sabe que o assalto está acontecendo enquanto os cardeais apenas rezam. Essa expectativa angica — cortando entre o sagrado e o profano a cada cena — é o que pode elevar a série de um simples crossover de gêneros para um exercício de montagem brilhante.
A ousadia de adaptar o inédito e o risco calculado
Aqui entra o aspecto mais fascinante da produção: o livro de Nick Brucker nem foi publicado ainda. A A24 venceu uma guerra de lances por uma propriedade intelectual que o público não pode conferir nas livrarias antes da série estrear. É um movimento que lembra os velhos estúdios comprando roteiros especulativos, mas com uma camada extra de arrogância estratégica.
Eles sabem o que estão fazendo. Brucker, cujo nome real é Nicholas Binge, já tem um histórico de premissas de alto conceito. Seus livros ‘Ascension’ e ‘Dissolution’ já estão em desenvolvimento cinematográfico. A escolha de adaptar ‘White Smoke’ como uma série de TV — e não como um filme — também é um sinal claro de ambição: a ideia é que este seja apenas o primeiro volume de uma franquia. A A24 não quer um filme isolado; quer construir uma mitologia de roubo e política clerical a longo prazo.
Cumberbatch e o retorno ao terreno do intelecto calculista
Para estrelar e produzir pela sua empresa SunnyMarch, Benedict Cumberbatch parece o encaixe perfeito. Olhe para a filmografia do ator: de ‘O Jogo da Imitação’ a ‘Sherlock’, passando por ‘Patrick Melrose’ e até o recente ‘Eric’, o homem construiu uma carreira interpretando indivíduos cuja principal arma não é a força física, mas o intelecto — muitas vezes à beira de um colapso nervoso.
Depois de anos mergulhado no universo Marvel como Doutor Estranho e em blockbusters como ‘Cavalo de Guerra’, seu retorno à TV de prestígio através da Série White Smoke A24 sinaliza uma vontade de voltar a exercitar o músculo do suspense psicológico. A grande questão agora é: qual lado da trama Cumberbatch vai habitar? Ele será o mestre do assalto, usando sua aura de frieza calculista para orquestrar o roubo? Ou será um cardeal astuto, manipulando a eleição enquanto o caos se instaura ao redor? Sabendo da sua tendência a papéis moralmente ambíguos, aposto que teremos um pouco dos dois.
Por que ‘White Smoke’ é a aposta mais inteligente da A24
Quando li a notícia, minha primeira reação foi o ceticismo que sempre tenho quando Hollywood tenta surfar uma onda de sucesso alheia. Mas ao analisar os pilares do projeto, a desconfiança dá lugar a uma expectativa genuína. A A24 não está apenas chutando portas abertas com a temática do Vaticano; eles estão subvertendo o gênero que acabou de emplacar.
A aposta em uma obra inédita, o casamento de gêneros (thriller político + heist) e a presença de um ator-produtor que entende de tensão cerebral fazem desta uma das propostas mais estimulantes do atual ciclo de anúncios. Pode dar errado? Claro. A execução de um heist precisa de ritmo, e a política eclesiástica precisa de respiro. Equilibrar os dois é um truque de malabarismo narrativo que poucos escritores dominam. Mas se der certo, teremos algo que raramente vemos na TV: um espetáculo que é tão inteligente quanto é entretenimento puro. Que venha a fumaça branca — e os alarmes do cofre.
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Perguntas Frequentes sobre a Série White Smoke A24
O que é a série White Smoke da A24?
‘White Smoke’ é uma série de thriller que mistura política vaticana e assalto. A trama acompanha um grupo de ladrões que aproveita o isolamento do Conclave para roubar tesouros do Vaticano enquanto os cardeais elegem o novo papa.
Quando estreia a série White Smoke?
A série não tem data de estreia confirmada ainda. Como o livro fonte será publicado apenas em 2027, a produção deve começar a ganhar forma após esse período, com estreia provável para 2028 ou 2029.
White Smoke é baseada em fatos reais?
Não. A série é uma adaptação de um livro de ficção inédito de Nick Brucker (pseudônimo de Nicholas Binge). A premissa usa regras reais do Conclave, mas a trama de roubo é inteiramente fictícia.
Qual a participação de Benedict Cumberbatch na série?
Benedict Cumberbatch é o protagonista e também produtor do projeto através de sua empresa SunnyMarch. Especula-se que ele interprete o líder do assalto ou um cardeal manipulador, dado seu histórico de papéis de intelecto calculista.
Precisa ter visto o filme Conclave para entender White Smoke?
Não, os projetos são independentes. Porém, assistir a ‘Conclave’ ajuda a entender a mecânica de isolamento e política eclesiástica que a série White Smoke vai subverter para transformar em cenário de roubo.

