O que assistir de ‘Arquivo X’ antes do reboot, segundo Robbie Amell e fãs

Antes do ‘Arquivo X reboot’ de Ryan Coogler, o ator Robbie Amell e a especialista Molly Hottle selecionam os episódios essenciais da série. Da ousadia técnica de ‘Triangle’ ao terror visceral de ‘Home’, um mapa para entender o DNA da obra.

O Arquivo X reboot nasceu sob o signo da dúvida: como reinventar uma série que definiu um gênero? Antes de tentar responder, é preciso calibrar o radar. O Pluto TV disponibilizou as 11 temporadas originais e organizou um evento em Joshua Tree: uma maratona de nove dias liderada por duas vozes muito específicas. De um lado, Robbie Amell, o Agente Miller do revival de 2016, que viu a máquina de dentro. Do outro, Molly Hottle, vencedora de um concurso de fãs com um conhecimento técnico que faria os roteiristas originais suarem. Juntos, eles montaram uma curadoria que funciona como um mapa para entender o DNA da obra antes da nova era.

O olhar de dentro: o que Robbie Amell aprendeu no set

O olhar de dentro: o que Robbie Amell aprendeu no set

É fácil para um ator de uma temporada posterior despejar elogios genéricos sobre um clássico. Robbie Amell vai além. Ele entrou na série como um fã que de repente se viu dividindo cenário com a dupla mais icônica da televisão científica. O que ele tira dessa vivência é um insight sobre generosidade: ver David Duchovny e Gillian Anderson comandarem 218 episódios sem deixar o ego falar mais alto ensinou mais sobre a profissão do que qualquer escola de atuação.

Quando o assunto é o que assistir, Amell é cirúrgico. Ele sugere o episódio piloto (‘Pilot’), mas com uma justificativa precisa — é lá que a gramática visual se estabelece, o contraste entre o ceticismo de Scully e a obsessão de Mulder. Depois, aponta para ‘Home’, o episódio banido da TV por um tempo devido à sua violência crua e perturbadora. É a prova de que ‘Arquivo X’ fazia terror visceral muito antes de o mainstream achar que isso era aceitável na TV aberta.

O grande momento da lista de Amell é ‘X-Cops’. Filmado no formato de documentário da série ‘Cops’, com câmeras na mão e estética de TV de realidade, é um exercício de metalinguagem brilhante. Amell nota os momentos em que Duchovny quebra a personagem e ri da situação. Não é um erro; é a série desconstruindo seu próprio formato, provando que o terror funciona mesmo quando a arteifice é exposta.

A anatomia do fã: o plano-sequência que precedeu ‘True Detective’

Se Amell traz a visão de quem esteve no set, Molly Hottle traz a de quem dissecou cada quadro. O episódio que a prendeu à série foi ‘Soft Light’, com pessoas derretendo — um terror que ela assistia escondida dos pais na TV analógica, com o dedo no botão para mudar de canal a qualquer ruído na casa. Essa tensão analógica marca a relação física que o fã clássico tinha com a obra.

A lista de Molly é onde a expertise técnica brilha. Ela aponta para ‘Ice’, da primeira temporada, e não perdoa: é uma homenagem declarada a ‘The Thing’, de John Carpenter. É ‘Arquivo X’ mostrando que sabia exatamente de onde vinha seu DNA paranoico, confinando personagens em um gelo isolado com um parasita assassino. O roteiro é uma aula de como construir tensão em espaço fechado.

O grande golpe de autoridade de Molly, no entanto, vai para ‘Triangle’. Ela defende que o famoso plano-sequência longo do episódio — que acompanha Scully por corredores do FBI sem cortes — foi o verdadeiro pioneiro na TV. ‘Todo mundo fala que True Detective fez isso primeiro, mas foi Arquivo X’, ela dispara. É uma correção histórica necessária. Fazer um take contínuo daquele nível em 1998, no orçamento de uma série de TV aberta, não é apenas ousadia técnica; é alquimia de produção.

Ela ainda resgata ‘The Post-Modern Prometheus’, o episódio em preto e branco de Darin Morgan. Os roteiros cômicos de Morgan são o contraponto essencial da série, momentos em que o absurdo do sobrenatural é abraçado com um humor ácido que destrói as regras que a própria série estabeleceu. Se você quer entender a versatilidade da obra, passe por aí.

Por que Ryan Coogler é o nome certo para o Arquivo X reboot

Ambas as perspectivas convergem para um ponto: a confiança no que está por vir. O Arquivo X reboot não precisa ter medo de falhar se tiver a visão certa. Robbie Amell é direto sobre Coogler: ‘Ele não erra’. A bênção de Chris Carter e o entusiasmo público de Gillian Anderson já tiram qualquer peso da adaptação.

Molly complementa com a perspectiva de quem consome horror com fervor. Ela viu ‘Sinners’, o próximo filme de Coogler, e a segurança dela é absoluta. Coogler entende como construir mitologia sem perder o grounding emocional — algo que ‘Arquivo X’ precisava desesperadamente nas suas temporadas posteriores, quando a mitologia alienígena se tornou um novelo de lã que nem os roteiristas conseguiam desenrolar.

A série original funcionava melhor quando o sobrenatural era um espelho para o nosso medo do desconhecido e do governo. Coogler tem um histórico impecável de contar histórias sobre sistemas de opressão e identidade — basta ver como ele ancorou a mitologia de Wakanda em questões de diáspora em ‘Black Panther’, ou como reinventou uma franquia cansada em ‘Creed’ ao focar no legado e no trauma. A paranoia de Mulder sempre foi política no fundo; na mão de Coogler, essa paranoia ganha um contorno contemporâneo natural.

Preparar-se para a nova era não é maratonar episódios aleatórios. É entender o DNA da obra através de quem o viveu e quem o estudou. Se você quer a tensão crua, vá para ‘Home’ e ‘Ice’. Se quer a ousadia formal, procure ‘Triangle’ e ‘X-Cops’. E se quer a alma da série, assista ao piloto e a ‘The Post-Modern Prometheus’. O arquivo está aberto. A verdade continua lá fora, mas agora com um novo diretor no comando da investigação.

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Perguntas Frequentes sobre o Arquivo X reboot

Onde assistir a série original de Arquivo X antes do reboot?

As 11 temporadas originais de ‘Arquivo X’ estão disponíveis atualmente no Pluto TV, que inclusive organizou um evento de maratona com fãs e o ator Robbie Amell.

Quem está dirigindo o Arquivo X reboot?

O reboot de ‘Arquivo X’ está sob o comando de Ryan Coogler, diretor de ‘Black Panther’ e ‘Creed’. O projeto conta com a bênção do criador original, Chris Carter.

Preciso ver a série original antes do novo Arquivo X?

Não é obrigatório, mas assistir aos episódios essenciais como ‘Home’, ‘Triangle’ e ‘Pilot’ ajuda a entender a gramática visual e a mitologia que provavelmente influenciarão a visão de Coogler.

Qual o episódio de Arquivo X com o famoso plano-sequência?

O episódio é ‘Triangle’ (6×03). Ele possui um plano-sequência longo que acompanha Scully pelos corredores do FBI sem cortes, uma ousadia técnica em 1998 que precedeu o famoso feito de ‘True Detective’ em 2014.

Por que o episódio Home de Arquivo X foi banido?

‘Home’ (4×02) foi banido da TV por um período devido à sua violência crua, atmosfera perturbadora e temas de incesto, sendo um dos episódios mais viscerais e corajosos da televisão dos anos 90.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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